Descrição
Sistema linfático, anatomia e suas características fisiológicas. Diferença entre edema linfático e edema venoso. Doenças do sistema linfático.
PROPÓSITO
Compreender a anatomia e a fisiologia do sistema linfático a fim de desenvolver o atendimento adequado, diferenciando as características de algumas patologias.
Preparação
Estudo do Atlas de anatomia.
OBJETIVOS
Módulo 1
Compreender a estrutura, a fisiologia e a anatomia do sistema linfático
Módulo 2
Reconhecer os tipos de edema e as principais patologias do sistema linfático
Introdução
Neste tema, estudaremos a anatomia e a fisiologia do sistema linfático, conhecendo estruturas e funcionamento desse sistema formado pelos vasos linfáticos e órgãos linfoides, cuja função é drenar os líquidos excedentes do interstício celular e realizar a defesa imunológica.
Como todos os sistemas do corpo humano, o sistema linfático é passível de falhas e patologias e, quando isso acontece, pode surgir um edema. O profissional de estética deve realizar a avaliação de um edema, utilizando testes disponíveis além de uma anamnese detalhada.
MÓDULO 1
Compreender a estrutura, a fisiologia e a anatomia do sistema linfático
Anatomia geral do sistema circulatório
Circulação sanguínea
O sistema sanguíneo é dividido em sistema arterial e sistema venoso. Ambos participam de maneira integrada da nutrição dos tecidos de todo o organismo, inclusive do sistema linfático. O sistema sanguíneo e o linfático atuam de maneira integrada e simultânea. Para entender melhor, vamos conhecer a fundo estes sistemas separadamente.
Sistema arterial
Este sistema é provido de artérias e sua principal função é levar o sangue rico em oxigênio e nutrientes para todos os órgãos e tecidos do corpo humano. Este sistema parte do coração, ou seja, leva o sangue oxigenado até a circulação periférica.
Sistema venoso
Após banhar as células do corpo humano e promover as trocas gasosas, o sangue retorna ao meio intersticial com restos do catabolismo celular, proteínas e dejetos. Quando isso acontece, este sangue passa a ser chamado de sangue venoso.
Grande parte desse sangue, aproximadamente 90%, utiliza este trajeto para retornar ao coração, mas os 10% restantes não conseguem retornar por ter uma grande quantidade de proteínas, que, por terem um tamanho maior, não conseguem ultrapassar o epitélio do vaso, só sendo possível retornar ao coração pelo sistema linfático.
O coração bate de maneira rítmica, alternando entre contração e relaxamento. A contração é chamada de sístole, e o relaxamento é denominado de diástole. A sístole garante que o sangue seja bombeado, e a diástole, que é a fase de relaxamento, faz com que as cavidades do coração se encham de sangue. Veja a figura 1.
O sangue pobre em oxigênio e rico em dióxido de carbono volta para o lado direito do coração através de duas grandes veias: veia cava superior e veia cava inferior. Em seguida, o sangue é bombeado pela artéria pulmonar até os pulmões, onde ele coleta oxigênio e libera dióxido de carbono.
O sistema arterial leva o sangue rico em oxigênio para nutrir os órgãos e tecidos do corpo humano. Após este processo, 90% do sangue retornam para o meio intersticial sendo agora chamado de sangue venoso. Esse sangue retorna para o coração, onde, novamente, se tornará sangue arterial (cheio de oxigênio). Os outros 10% retornam via sistema linfático. Logo, os sistemas arterial, venoso e linfático atuam de maneira integrada e simultânea.
Sistema linfático
O sistema linfático funciona como uma via acessória onde o líquido pode fluir dos espaços intersticiais para o sangue, carregando as macromoléculas que o sistema venoso não consegue retornar para o coração. É um sistema complexo formado por órgãos linfoides, linfonodos, ductos linfáticos, tecidos linfáticos, capilares linfáticos e vasos linfáticos.
Observe na figura a seguir os vasos linfáticos ao longo do corpo humano.
Observe na imagem que as macromoléculas que o capilar sanguíneo não consegue carrear vão para o interstício celular e, posteriormente, são absorvidas pelo capilar linfático:
A CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA E O SISTEMA LINFÁTICO
Assista ao vídeo a seguir para saber como o sistema sanguíneo e linfático funcionam de maneira íntegra e simultânea.
Baço
O baço é o maior órgão do sistema linfático e está localizado entre o nono, o décimo e o décimo primeiro par de costelas. É altamente vascularizado e funciona como um reservatório de sangue. Possui função imunológica e hematológica desempenhadas por duas polpas: uma branca, formada por tecido linfoide e que produz e armazena os linfócitos (células de defesa do corpo), e outra vermelha, que destrói as hemácias defeituosas e idosas (com mais de 60 dias) e armazena células de defesa, liberando-as na circulação quando necessário.
Timo
Órgão linfoide parecido com uma glândula que auxilia na maturação dos linfócitos T (células de defesa), destruindo microrganismos causadores de doenças e ajudando o organismo a se proteger contra infecções.
Tonsilas faríngeas
Conhecidas também como adenoides, são formadas por tecidos linfoides que atuam como defesa das vias aéreas superiores.
Tonsilas palatinas
Localizadas na porção posterior da boca, são formadas por tecido linfoide. Atuam como barreira de defesa das vias aéreas superiores.
Vasos linfáticos
No corpo humano, existem dois sistemas linfáticos de diferentes dimensões. O maior é responsável pela drenagem dos quadrantes inferiores do corpo e o quadrante esquerdo superior. Este representa 90% da produção da linfa. O menor drena o quadrante superior direito transportando os outros 10 % da linfa. (ULRICH, 2006)
Portanto, existem dois locais onde o sistema venoso desemboca. Ambos estão próximos ao coração, nas duas fossas intraclaviculares.
Distribuição e desenvolvimento das subdivisões dos vasos linfáticos
Os vasos linfáticos possuem subdivisões de acordo como seus diâmetros. São eles:
Linfáticos iniciais
Possuem cerca de 1/20mm
Pré-coletores
Possuem cerca de 1/5 a 1/10mm
Coletores
Possuem cerca de ½ mm
Troncos linfáticos (ducto torácico e ducto linfático direito)
Possuem entre 2 e 4mm
As artérias do nosso corpo são palpáveis. Isso pode ser testado por você agora mesmo. Veja o passo a passo.
No pulso você consegue sentir os batimentos do corpo.
Coloque o indicador e o dedo médio próximo ao punho até sentir os impulsos.
A área do pescoço também serve à medição. Aproxime os mesmos dedos da artéria carótida.
Pressione levemente. As veias superficiais são visíveis como vasos azuis.
Já os vasos linfáticos não são visíveis e nem podem ser sentidos, daí a importância de o profissional de estética conhecer a sua anatomia e funcionamento para realizar a técnica de drenagem linfática manual.
Iniciam como pequenos tubos com as extremidades fechadas (observe na figura 9 que eles possuem fundo cego). Suas paredes são mais finas que dos capilares sanguíneos. O número de linfáticos iniciais varia muito nas diferentes partes do corpo. São numerosos na pele e mucosas, regiões em que microrganismos penetram com maior frequência.
Os linfáticos iniciais desembocam nos pré-coletores, que também são encontrados na pele e nas mucosas. Eles se aprofundam verticalmente desde a rede capilar subcutânea e desembocam nos coletores. Os pré-coletores são capazes de esvaziar áreas de até 1 a 3cm de diâmetro.
Possuem aparência de um colar de pérolas quando visualizados no exame de linfocintilografia (um exame de cintilografia do sistema linfático). Os coletores possuem esta aparência porque têm válvulas em formato de meia lua, o que garante o fluxo dos fluidos em direção ao coração.
Diversos coletores formam um feixe de vasos linfáticos. A maioria dos coletores superficiais dos membros seguem paralelamente o trajeto das veias superficiais.
Existem dois troncos linfáticos: o ducto torácico e o ducto linfático direito. Vejamos a seguir cada um deles:
Ducto torácico: É o maior vaso linfático do corpo. Inicia-se ventralmente próximo àa segunda vértebra lombar, seguindo cranialmente pelo hiato aórtico, e em T5 curva-se para a esquerda no esôfago torácico, passando posteriormente por este órgão e alcançando então a junção subclavicular esquerda. Esta região também é conhecida como terminus.
Ducto linfático direito: É formado pelos troncos jugular direito, subclávio direito e broncomediastinal direito e desemboca na junção subclavicular direita.
Entendendo os linfonodos
No trajeto linfático, existem grupos compactos de linfócitos encapsulados que possuem um formato arredondado parecido com um caroço de feijão ou um rim. Um adulto possui cerca de 500 a 600 linfonodos. A maior parte deles localiza-se no tecido conjuntivo frouxo. A função dos linfonodos é realizar a filtragem da linfa. Nos linfonodos também acontece a ativação e liberação dos linfócitos T, que são células de defesa imunológica do corpo.
Linfa
Quando o líquido intersticial passa para dentro dos capilares linfáticos, ele recebe o nome de linfa. Circulam no organismo humano cerca de dois a três litros de linfa por dia, podendo chegar até 20 litros, dependendo da necessidade do corpo.
Linfa
Significa água clara e cristalina. Sua composição é de 96% de água e 4% de uma mistura de sódio, potássio, cloreto, dióxido de carbono, glicose, enzimas etc.
Funções do sistema linfático
As principais funções do sistema linfático são: agir como defesa contra substâncias nocivas (defesa imunológica) e a retirar macromoléculas do interstício (função de drenagem).
Vias do sistema linfático
O sistema linfático possui um fluxo unidirecional com o objetivo de drenar o excesso de líquido que fica no interstício celular. Toda linfa deságua no sistema venoso. Para garantir que isso aconteça, os vasos linfáticos possuem filamentos de ancoragem que impedem o refluxo da linfa, garantindo que este conteúdo retorne para o sistema venoso.
Verificando o aprendizado
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MÓDULO 2
Reconhecer os tipos de edema e as principais patologias do sistema linfático
Após conhecer as estruturas do sistema linfático e seu funcionamento, vamos descobrir o que ocorre quando este sistema não funciona adequadamente. Neste módulo, vamos aprender quando acontece a formação de um edema, como identificar e classificar seus diferentes tipos, estágios de desenvolvimento e as diferenças entre um edema e um linfedema.
Como entendemos no módulo anterior, o sistema linfático possui funções de defesa imunológica e filtragem de líquidos. A drenagem dos líquidos é realizada através da dinâmica dos fluidos que envolve duas pressões: a pressão hidrostática e a pressão oncótica.
Pressão hidrostática
Pressão responsável pela filtragem dos líquidos, permitindo a passagem do líquido do sistema arterial para o espaço intersticial.
Pressão oncótica ou osmótica
Pressão responsável pela reabsorção dos líquidos, permitindo a passagem do líquido do espaço intersticial para o sistema venoso e linfático.
O que é um edema?
Entenda como a dinâmica dos fluidos funciona: quando uma destas pressões (hidrostática ou oncótica) não funciona corretamente dentro do corpo humano, o organismo sai do seu estado de homeostase (equilíbrio) e passa a acumular o excesso de líquido, gerando o que chamamos de edema.
O edema é um acúmulo patológico de líquidos, o resultado de um desequilíbrio que modifica os contornos corporais, podendo surgir em todo o corpo (edema generalizado) ou em partes (edema localizado), e pode se apresentar unilateralmente ou bilateralmente, podendo também ser simétrico ou assimétrico.
Os tecidos se enchem de líquido, a pressão aumenta e a pele se distende gerando um aumento do volume.
Tipos de edema
Existem edemas que aparecem ao final de um dia de trabalho, como pés e pernas inchados após muitas horas em pé. Outros surgem após um trauma na região do corpo, além dos edemas que são comuns em gestantes.
Comentário
Você deve estar se perguntando se todos os edemas têm a mesma causa e características clínicas. A resposta é: existem diversos tipos de edema. Por isso, o profissional de estética deverá aprender a realizar uma anamnese correta e completa, correlacionando o histórico de vida de cada paciente aos sinais clínicos e reclamações apresentadas.
Vamos aprender sobre como realizar a avaliação de um edema:
Edema vascular
O edema de origem vascular acontece pelo aumento da pressão hidrostática ou diminuição da pressão oncótica.
Edema linfático
O edema de origem linfática acontece por um defeito ou sobrecarga no sistema linfático.
Linfedemas
É o acúmulo de líquidos como resultado da redução da capacidade de transporte linfático por causa de lesões nos vasos linfáticos ou linfonodos.
Existem dois tipos de linfedema: primário e secundário. Veja a diferença deles:
Ocorre quando surge uma lesão congênita do sistema linfático. Corresponde a 34% de todos os linfedemas encontrados em pacientes, e estes indivíduos já nascem com uma pré-disposição genética para uma lesão no sistema linfático.
Embora seja uma doença congênita ela só se manifesta ao nascimento em 3% dos casos. Os outros 97% ocorrem ao longo da vida (durante o sexto ano de vida, durante a puberdade ou durante o período de gravidez). São raras as situações do linfedema que se manifestam em idosos.
Conheça as causas anatômicas do linfedema primário:
● Hiperplasia
Neste caso, o indivíduo tem uma redução do desenvolvimento dos vasos linfáticos, que podem ser muito estreitos ou em número reduzido.
● Linfangiectasia
Acontece uma dilatação nos vasos linfáticos, que resulta na insuficiência valvular, uma vez que o linfangion não consegue mais se fechar.
● Fibrose primária dos linfonodos
Há uma falsa disposição dos linfonodos por ausência do amadurecimento embrionário, com as correspondentes limitações do fluxo linfático que são normais.
Surge quando o principal conjunto de vasos linfáticos e seus respectivos linfonodos estão consideravelmente danificados, ou seja, o linfedema secundário é uma lesão do sistema linfático adquirida. Corresponde a 66% de todos os linfedemas. Geralmente, estes linfedemas estão condicionados às seguintes causas: após algum tipo de cirurgia, após radioterapia, após traumas, após infecções, linfedema pós-inflamatório, linfedema por filariores (parasitas), tumor maligno ou metástase.
Sintomas de pacientes com linfedemas
● Edema indolor que começa nas mãos ou nos pés e progride em direção ao tronco.
● Sensação de braços ou pernas pesados.
● O uso de anéis, relógios e roupas torna-se difícil, ficando estes muito apertados.
● Pele lisa ou brilhante.
● Marcas ou espessamento da pele quando pressionada.
● Hiperqueratose. (quantidade anormal de queratina)
● Pele com aspecto de casca de laranja.
● Verrugosidades ou pequenas bolhas.
Estágios
Os linfedemas são classificados por estágios:
Estágio 1
Linfedema geralmente reversível espontaneamente ou por terapia.
Estágio 2
Linfedema com complicações leves. Apresenta sinal de Stemmer positivo e alterações teciduais leves.
Estágio 3
Linfedema com complicações graves, sinal de Stemmer positivo e alterações cutâneas presentes, tais como: úlceras, erisipelas, eczemas, fístulas e micoses, verrugas e bolhas.
Atenção
O sinal de Stemmer será explicado ainda neste módulo, na parte sobre a avaliação do edema.
Ainda não existe cura para o linfedema, mas, com o tratamento adequado, este se estabiliza. Se não for tratado, haverá a piora do quadro e dos sintomas do paciente. Uma das técnicas para o tratamento desta doença é a drenagem linfática manual, mas este serviço deve ser realizado com o tratamento clínico e indicação médica.
Diagnóstico do edema
A avaliação de edema de membros superiores é mais simples que a dos membros inferiores, uma vez que em MMII (membros inferiores) é mais comum aparecer edema e frequentemente acontece a combinação de mais de um tipo de edema. Entretanto, na maioria dos casos, conseguimos diagnosticar um edema por meio de uma boa anamnese e exame físico.
Como podemos avaliar um edema?
● Anamnese geral
Nesta etapa, você deverá perguntar ao cliente sobre os seus sintomas, queixas e histórico familiar de doenças preexistentes. Se existe alguém da família com este tipo de edema, questione também sobre como surgiu o problema, o desenvolvimento da extensão do edema, se a pessoa já fez ou faz algum tratamento e se faz uso de algum medicamento. Anote todos estes dados na ficha de anamnese. Lembre-se de que, no caso da anamnese, quanto mais informações, mais completa ela será, evitando possíveis erros de diagnóstico.
● Inspeção
A inspeção de pacientes com edema de membros superiores deverá ser realizada com o paciente sentado, e na inspeção de membros inferiores o paciente deverá ficar em pé. A região edemaciada deverá ser inspecionada em toda a sua dimensão. O profissional deverá anotar a coloração da pele e as lesões de pele, se houver, como por exemplo: cicatrizes, rugas, úlcera, tumor e outros.
● Exame físico
Aqui, haverá a etapa da palpação, o edema deverá ser tocado para se verificar sua extensão, depressão, volume e se o paciente sente dor ao ser tocado.
Medições da circunferência
Com o uso de fita métrica, o terapeuta realizará as medições dos pontos anatômicos onde o edema está localizado.
Determina-se a linha dos cotovelos como o ponto inicial das medidas no braço. Neste momento, transformarmos o braço do paciente num plano cartesiano (2 retas que possuem apenas um ponto em comum, formando um ângulo de 90°) em que a linha dos cotovelos é o ponto zero. As medidas superiores a esse ponto são determinadas como positivas e as medidas inferiores são determinadas como negativas. Se então desejamos mensurar os pontos a 5 cm e a 10 cm acima dos cotovelos, esses pontos serão descritos na ficha de avaliação como + 5 cm e + 10 cm, respectivamente. Caso a medida a ser realizada esteja a 5 cm abaixo dos cotovelos, por exemplo, esse ponto será descrito na ficha de anamnese como −5 cm.
Determina-se a região superior da patela como o ponto inicial das medidas de membros inferiores. Neste momento, transformamos os membros inferiores num plano cartesiano (2 retas que possuem apenas um ponto em comum, formando um ângulo de 90°) em que a região superior da patela é o ponto zero. Todas as medidas superiores a esse ponto são determinadas como positivas e as medidas inferiores como negativas. Se então desejamos mensurar os pontos a 5 cm e a 10 cm acima da região superior da patela, esses pontos serão descritos na ficha de avaliação como + 5 cm e + 10 cm, respectivamente. Caso a medida a ser realizada esteja a 5 cm abaixo da patela, por exemplo, esse ponto será descrito na ficha de anamnese como −5 cm.
Os exames laboratoriais que identificam as deficiências do sistema linfático são: linfocintilografia, xerografia, microlinfangiografia fluorescente, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e teste azul patente.
Sinal de Stemmer
Trata-se de um teste para identificar um linfedema. O profissional de estética deverá puxar uma prega da pele para cima e se esse ato se mostrar dificultado ou impossível, trata-se de um "sinal de Stemmer positivo".
Sinal de cacifo
Este sinal é realizado para avaliar um edema. O profissional de estética faz uma pressão digital sobre a pele por, pelo menos, cinco segundos. É considerado cacifo positivo se a depressão formada não se desfizer imediatamente após a descompressão (após a retirada da pressão digital).
Entendendo as diferenças entre edema e linfedema
O edema é o acúmulo anormal de líquidos nos espaços intercelulares ou em cavidades do organismo. Macroscopicamente, o edema apresenta um aumento de volume dos tecidos, que durante a palpação cedem facilmente à digito pressão, dando origem a uma depressão que rapidamente desaparece.
Já o linfedema é uma doença causada por insuficiência do sistema linfático.
O sistema linfático das pessoas com linfedema possui uma disfunção, perdendo sua capacidade de escoamento por destruição ou obstrução da via linfática em algum ponto do trajeto linfático, ocasionando em estagnação da linfa no vaso, o que resulta em um edema crônico, rico em proteínas de alto peso molecular. (ULRICH, 2006)
Outros tipos de edemas fisiológicos com armazenamento de líquidos
Existem edemas que se manifestam fisiologicamente, porém não necessitam de tratamento e são fundamentalmente reversíveis.
Assista ao vídeo em que a especialista Priscila de Oliveira explica como acontece a formação do edema. Ela também explica as diferenças entre edema venoso e linfático e como realizar a inspeção e palpação.
A AVALIAÇÃO DO EDEMA
Conhecendo as principais patologias que acometem o sistema linfático
São elas: lipoedema, linfoma, linfadenite, linfagite, filariose linfática ou elefantíase, linfangioma, linfangiossarcoma.
É uma predisposição genética, causada pelo aumento exagerado do tecido adiposo nos membros, de formato simétrico, causando dores nas mulheres. A origem do lipoedema é uma combinação de permeabilidade capilar elevada e compressão mecânica das pequenas veias e dos vasos linfáticos, em decorrência do aumento do volume das células adiposas. Quando realizamos uma plicatura manual nestes pacientes estes referem dor à palpação, além de possuírem tendência a ter hematomas por traumas leves na pele.
O lipoedema pode ser dividido nos seguintes estágios:
● Estágio I
Apresenta pele em casca de laranja com nódulos finos na superfície.
● Estágio II
Pele com aspecto de colchão com nódulos grosseiros na superfície.
● Estágio III
Nódulos grosseiros e deformados
Observe na figura a seguir os estágios de um lipoedema de membros inferiores.
O linfoma é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático. Lembremos que o sistema linfático produz as células responsáveis pela imunidade. Este câncer tem a característica de se espalhar de forma ordenada, de uma cadeia de linfonodos para outro grupo. A doença começa quando um linfócito (célula de defesa do corpo), se transforma em uma célula maligna, com capacidade de multiplicar-se descontroladamente e se espalhar pelo corpo.
A célula maligna começa a produzir nos linfonodos cópias idênticas, formando mais células malignas. Com o passar do tempo, essas células malignas podem se disseminar para tecidos próximos, e quando não tratados, se espalham para outras partes do corpo. A doença origina-se com maior frequência na região do pescoço e na região do tórax denominada mediastino.
A doença pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). Os homens têm maior tendência para o aparecimento do linfoma de Hodgkin do que as mulheres (INCA, 2020).
Os sinais clínicos do linfoma incluem normalmente:
● Tosse e dificuldade para respirar.
● Aumento de linfonodo(s), geralmente na região do pescoço, axilar ou inguinal.
● Febre.
● Fraqueza progressiva.
● Sudorese noturna.
● Perda de peso.
● Dor no tórax ou abdome.
● Aumento abdominal.
Com os avanços da medicina, os pacientes com linfoma de Hodgkin podem ser curados com o tratamento disponível atualmente.
É uma infecção aguda bacteriana (geralmente, causada por estreptococos, uma bactéria) dos canais linfáticos periféricos. A linfangite acontece quando bactérias e vírus entram nas vias linfáticas. Na inspeção é possível ver trajetos linfáticos avermelhados, sensíveis, irregulares e quentes que se desenvolvem na extremidade, estendendo-se em direção aos linfonodos da região acometida, que estão aumentados de tamanho e sensíveis.
Manifestações sistêmicas comuns aparecem: febre, taquicardia, crises de calafrios, cefaleia etc. Podem ocorrer e ser mais intensas do que demonstram os achados cutâneos.
Atenção: Observe nas imagens que é possível visualizar hiperemia no trajeto do sistema linfático. Se aparecer algum paciente com lesões iguais às das fotografias anteriores, não faça nenhum procedimento estético e encaminhe-o ao médico.
De acordo com o Ministério da Saúde, a filariose linfática (elefantíase) é uma doença causada pela contaminação parasitária, a elefantíase. Se não tratada, pode causar problemas graves e sequelas irreversíveis. Ela é provocada pelos parasitas Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori, sendo transmitida pelo mosquito contaminado.
As larvas obstruem vasos linfáticos, causando inflamações, quadros de linfangite e até mesmo erisipela. Se não forem tratadas, podem se repetir várias vezes até levar a uma lesão definitiva do vaso linfático, provocando edemas crônicos.
No Brasil, a elefantíase tem mais ocorrência nos estados de Pernambuco e Alagoas, ou seja, ele se manifesta em locais mais quentes.
Concluindo, a melhor forma de prevenção é o combate tanto ao vetor, o mosquito, quanto às suas larvas com a utilização de inseticidas e saneamento básico. Assim que forem percebidos os sintomas da filariose, um médico deve ser consultado. Esta é uma doença grave que necessita de tratamento clínico e medicamentoso para evitar a evolução da doença.
É uma má-formação da rede vascular linfática que resulta em um tumor benigno. Pode ocorrer em qualquer órgão ou tecido, com maior incidência na região cervical, axila, mediastino, região inguinal e retroperitônio. Pode causar deformidades, disfagia (dificuldade de engolir), disartria (fala arrastada), disfonia (dificuldade de produção da voz) e favorecer infecções recorrentes. É mais comumente observada em indivíduos do sexo masculino.
Apresenta-se como tumoração, normalmente assintomática. Necessita de tratamento clínico.
Corresponde a um tumor maligno raro, que ocorre em casos de linfedema crônico, sendo primário ou secundário. Pode acometer qualquer uma das extremidades, sendo mais comum em membros superiores.
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Conclusão
Considerações Finais
Após conhecer as estruturas, fisiologia, tipos de edemas e as doenças que acometem o sistema linfático, ficará clara a importância de realizar uma anamnese detalhada.
Como nem todas as doenças são de atuação do esteticista, descrevemos em detalhes as doenças que acometem o sistema linfático, a fim de realizar um diagnóstico estético adequado ou realizar o encaminhamento ao profissional habilitado, neste caso, o médico.
Assim, algumas patologias necessitarão de liberação médica por escrito, por isso a importância de realizar um trabalho multiprofissional, é importante respeitar os limites da atuação do profissional de estética para garantir ética e segurança do paciente.
Podcast
CONQUISTAS
Você atingiu os seguintes objetivos:
Compreendeu a estrutura, a fisiologia e a anatomia do sistema linfático
Reconheceu os tipos de edema e as principais patologias do sistema linfático