Descrição

O entendimento do roteiro audiovisual e sua construção como instrumento contador da história fílmica, bem como os princípios da criação de personagens e composição de personalidade.

PROPÓSITO

Compreender os fundamentos para a construção de personagens e do roteiro fílmico, além dos diferentes formatos de programas, é de suma importância para o futuro roteirista, que encontrará diversas áreas de atuação enquanto escritor, facilitando assim o desenvolvimento das competências necessárias para a criação de roteiros.

Preparação

Ao longo deste conteúdo, a palavra “filme” poderá ser empregada no sentido de filme cinematográfico, bem como qualquer objeto fílmico.

OBJETIVOS

Módulo 1

Relacionar os arquétipos de personalidade e as relações de protagonismo e antagonismo na composição de personagens

Módulo 2

Determinar a importância de contar histórias imersivas e do storytelling

Módulo 3

Identificar os fundamentos e elementos do roteiro fílmico

Módulo 4

Reconhecer os diferentes tipos de roteiro de acordo com os formatos para os quais são escritos

Introdução

Neste tema, aprenderemos sobre a construção do personagem, utilizando de características psicológicas, arquétipos, mecanismos de identificação com os espectadores, determinação de protagonistas e antagonistas.

Esclareceremos as diferenças entre estrutura e formato de roteiros, abordando as principais ferramentas utilizadas na construção da estória para os mais variados tipos de programas, bem como o desenvolvimento da estrutura narrativa e as diferenças mais importantes entre os roteiros para cinema, TV, web, documentário e games.

Abordaremos também a utilização do storytelling enquanto ferramenta para contar histórias imersíveis.

Estória

História – palavra usada para descrever fatos e narrativas reais, enquanto ciência.

Estória – palavra usada para descrever fatos e narrativas ficcionais.

MÓDULO 1


Relacionar os arquétipos de personalidade e as relações de protagonismo e antagonismo na composição de personagens

Arquétipos

A criação de um personagem é um dos aspectos mais importantes do trabalho do roteirista. O personagem principal é o foco do roteiro e da história, é com base em suas ações e falas que toda a trama é desenvolvida e a partir daí movida para o clímax e resolução do conflito proposto.

Os personagens precisam possuir estruturas psicológicas, manias e características que os tornem únicos, como cada ser humano, mas o roteirista deve sempre se atentar ao fato de que personagens não são seres humanos. Nas palavras de McKee (2006):

Um personagem é tão humano quanto Vênus de Milo é uma mulher de verdade. Um personagem é uma obra de arte, uma metáfora para a natureza humana. Relacionamo-nos com os personagens como se fossem reais, mas eles são superiores à realidade. Seus aspectos são feitos para serem claros e reconhecíveis; ao mesmo tempo, os humanos são difíceis de serem compreendidos, se não enigmáticos. Conhecemos os personagens melhor do que nossos amigos, pois um personagem é eterno e constante, enquanto as pessoas mudam – quando pensamos tê-las finalmente entendido, descobrimos que não estamos nem perto disso. De fato, eu conheço o Rick Blaine de Casablanca melhor do que conheço a mim mesmo. Rick é sempre Rick. Comigo já não é bem assim.

(MCKEE, 2006)

Para facilitar a criação de personagens e definir melhor suas complexidades, bem como ajudar escolha de suas ações, os escritores utilizam de arquétipos.

Mas o que são arquétipos? Arquétipo é uma palavra derivada do grego que significa primeiro modelo ou impressão de algo.

Os arquétipos podem ser utilizados em diversas áreas, desde a Psicologia até a Publicidade, passando, é claro, pela criação de histórias e personagens. Para Carl Jung, a definição de arquétipo é: resíduo psíquico de inumeráveis experiências do mesmo tipo. Ou seja, fazem parte do inconsciente coletivo da sociedade, por serem extremamente familiares. Jung em seus estudos propõe a divisão em doze arquétipos de personalidade, que podem ser utilizados na criação dos mais diversos personagens, como veremos a seguir:

Carl Jung

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica e um dos pais da psicanálise, junto de Sigmund Freud.

Para conhecer mais sobre os arquétipos apresentados por Jung, veja o quadro a seguir, onde você conhecerá as principais características de cada um dos arquétipos, bem como verá exemplos de personagens conhecidos, que facilitarão o reconhecimento de tais características.

Passe o mouse nas imagens para conhecer cada característica. Clique nas informações a seguir.

Os arquétipos não determinam heróis e vilões, mocinhos e bandidos; é altamente possível que os vilões possuam arquétipos tipicamente vistos em mocinhos e vice-versa.

Atenção

A utilização desses grupos de características serve para guiar o escritor pelo processo de criação do personagem, contudo, tenha em mente que, por mais que um personagem seja criado com base no arquétipo do herói, não significa que ele não poderá possuir características de outros arquétipos, afinal, os personagens precisam possuir camadas, dessa forma, a identificação com o espectador será cada vez maior. Pense sobre seus personagens favoritos e perceba que cada um deles se encaixa em mais de um arquétipo, mesmo que tenha um como o principal.

A composição do personagem

Você sabia que existem muitos personagens criados para filmes que sequer ganham vida? O que isso quer dizer? É simples, durante a criação da estória, o roteirista pode criar personagens que servem de apoio para o personagem principal, mas que muitas das vezes não são realmente importantes, seja por aparecerem apenas em poucas cenas ou por não possuírem a necessidade ou carga dramática necessária para justificar sua estadia na estória/roteiro. 

Existem alguns pontos a serem observados antes de iniciar a criação do personagem:

  • Motivação.
  • Objetivos.
  • Seus pontos fortes e fracos.
  • Sua personalidade.

É com base nesses pontos que podemos desenvolver os personagens e as transposições necessárias para que ele possa evoluir e se tornar o herói da história. Syd Field (2001), afirma que o roteirista deve criar o personagem principal e determinar duas categorias básicas: o interior e o exterior.

A vida interior de seu personagem acontece a partir do nascimento até o momento em que o filme começa. É um processo que forma o personagem. A vida exterior do seu personagem acontece desde o momento em que o filme começa até a conclusão da história. É um processo que revela o personagem.

(FIELD, 2001)

Observe o esquema proposto pelo autor:

Durante o processo de criação de personagem, deve-se considerar não apenas o que estará em tela, como também todo o seu background: a vida pregressa é importante, por mais que não faça parte da vida mostrada. Mas, afinal, qual é motivo de sua importância? Para responder a essa pergunta, é necessário pensar além do filme.

Dica

Imagine que você e seu melhor amigo estão diante de uma situação-limite, algo que poderá mudar tudo de modo irremediável. As decisões que vocês tomarem serão feitas de acordo com suas experiências passadas, independentemente delas estarem ou não ligadas à situação que precisa ser resolvida.

O mesmo acontece com seu o personagem, foi o passado que o moldou para ser quem ele é atualmente, o que foi narrado em tela é apenas um reflexo de todo o passado e experiências vividas até aquele momento.

Outro ponto importante ao criar um personagem são suas características, que devem ser descritas; contudo, essa descrição servirá apenas ao roteirista, ao diretor, ao ator e aos demais membros da equipe, já que o público não terá acesso a essas informações. 

Em outras palavras, se você diz que o personagem é maníaco por limpeza, isso só será válido se ele aparecer em diversas cenas limpando coisas que não precisam ser limpas ou em fazendo isso em momentos inoportunos. 

Para esclarecer mais esse tópico, veja um exemplo de característica subjetiva: quando a descrição do personagem informa que ele é um romântico, o roteirista deve descrever ações em cenas que demonstrem o romantismo do personagem. Essa regra serve para todas as demais características. 

Ainda falando sobre o design dos personagens, Robert McKee (2006) determina que o escritor precisa pensar no personagem de duas formas, a caracterização e o verdadeiro personagem.

Definição Características
Caracterização É o somatório dos aspectos observáveis dos personagens, aquilo que os torna únicos. • Aparência Física
• Maneirismos
• Estilos de fala e gesticulação
• Sexualidade
• Idade
• QI
• Profissão
• Personalidade
• Atitudes
• Valores
• Dados geográficos e familiares
Verdadeiro Personagem É a essência do personagem, quem ele é diante de uma situação complexa e delicada, como ele age sob pressão. • Metas e objetivos
• Motivações reais
• Características ideológicas (lealdade x deslealdade; honestidade x mentira; coragem x covardia; generosidade x egoísmo etc.)

Com base na história e no design, todo personagem deve ser multidimensional, mas o que isso quer dizer? A dimensão do personagem se dá pela quantidade de contradições que ele é capaz de ter. De modo mais simples, a dimensão é a relação paradoxal entre as atitudes do personagem.

Usaremos Hamlet, de William Shakespeare, como exemplo:


Analisando algumas das ações de Hamlet, é possível notar as contradições, e consequentemente suas dimensões. São essas dimensões que atraem o púbico. Analise os personagens das séries ou filmes que você mais gosta e perceberá que aqueles pelos quais você mais possui interesse são os mais antagônicos, os que demonstram maiores contradições.

Veja mais um exemplo, na sexta temporada da série de fantasia sobrenatural da emissora norte americana CW, The Vampire Diaries, em que somos apresentados ao novo vilão da série, Kai Parker.

Kai é um personagem altamente complexo, com a capacidade de parecer normal, porém ele pode ser divertido e obsessivo com uma mistura de uma angústia adolescente. Essas características ficam visíveis durante suas ações: em determinados momentos, ele age como uma pessoa boa e normal, apenas para no momento seguinte causar caos e destruição.

Dica

Quanto mais contradição e camadas um personagem possui, maior será a chance de seu público gostar dele. Isso se dá pela identificação com o personagem, somos humanos e contraditórios. Se nossos personagens fossem extremamente perfeitos, não haveria como nos relacionarmos e criar laços afetivos, que são tão importantes para a sobrevivência de um objeto fílmico na indústria audiovisual.

Protagonista e antagonista

Uma vez estabelecidos os elementos necessários para a criação personagens, é chegada a hora de entender as duas principais figuras da estória: o protagonista e o antagonista. Toda história precisa ser determinada pelo embate, seja o bem e o mal, a luz e as trevas, a revolução contra o sistema, ou qualquer outro embate que permeia o imaginário e a realidade humana. É esse embate que fará todo o desenvolvimento da trama.

Para Robert McKee (2006), quanto mais poderosas e complexas forem as forças do antagonismo que se opõem ao personagem, mais ele e a estória devem ser desenvolvidos. Note que não se deve confundir forças do antagonismo com o personagem antagonista ou o vilão propriamente dito.

A força do antagonismo é tudo aquilo que se opõe ao protagonista ou ao seu objetivo, fazendo com que o personagem principal tenha que transpor do problema para atingir tal objetivo. Contudo, é interessante se ater ao fato de que protagonista e antagonista não simbolizam herói e vilão.

Por definição, o protagonista sempre será o personagem principal da narrativa, ele pode ser tanto a pessoa de boa índole, quanto aquele personagem ruim e perverso.

Na tabela seguinte, veremos alguns protagonistas, sejam eles heróis ou vilões.

Atenção

Atente-se ao fato de que na coluna PRODUTO estarão séries e filmes.

HERÓIS VILÕES
PERSONAGEM PRODUTO PERSONAGEM PRODUTO
Meredith Grey Grey’s Anatomy Capitão Pátria The Boys
Alice Alice Através do Espelho Norman Bates Psicose/Bates Motel
Thor Vingadores: Guerra Civil Klaus Mikaelson The Originals
Shaun Murphy The Good Doctor Coringa Joker (2019)
Jane Doe e Kurt Weller Blindspot Philip Morgan e Brandon Shaw Festim Diabólico
Lucifer Morningstar Lucifer Jack Torrance O Iluminado
Geralt de Rivia The Witcher Kevin Precisamos falar sobre o Kevin

O principal motivo para a seleção de alguns desses personagens é quebrar o paradigma de que todo protagonista deve ser considerado o herói da história e todo antagonista, o vilão. Em The Boys, por exemplo, o Capitão Pátria é um dos personagens principais, sendo o principal de seu núcleo, Os Sete, tendo como seu antagonista Billy “Bruto” Butcher. Contudo, ao analisarmos o núcleo de Os Caras, Billy Bruto é o protagonista e o Capitão Pátria, o antagonista.

Os Sete

Os Sete são o grupo de elite de super-heróis que trabalham para a empresa privada Vought International.

Os Caras

Os Caras são um grupo de humanos que sabem que os super-heróis possuem condutas escusas, demonstrando motivações egoístas, que muitas vezes contradizem a aparente preocupação com o bem da humanidade.

Os protagonistas possuem a característica de serem os personagens principais e moverem as tramas, mesmo que em determinadas ocasiões se tornem antagonistas de outros personagens. Mas afinal de contas o que é o antagonista? A definição de antagonista é aquilo ou quem age em sentido oposto, o opositor.

Na criação de personagem não é diferente. Enquanto o personagem principal tem como função atingir seu objetivo, o antagonista tem como papel se opor a esse objetivo e de alguma forma impedir o personagem principal de ter êxito.

Muitas das vezes o antagonista também não será um vilão propriamente dito ou alguém que queira ver o personagem principal em uma situação ruim. Em How I Meet Your Mother, o personagem vivido por Neil Patrick Harris, Barney Stinson, é por diversas vezes o antagonista dos objetivos de Teb Mosby, interpretado por Josh Radnor. Na trama de Carter Bays e Craig Thomas, Ted busca encontrar sua alma gêmea, porém, Barney tenta várias vezes impedir o amigo de ter um relacionamento sério com alguém.

Na construção de personagens, é importante notar que, assim como na vida real, existem ações antagônicas aos nossos objetos, contudo, numa história, tudo o que não é humanamente tangível deve ser convertido em um personagem que possua carga dramática.

Atividade

Imagine que você precise resolver assuntos junto a um órgão público, porém é impedido devido à quantidade absurda de processos burocráticos. Essa é uma situação comum e que acontece com todo mundo, mas como retratar essa história no filme, em que não existe tempo para explicar e demonstrar toda a burocracia exigida para resolução do problema?

Uma vez determinados os protagonistas e antagonistas da estória, faz-se necessário desenvolver a jornada do personagem principal e, para isso, é utilizada a Jornada do Herói, um conceito criado em 1949 por Joseph Campbell em seu livro Herói de Mil Faces.

No vídeo a seguir, o especialista Pedro Salomão, mestre em Educação, professor de roteiro e roteirista, explica os doze passos para desenvolver a Jornada do Herói, utilizados na construção dos protagonistas e seus arcos narrativos. Vamos assistir!

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MÓDULO 2


Determinar a importância de contar histórias imersivas e do storytelling

Como contar histórias imersivas?

Para se contar boas estórias ou histórias, é preciso seguir regras que facilitem não apenas a construção da obra, como também do desenvolvimento emocional com o público. Quando nos referimos a narrações, sejam elas midiáticas ou editoriais, é necessário que se conheçam as estruturas presentes nas construções dos personagens, dos mecanismos e artifícios narrativos.

Atenção

Para além desses conhecimentos e da diferença entre os tipos de roteiros existentes, o escritor precisa estar atento à estrutura da história. De nada adianta criar o melhor personagem, estabelecer os melhores artifícios de roteiro e elaborar o roteiro com maestria se sua história não possui uma boa trama. É com base na trama que sua narração será desenvolvida e com ela, seus personagens.

A construção de uma história imersiva é o conjunto de todos os elementos estudados ao longo deste tema, somando a eles a própria trama, também conhecida como plot, os pontos de viradas (plot points) e o plot twist.

Vamos conhecer os três tipos de trama existentes:

Clique nas barras para ver as informações. Objeto com interação.
Trama

Trama ou plot é a história central do filme, a base de sustentação da história, o eixo principal que guia todos os personagens desde o início até o último minuto de exibição. É aqui que os personagens principais se encontram e fazem a "vida" andar.

Cada beat, ação e fala devem ser pensados para fazer a trama se desenvolver. O papel do roteirista é construir tais beats, ações e falas de modo a tornar a história concisa e coerente com a realidade proposta no objeto fílmico.

Subtrama

As subtramas são acontecimentos secundários que dão força e fôlego para a trama principal. Geralmente, as subtramas ou tramas secundárias servem de apoio ao protagonista/antagonista, mostrando como os eventos da trama principal o estão modificando ao longo do percurso.

Em séries e novelas as subtramas são usadas de duas formas, como miniarcos que andam em paralelo com a trama principal dos personagens; e como tramas de personagens secundários. Em ambos os casos, a subtrama tem o intuito de levar a trama principal adiante.

Trama paralela

A trama paralela ou trama cifrada é um tipo de trama que não está presente em todos os filmes, já que é uma construção difícil e trabalhosa. Em definição, são aquelas que vão evoluindo junto da trama e das subtramas, até que no clímax se unem formando uma trama única.

A trama paralela é sutilmente pontuada no decorrer da história e por muitas vezes passa despercebida, já que seus pontos são bem específicos e camuflados. Um bom exemplo de filme com trama paralela é O Diabo Veste Prada (2006), em que é possível perceber que ao longo do filme há pequenos indícios da demissão de Miranda Priestly do cargo de editora-chefe da revista Runway.

No vídeo a seguir, os especialistas Pedro Salomão e Gian Kauffman comentam sobre os três tipos de trama existentes, trazendo exemplos de filmes e séries conhecidas. Vamos assistir!

Plot points

Em uma definição direta, plot points ou pontos de virada são: mudanças do curso dramático, que apresentam novos obstáculos ou resoluções para o protagonista. Para Syd Field (2001), os filmes devem possuir, pelo menos, dois pontos de virada: o primeiro no final do Ato I e o segundo no final do Ato II, onde: 

O primeiro será a introdução dos obstáculos que manterão o Ato II em pé; o segundo é a resolução do conflito, acontecendo no clímax da história. 

O roteirista pode colocar até quinze pontos de virada, que farão a história se mover em diversas direções. O escritor ainda precisa ter em mente que, para contar uma história bem amarrada, é necessário ter quatro pontos bem definidos: o início e o fim, bem como os plot points dos atos I e II; saber os lugares em que começa e termina a história é fundamental para não se perder no caminho, e esses pontos de virada são meios de manter a história de pé.

Plot twist

Segundo o Filmmakers’s Dictionary, o plot twist é uma mudança radical na direção esperada do enredo, que causa surpresa e mantém o público preso à obra cinematográfica. Em outras palavras, o plot twist é um acontecimento que quebra a expectativa do público, levando a história a uma nova direção. 

No cinema, os twists são usados geralmente no final do filme, quando se cria a quebra da expectativa para um ato ou personagem do filme. Já na televisão, tanto em séries quanto em novelas, os twists são usados para manter os telespectadores interessados na obra, sendo usado como gancho para os episódios ou temporadas seguintes. 

Como alguns exemplos, podemos citar:

Clique nas informações a seguir. Clique nas informações a seguir.
This is Us

Série da NBC, seu grande plot twist ocorre no final do primeiro episódio, quando é revelado que Jack Pearson adotou o bebê Randall, ligando assim as histórias dos protagonistas que até então, aparentemente, não possuíam ligação.

O Sexto Sentido

Filme com Bruce Willis, ao longo da narrativa vemos a interação entre o personagem de Willis com Cole Sear para, no final, descobrirmos que o personagem interpretado por Bruce Willis está morto e é um fantasma.

Pay offs

Pay offs, também conhecidos como pistas e recompensas, é um termo utilizado na construção da história, quando em determinados momentos são plantadas pistas sobre acontecimentos e com o decorrer a história os espectadores são recompensados com a descoberta do acontecimento.

Para ficar mais fácil, imagine que em determinada série ocorre o assassinato de um personagem, sem que vejamos o assassino. Ao longo dos episódios, serão dadas pistas de quem foi o assassino, dessa forma o público tentará identificar quem é o culpado pelo crime. Apenas no final da temporada ou do arco será revelado o assassino.

A utilização dos pay offs promovem engajamento e imersão do público, já que gera a curiosidade dos espectadores.

Storytelling como parte de um conteúdo

Acredito que você já deva ter ouvindo falar no termo storytelling, mas sabe o que significa? Essa é uma palavra inglesa, que se for analisada teremos:

Story = História

Telling = Dizendo/Contando

Ao unir das duas palavras o resultado é “contando história”, ou seja, storytelling significa contar histórias, mas não apenas uma história qualquer. É preciso utilizar os elementos discutidos ao longo deste tema para que aquilo que está sendo contado gere identificação e engajamento com o público com que você está querendo conversar.

A construção da estória fílmica deve elencar diversos elementos, que despertarão o desejo e emoções do público, gerando assim a identificação, que é a chave para o sucesso da sua narrativa.

Veja alguns dos principais fatores do storytelling:

A jornada

Quem estiver vendo seu filme ou lendo seu roteiro deve se sentir dentro da história, de forma que durante o tempo de exibição/leitura a pessoa acredite que tudo aquilo é real.


Provoque emoções

Uma boa história fará com que o público se emocione. Seu espectador deve sentir as emoções que os personagens estão sentindo.


A identificação

Seu público deve se identificar com os personagens ou com as situações, dessa forma será criado um laço entre o mundo real o criado por você.


Ambientação, conflito e personagem

Toda narrativa precisa de um lugar em que vai se passar, seja uma cidade, uma casa, um hospital, uma floresta etc. É preciso que você explore esse ambiente ao máximo, assim como os conflitos que o personagem terá, os quais podem ser relacionados ao ambiente, ao próprio personagem ou a outros personagens; o seu papel como contador de histórias é desenvolver esses conflitos e promover a evolução do personagem.


Transmita a mensagem

A forma como você escolhe transmitir a mensagem presente em seu roteiro é de suma importância. Lembre-se de que existem mensagens que são fortes e por si só se propagam, da mesma forma que existem aquelas que são mais fracas e precisam de maior ajuda em sua transmissão.

Muito além da utilização do storytelling no entretenimento, atualmente, é possível utilizá-lo em diversas áreas. As técnicas são comumente usadas na publicidade, no jornalismo, no mundo dos negócios, na ciência, educação e até mesmo religião.

Escrever: para que e por quê?

Ao longo da existência do homo sapiens, a narração sempre esteve presente. É claro que por milhares de anos o ser humano transmitia suas histórias através da oralidade e com a evolução novos mecanismos foram sendo adicionados, desde as pinturas rupestres e símbolos em paredes e rochas até chegarmos nas próprias letras dos mais diversos alfabetos e línguas.

A História está viva, mutando minuto a minuto, e os roteiristas usam dessas mutações para desenvolver suas próprias estórias e, adivinhe, este próprio conteúdo é uma história, uma narração de como construir um roteiro.

Existe um pensamento de que todas as palavras já foram usadas e todas as histórias já foram ditas. Há verdades nessa linha de raciocínio, porém a forma como as histórias são narradas estão se reinventando a cada dia.

Atualmente, graças à internet e às tecnologias emergentes, novos padrões de atenção estão surgindo. O que parece uma transição de uma era da narrativa para outra é não só acompanhado, mas também guiado, por mudanças do comportamento do público. Esses novos padrões estão trazendo à baila novas questões.

(KALLAS, 2014)

Você deve estar se perguntando “para que e por quê?” De modo simples, para responder a essas perguntas, é preciso seguir por uma linha subjetiva, e cada um de nós, roteiristas, terá as próprias motivações para escrever.

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Para quê?

Isso pode ser respondido de diversas formas, como, por exemplo, preencher o imaginário da população com entretenimento, elucidar fatos enuviados ao longo da história, levar ao conhecimento público notícias e verdades.

Por quê?

Cada escritor tem seus motivos e suas razões para escrever, há aos que escrevem por amor à estória, os que fazem pelo reconhecimento e glamour que há na profissão e muitos outros.

Não existe uma resposta única para essas perguntas e cabe ao roteirista descobrir suas motivações e necessidades.

Entenda que, assim como em todas as áreas do audiovisual, o roteiro é imprescindível para a construção de um bom filme. O cinema é uma forma de arte coletiva, por isso é essencial que todas as áreas da produção do filme estejam em sincronia e atuem para produzir o melhor possível, pois de nada adianta um elenco de peso se o roteiro é fraco, ou ter um roteiro digno de prêmio, porém uma equipe pouco capacitada.

Dica

A prática, a capacitação e a atualização do roteirista são fundamentais para que seus trabalhos sejam lembrados. Sempre escreva. Faça aquele curta que você pensou no meio na noite, aquela série dos seus sonhos ou aquele longa-metragem que você sempre quis ver.

Ser roteirista é estar sempre em movimento, lendo e absorvendo as informações do mundo, para então transformar tudo o que está em sua mente em uma estória. Lembre-se de que a escrita é colaborativa e por isso existem as chamadas salas de roteiristas, locais em que eles se juntam para debater suas ideias sobre os roteiros que serão elaborados.

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MÓDULO 3


Identificar os fundamentos e elementos do roteiro fílmico

Para que serve um roteiro?

Antes de responder à pergunta acima, é importante ter em mente o que de fato é um roteiro cinematográfico, somente assim você conseguirá entender a real importância, não apenas do roteiro, como também de sua estrutura e escrita.

Tecnicamente falando, o roteiro é um documento divido em planos, sequências e cenas, resultante do detalhamento do argumento fílmico, seja cinematográfico ou televisivo. Essa é uma definição assertiva e correspondente à visão macro do roteiro. Ao analisarmos o texto roteirizado, destrinchando as cenas, as sequências e os planos, podemos perceber que o roteiro é o cerne da estória, contando em palavras aquilo que deve ser mostrado em tela, desde um simples olhar até o vibrar de um telefone. Toda ação que ocorre dentro do filme tem que estar descrita no roteiro, além, é claro, de possuir um motivo para estar presente.

Dica

Sid Field em seu livro Manual do Roteiro, de 2001, fala que o roteiro é uma história contada em imagens, diálogos e descrições, localizada no contexto da estrutura dramática. Field ainda define o roteiro de modo mais subjetivo, como se o próprio texto fosse a parte integrante da história e atuasse como um substantivo para o filme, já que ele é o retrato do personagem, suas ações e lugar onde o personagem está.

Agora que você já sabe o que é um roteiro, voltamos à pergunta inicial: para que serve? Como visto, o roteiro é o documento que norteia toda as ações do filme e engana-se quem pensa que seu uso está restrito apenas aos atores, para decorarem as falas e ações de seus personagens. O roteiro é utilizado por toda a equipe, desde a pré até a pós-produção do objeto fílmico.

Podemos citar exemplos do uso de roteiro nas três etapas produtivas do filme:

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Pré-produção
  • Escolha das locações.
  • Escolha da trilha e ambientação sonora.
  • Escolhas da direção de arte (paleta de cores, figurino e cenografia).
  • Escolha dos planos pela equipe de fotografia.
Produção
  • Preparação dos atores.
  • Produção da mise en scène.
  • Direcionamento para o diretor.
  • Direcionamento para os continuístas.
Pós-produção
  • Guia de montagem.
  • Escolha da Colorimetria do filme.
  • Pontos de corte e ganchos.

Mise en scène

Trata-se de expressão francesa, escreve-se mise en scène e significa, no cinema, direção artística; encenação (cf. Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 2003).

O Dicionário Eletrônico Houaiss acrescenta ainda que, em teatro, significa disposição de cenários no palco, em uma produção teatral e, por extensão de sentido, cena (fingimento, simulação), dando como exemplo “fez uma mise en scène muito convincente”. É, aliás, esse o sentido mais conhecido em Portugal.

Atenção

Tenha em mente que a utilização do roteiro vai muito além de contar a própria história, por mais que essa seja sua função principal.

Acredito que você já tenha percebido o valor e influência do roteiro em todo o filme, por isso é de suma importância que a estrutura e fluência na língua estejam presentes.

Elementos técnicos do roteiro

O roteirista deve conhecer as estruturas, a formatação e os elementos existentes no roteiro, contudo, há elementos imprescindíveis que devem ser conhecidos, bem elaborados e que fazem parte do trabalho. A seguir, veremos algumas nomenclaturas que permeiam o vocabulário de todo roteirista.

Argumento/Sinopse/Bíblia

A construção do roteiro começa antes do próprio roteiro, mas o que isso quer dizer? O roteiro é o detalhamento do argumento fílmico, também conhecido como sinopse.

Não se deve confundir o roteiro/sinopse com a sinopse comercial, pois não é revelado o final do filme. A sinopse comercial é desenvolvida com o intuito de atrair o espectador e não um possível investidor, enquanto a sinopse do filme contém todos os elementos, plots e plot twists do filme.

Argumento e sinopse causam muita confusão, principalmente para quem está começando na carreira. Há profissionais que utilizam o termo argumento para descrever toda a história do filme, bem como há aqueles que utilizam sinopse. E quando nos referimos a séries e novelas, a nomenclatura utilizada é “bíblia”, já que ali constarão todas as informações dos personagens e estórias.

Atenção

A sinopse ou argumento deve conter cada detalhe da história e, acima de tudo, o seu final. É importante dizer quem vive, quem morre e quem conta a estória. Esse documento é o que vai gerar a escaleta e posteriormente o roteiro, por isso já deve ser escrito utilizando o tempo verbal correto, que é o tempo presente. Todas as ações de um roteiro estão acontecendo no presente, mesmo que seja um flashback ou flashfoward.

Tagline e Logline

Uma vez que o argumento esteja pronto, é hora de trabalhar a história em suas versões resumidas. Ambas possuem cunho comercial e são amplamente usadas em divulgação do filme, durante o pitching e em concursos e editais.

A tagline é uma frase curta e que passa a essência do filme. Podemos dizer que para filmes, a tagline tem a mesma função do slogan para empresas e produtos. Veja alguns exemplos:

The O.C.: Um Estranho no Paraíso

Smallville: As Aventuras do Superboy

Já a logline é o resumo do filme, contudo não deve ultrapassar o limite de duas linhas. Deve ser atrativa e despertar o interesse de quem a lê. Aqui, o roteirista deve apresentar o objetivo de seu protagonista, a força antagônica e os riscos que o enredo terá. Veja alguns exemplos:

De volta para o futuro

Um jovem viajante do tempo acidentalmente impede que seus pais se apaixonem e precisa reuni-los antes que ele e seu futuro deixem de existir.

O Poderoso Chefão

O relutante filho de um chefão da máfia precisa assumir o controle do império clandestino de seu pai para proteger sua família.

Se beber, não case

Três padrinhos de casamento perdem o amigo noivo durante a despedida de solteiro em Las Vegas; sem memórias da noite anterior precisam refazer seus passos a fim de encontrá-lo.

Storyline

É toda sua história, início, meio e fim, escrita entre três e cinco linhas. Na storyline é preciso colocar todos os pontos importantes do roteiro, ou seja, apresentar o protagonista, o objetivo, o ponto de partida, a jornada, o antagonista, o embate e resolução. Veja alguns exemplos:

Ouroboros – 1ª Temporada

Gregório é um pai de luto, a morte de sua recém-descoberta filha o transformou completamente e ele está disposto a tudo para trazer justiça aos responsáveis por isso, mesmo que tenha de ir contra o que é certo. Quando essas pessoas se veem diante da morte de Eleanor, precisam expor seus segredos mais profundos para darem a volta por cima, mas será que estarão dispostos a pagar o alto preço?

Tempo – Curta-metragem

Damian Estro, o último jumper, um humano geneticamente modificado para suportar viagens temporais é enviado para o passado em busca de reverter a catástrofe que colapsou seu mundo.

Ouroboros

Série ficcional do gênero dramático. Desenvolvida por Gian Kauffman e Juliana Saporito.

Tempo

Curta-metragem escrito por Gian Kauffman.

Escaleta

Agora que você já possui o conhecimento básico para iniciar um projeto, é preciso transformar o argumento no roteiro e para isso é criada a escaleta ou pré-roteiro. A escaleta pode ser tida como a espinha dorsal do roteiro, já que nela estão contidas todas as informações necessárias para a abertura das cenas.

Na construção da escaleta, é necessário colocar o beat e as diretrizes de ações para que o roteirista possa abrir as cenas. Tenha em mente que é comum que o autor/criador produza a escaleta e outros roteiristas abram as cenas no roteiro, que será analisado pelo autor.

Com a escaleta aberta, é possível ver a fluidez e a necessidade de mudança na ordem das cenas, bem como ter a primeira impressão do que será de fato o filme.

Dica

Não é necessário colocar falas, salvo aquelas que são fundamentais para o desenvolvimento da trama.

Beat e a Cena

Beat é o pronto principal, o cerne da cena, ou seja, motivo pelo qual ela acontece. Esse motivo pode ser qualquer coisa, desde que seja relevante para a estória ou para os personagens.

Um beat pode ser o encontro entre personagens, a descoberta de algo, um movimento estratégico etc.

Uma vez com o beat estabelecido, é preciso gerar as ações para atingir o objetivo; esse conjunto de ações é a cena.

Uma cena pode conter:

diálogos + movimentos + montagens + stockshots

Dica

As cenas devem começar na ação importante, ou seja, usando de elipses para trazer fluidez ao filme.

Elipses

A elipse é um corte temporário entre uma cena e outra, utilizada para tornar a narrativa fluída, retirando cenas que não agregam à estória e ao desenvolvimento narrativo. Essas oclusões temporais podem variar de segundos até milhares de anos, como nas cenas iniciais do filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Roteiro ou Roteiro Literário

Uma vez com a escaleta pronta, é hora de abrir as cenas, isto é, desenvolver a história em forma de roteiro, utilizando de ações (rubricas) e falas (diálogos).

As rubricas são as ações que os personagens fazem durante uma cena. Elas podem ser postas nas descrições ou entre as falas; quando realizadas dessa maneira, são chamadas de parentéticas.

Atenção

Durante a construção do roteiro, tudo deve ser narrado no tempo presente, evitando o uso de gerúndio. Outro ponto importante é a narração estar distanciada do que acontece, mas próxima do leitor.

Exemplo:

INT. SALA DE REUNIÃO – DIA

JOÃO, de pé, está nervoso, vemos que seu olhar vaga de um canto da sala até a porta de entrada, do outro lado do ambiente. Seu olhar só interrompe a movimenta para olhar o relógio, que marca 11:15.

EFEITO DE TRANSIÇÃO: As horas mudam para 11:30.

A porta se abre e vemos LARA (35), altiva em seu vestido vermelho. Com um tablet em sua mão, ela sorri.

LARA

Pode se sentar, vamos bater um papo antes que o líder dos roteiristas chegue.

João se senta, na primeira cadeira que vê, duro demais e claramente desconfortável. Lara sorri para ele, que fica sem jeito.

Como visto no exemplo, a escrita do roteiro deve ser feita de forma a demonstrar o que está acontecendo naquele momento, de modo imparcial e ao mesmo tempo colocando o leitor como parte da cena.

Roteiro técnico ou decupagem

Com o roteiro literário pronto, é chegado o momento de transformar as palavras em ações e cenários. Com isso, é preciso fazer a decupagem do roteiro.

O roteiro técnico é na verdade uma tabela que consta com as ações, falas, planos, sons e elementos diversos que serão importantes para a filmagem daquela história.

É importante lembrar que essa é uma tarefa do diretor e pode ser auxiliada pelo diretor de fotografia e pelo roteirista.

Note que o roteiro técnico é construído como um guia para as gravações do filme, sendo utilizado pela equipe técnica e de produção para organizar o cenário, fazer os posicionamentos de luz e câmera, preparação dos elementos sonoros, por exemplo.

Formatação do roteiro

Para escrever seu roteiro, é importante seguir um modelo. Existem vários que podem ser utilizados, porém o mais comum e mundialmente aceito é o formato Master Scenes, no qual a fonte utilizada é a Courier New, tamanho 12, o que dá a aparência de o texto ter sido escrito em antigas máquinas de escrever. Com o Master Scenes cada página do roteiro terá duração média de um minuto, o que é uma forma rápida e fácil de contabilizar a duração do seu filme.

O roteirista pode escrever o roteiro em qualquer programa de edição de texto, porém existem softwares específicos para essa finalidade, que promovem a formatação de modo automático. Em sua maioria, esses programas são pagos e podem ser usados em diversos dispositivos. Os mais conhecidos são o Final Draft e o CeltX, sendo o primeiro o software de produção de roteiro utilizado pelas principais produtoras do mundo. Outro programa que vem ganhando notoriedade nos últimos anos é o WriterDuet, que possui versão gratuita e oferece integração com os demais softwares e até mesmo o desenvolvimento colaborativo de roteiros.

Quando falamos de formatação de roteiro, independentemente do modelo escolhido, há elementos que devem estar presentes:

Clique nas setas para ver o conteúdo. Objeto com interação.

Cabeçalho de Cena

É o indicativo de uma nova cena, informando se a locação é interna ou externa, e o horário.

Ação

É a descrição do que acontece na cena, também chamada de rubrica.

Personagem

Quando um personagem que está ou não na cena vai falar, seu nome deve aparecer antes fala.

Parentético

São ações dos personagens que aparecem descritas entre as falas, sempre indicadas entre parênteses e com letra minúscula.

Diálogo

São as falas dos personagens, que podem ou não estar em cena.

Veja um exemplo de roteiro contendo as informações obrigatórias:

Clique nas informações grifadas para saber mais. Objeto com interação.

E alguns elementos opcionais:

Clique nas informações a seguir. Clique nas informações a seguir.

Transição

Indicação no roteiro de transição de cena.

Shot

Indicação de movimento de câmera e escolha de plano.

Elenco

Muito utilizado em séries, a lista com os personagens e membro de elenco encabeça o roteiro, para facilitar o preparo da equipe.

Novo Ato

Demarcação no roteiro de mudança de ato narrativo.

Encerramento de Ato

Demarcação no roteiro de encerramento de ato narrativo.

Atenção

Transição e Shot são elementos que estão caindo em desuso pelos roteiristas, uma vez que se entende que estes elementos são de conhecimento de outros profissionais, editor e diretor de fotografia, respectivamente.

--

A utilização de dois traços (--) durante a fala do personagem indica a interrupção dessa fala, seja por fator externo ou por outro personagem.

Artifícios narrativos

Existem outros elementos narrativos que devem estar sinalizados no roteiro e, assim, tornar o documento de maior compreensão dos envolvidos. Além disso, esses artifícios afetam também o espectador, já que cada um deles é feito com um objetivo específico, que veremos a seguir.

Flashback

É um artifício da narração utilizado para explicar eventos passados, cuja importância para o presente é essencial. O uso do flashback pode ser visto em diversos gêneros, sobretudo nos filmes policiais, mistérios e suspense, sendo cada vez mais comum.

O flashback deve ser indicado no roteiro e marcado de forma que todos os interessados possam ver. É comum a indicação de mudança de paleta de cor, para facilitar o entendimento do público.

Exemplo:

INT. SALA DE JOÃO – NOITE

ATENÇÃO EDIÇÃO: FLASHBACK, NECESSÁRIO MUDANÇA NA PALETA DE COR.

LARA olha para a tela do laptop, vemos diversos e-mails com o mesmo título: CURRÍCULO | VAGA DE ROTEIRISTA. Alguns já foram abertos, outros continuam com a marcação de fechado. Ela olha para o relógio e vê que são 22:15. Ela suspira cansada e abre o e-mail enviado por João.

Flashforward

Assim como o flashback, o flashforward é uma quebra da sequência cronológica do filme, porém este mostra o futuro e não o passado. Durante muito tempo foi menos utilizado do que o flashback, porém, cada vez mais vem ganhando espaço. Sua utilização tem o intuito de despertar a curiosidade do espectador.

O flashforward deve ser indicado do mesmo modo que o flashback, incluindo a indicação de mudança de paleta de cor, pelos mesmos motivos.

Exemplo:

INT. SALA DE JOÃO – NOITE

ATENÇÃO EDIÇÃO: FLASHFORWARD, NECESSÁRIO MUDANÇA NA PALETA DE COR.

JOÃO olha para todos a sua volta, apreensivo pelo que estar por vir. MARCELO (45) é o primeiro a se levantar, João engole em seco.


MARCELO

Se este é o projeto, por mim está aprovado.


Um a um, cada um dos cinco EXECUTIVOS (idades diversas) aprovam o projeto. Na incredulidade de João.

Montagem

É um mecanismo para simbolizar a passagem de tempo, geralmente descrito no roteiro de modo bem específico, com ações pautadas sendo repetitivas ou com pequenas alterações na rotina, ou ainda ações ligadas pela ação originária.

A montagem deve ser incluída no roteiro da seguinte forma: a cena será aberta com seu cabeçalho, na rubrica (ação) deve se escrever MONTAGEM, em maiúsculo e descrever a sequência de acontecimentos que devam ocorrer.

Exemplo:

EXT/INT. AEROPORTO – DIA

MONTAGEM: João anda pelo ESTACIONAMENTO. Entra no SAGÃO, enquanto pega seu celular. Anda no CORREDOR que leva ao avião. Senta-se em seu assento no AVIÃO.

Stockshot

Nada mais é do que a visão panorâmica de um lugar. Geralmente é utilizado entre sequências em que a localidade dos eventos foi alterada. Tem como principal função mostrar ao espectador a ambientação das cenas seguintes.

Assim como a montagem, o stockshot deve ser indicado na rubrica, porém a descrição é simples, como no exemplo:

INT. SALA DE JOÃO – NOITE

João está sentado na cadeira, radiante! A sala está limpa, na mais completa ordem.


JOÃO

Que nada, vô pegar o primeiro voo pro Rio.


MARIA (V.O.)
(ao telefone)

Tá bom, fico te esperando então. Beijo.


João desliga o telefone, pegando sua mochila e sai pela porta, apagando a luz no processo.

EXT. PRAIA DE BOTAFOGO, RIO DE JANEIRO – DIA

STOCKSHOT: panorama aéreo da praia. Na orla vemos os transeuntes passarem.

EXT. QUIOSQUE, PRAIA DE BOTAFOGO, RIO DE JANEIRO – DIA

Vemos MARIA (29) sentado em uma das mesas, ela bebe do suco de laranja em seu copo. João se aproxima, sem que Maria perceba. Ela coloca o copo na mesa, ele venda seus olhos com as mãos.


JOÃO

Adivinha quem é?

Voice Over (V.O.)

O Voice Over é um recurso narrativo utilizado quando há a presença de fala de um personagem, porém não há movimentação labial em cena. Pode parecer complexo, mas na realidade é um conceito bem simples. O Voice Over é usado para ilustrar o pensamento de um personagem, a voz que sai de um telefone, na lembrança de uma conversa passada e principalmente pelo narrador.

No roteiro, deve vir indicado na fala do personagem com a abreviatura (V.O.), como no exemplo a seguir:

EXT. RUAS DE SÃO PAULO – DIA

João está caminhando rápido, ele está muito bem vestido. Vemos transeuntes passarem por ele, todos apressados. Os carros buzinam, motos fazem seus sons característicos.


JOÃO (V.O.)

Sabe quando você tem a certeza de que tudo vai dar certo? Então, eu tô num desses dias. Não sei dizer o motivo, mas sei que vai dar. Tenho fé, que vai!


João para diante do prédio mais bonito da rua, ele respira fundo e entra.

Off Screen

Enquanto o Voice Over é utilizado para falas em que não vemos movimentação da boca, o Off Screen é utilizado nas falas daqueles personagens que estão em cena, contudo, estão fora da câmera. Se você buscar na memória, com certeza já viu alguma cena em que há dois personagens conversando, um deles sai, a câmera focando o personagem presente e a conversa continua. Essa é a utilização do Off Screen.

Assim como o Voice Over, a utilização do Off Screen deve vir descrita no roteiro, utilizando sua versão abreviada (O.S.).

INT. CORREDORES DA PRODUTORA – DIA

CAMILA (22) acompanha João, que olha para todos os lados, do mesmo modo que uma criança que vai a primeira vez em um parque de diversões. No meio do caminho eles param, FUNCIONÁRIOS (25 e 27) levam equipamentos para fora de uma sala, escutamos DIOGO (35) falar de dentro da sala, sem vê-lo.


DIOGO (O.S.)

Meninos, vai ser um longo dia, sabe como esses roteiristas são, adoram imagens externas, mas quem sofre é--


A porta é fechada, abafando a voz de Diogo.

Coda

Apesar do nome diferente, este é um recurso bem popular. Coda é simplesmente a cena pós-crédito dos filmes. Possui as mais diversas funções, desde ser o gatilho para o próximo filme até mesmo um alívio cômico.

A indicação da coda no roteiro deve ser feita como as demais cenas do filme, porém é necessário informar que esta é uma cena pós-crédito.

No vídeo a seguir, o especialista Gian Kauffman demostra um roteiro finalizado, apontando as principais estruturas do documento. Vamos assistir!

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MÓDULO 4


Reconhecer os diferentes tipos de roteiro de acordo com os formatos para os quais são escritos

Tipos de roteiro

Agora que você consegue distinguir os elementos presentes no roteiro, conhecerá os diversos tipos existentes. Por mais que existam muitas semelhanças entre os roteiros, cada um possui sua própria característica e cabe ao roteirista saber usar dessas características e construir o melhor roteiro possível.

Cada vez mais existem novos formatos de conteúdo, principalmente com o advento de plataformas de vídeos como o YouTube e TwitchTV, que abriram espaço para produtores de conteúdo terem seus próprios canais e audiência. Não podemos esquecer dos streamings como a Netflix, Amazon Prime, Disney+ e GloboPlay, que promovem uma elevada produção audiovisual, entre filmes, séries e animações.

O que é preciso para cada um desses novos formatos? Roteiros e mais roteiros, e muita das vezes, roteiros experimentais, para analisar o que mais gera resultado e engajamento no público.

Roteiros de cinema

O roteiro para cinema, talvez, seja o mais conhecido, afinal, quem de nós nunca assistiu a um filme na vida? Quando escrevemos para cinema, precisamos ter em mente que toda a estória deve ser apresentada, desenvolvida e concluída ao longo de, em média, noventa minutos.

As peculiaridades do roteiro cinematográfico estão exatamente no fato de que toda a trama deve ser encerrada no final do filme, com isso, os atos que formam a trama devem ser bem desenvolvidos, assim como os plot points e plot twists. Dessa forma, o filme terá uma sequência lógica e estabelecerá uma relação de verossimilhança com a realidade, o que é fundamental para a imersão do espectador.

No cinema, a estrutura narrativa é separada em três atos, onde o primeiro é a apresentação do universo; o segundo é o confronto; e o terceiro é resolução da trama. Essa estrutura permeia todos os filmes, mesmo aqueles que não sigam uma ordem cronológica de apresentação dos eventos.

Roteiros para TV

Os roteiros para TV possuem um leque enorme de opções, afinal, é possível assistir a filmes, séries, programas de variedades e novelas em um canal de televisão. A seguir, você verá as principais características dos roteiros de série, novela e programas de variedades.

Roteiros para séries

Quando olhamos para os roteiros de séries, é possível ver muita semelhança com os roteiros para cinema, uma vez que os mesmos elementos são replicados de uma modalidade para a outra. Plot points, plot twists, a arquitetura do roteiro, porém, há uma grande diferença: a duração.

Enquanto os roteiros para o cinema devem conter toda a resolução em si, os roteiros de séries possuem a características de suas histórias serem entreabertas, ligando assim um episódio ao outro, mesmo que superficialmente.

É importante saber que existem três formatos dramáticos que compõem o universo das séries, o procedimental, o serializado e o híbrido. A seguir você verá exemplos, a definição e as principais características de cada um deles.

Definição Características Principais vantagens Exemplos
PROCEDIMENTAL São as séries em que os episódios possuem começo, meio e fim bem definidos; onde as ações começam e encerram no próprio episódio. Essas são as séries chamadas de “Caso da Semana”. • Pouco destaque ao arco narrativo da temporada;
• Foco na problemática do episódio;
• Estrutura episódica bem estabelecida e replicada nos episódios.
Por possuírem tramas fechadas nos episódios, novos espectadores conseguem assistir ao programa sem grandes dificuldades. • Law & Order;
• CSI;
• House;
• Bones.
SERIALIZADA Nesse formato a série conta com o desenvolvimento de sua trama em todos os episódios da temporada, criando uma serialização da história, que é repartida em diversas partes até a sua conclusão no final da temporada. • Arcos narrativos para toda a temporada;
• Foco no desenvolvimento dos personagens e da trama;
• Múltiplos personagens e subtramas.
Devido à serialização, os espectadores são fiéis e acompanham a série por toda a temporada. • The Boys;
• Game of Thrones;
• The Vampire Diaries;
• Manifest.
HÍBRIDA O mais recente dos formatos, as séries híbridas são aquelas em que o caso do dia ocupa boa parte do episódio, porém ainda há o desenvolvimento da trama central e dos personagens. • Diversidade de subtramas e eventos episódicos;
• Múltiplos personagens e tramas paralelas;
• Maior diversidade de histórias e consequências para as ações tomadas pelos personagens.
Com a união dos formatos, as séries híbridas abrem espaço para que novos espectadores passem a assisti-las sem dificuldades de entender o enredo. • Grey’s Anatomy;
• How to get Away With Murder;
• Marvel’s Agents of SHIELD;
• Hannibal.

Ao construir um roteiro para séries, é preciso determinar não apenas os acontecimentos do episódio, mas sim de toda a temporada e se ater ao fato de que qualquer escolha narrativa afetará a estória como um todo, independentemente do momento em que essa escolha vá para a tela.

Outro ponto a se considerar para as séries é a periodicidade. Enquanto novelas possuem seis episódios semanais, as séries, em sua maioria, dispõem de recorrência semanal e isso é um fator que deve ser considerado no momento da escrita, já que os acontecimentos podem se perder entre uma exibição e outra.

Dica

Para trazer os elementos importantes de volta à cabeça do espectador, o roteirista pode usar flashbacks e mecanismos de rastreio para trazer o que era importante de volta.

Roteiros para novelas

Falar de novela, é olhar para a própria cultura brasileira. Por mais que o formato exista fora do Brasil, o produto novelesco nacional é altamente qualificado e aceito, tanto dentro, quanto fora do território brasileiro.

O roteiro para novelas deve ser repleto de pay offs, pistas plantadas ao decorrer das narrativas e recompensadas no momento necessário. Devido a sua longa extensão, as novelas devem ser construídas para entreter o público e entregar miniarcos, mas sem desmascarar seus vilões e seus planos mirabolantes.

Assim como nas séries, na escrita para novelas o roteirista deve utilizar de flashbacks e mecanismos que tragam à lembrança os acontecimentos mais importantes que ocorreram nos capítulos passados; dessa forma, quem está assistindo sempre saberá o motivo de uma ação do personagem X em relação ao Y.

Roteiros para programas de variedades

Como o próprio nome diz, os programas de variedades podem ser dos mais variados formatos, por isso é preciso estar atento aos detalhes específicos de cada uma de suas categorias, a forma como é feito o roteiro para um programa de culinária não é a mesma para um talkshow e aí por diante.

Muitos desses programas não possuem um roteiro repleto de falas propriamente ditas, mas sim tópicos que servem de lembretes para o apresentador e rubricas que guiarão as equipes de pré-produção, produção e pós-produção.

O roteiro deve conter os principais elementos do seu programa, separado em blocos:

Com base nesses atos, o roteiro deverá ser criativo, inovador, atender ao público-alvo do programa, bem como ter o tom emotivo característico ao programa.

Roteiros para documentários

A construção do roteiro para documentários não segue a lógica narrativa convencional, mas o que isso quer dizer?

Quando o roteirista está escrevendo um roteiro para documentário, é preciso ter em mente que as falas dos entrevistados poderão ou não atender ao caminho imaginado na concepção do filme; por esse motivo, ao criar roteiros para documentários, é necessário ter material fílmico em mãos e então roteirizar a melhor narrativa dentro do tom determinado para o filme.

Não se assuste, por mais que seja muito diferente do convencional, o roteiro para documentário é mais simples, embora mais trabalhoso. O primeiro passo para a construção de um documentário é a delimitação do tema e a preparação das perguntas que serão feitas para o entrevistado.

Dica

Um bom documentário é pautado em pesquisas (orais, na internet, em livros e outras fontes), e é interessante usar os dados pesquisados para guiar o entrevistado pelo caminho desejado.

Muitas das vezes, no momento da entrevista, o roteirista recebe novas informações e posicionamentos que não estavam em seus planos, mas que são encaixes perfeitos para a narrativa desejada, por isso a lógica de construção de documentários é diferente. Cabe ao roteirista trabalhar o material fílmico e construir a sua narrativa e o roteiro posteriormente às gravações.

Roteiros para web

A internet se tornou um playground para os produtores de conteúdo audiovisual, com a popularização dos canais pessoais. Esse boom resultou na criação dos mais variados formatos de vídeos e consequentemente de roteiros.

Assim como nos programas de variedades, os roteiros para a web devem conter tópicos que guiarão o apresentador do vídeo e indicações nas rubricas que facilitarão as etapas de produção dos vídeos.

Na web, a experimentação é algo comum e bem visto, o que dá ao roteirista maior possibilidade de testar formatos e modelos diferentes e conseguir auferir os resultados quase que instantaneamente.

Roteiros para games

Construir roteiros para jogos é um campo que vem crescendo nos últimos anos, seja nos jogos indie ou nos conhecidos Triple A. Não existe um formato determinado para os roteiros de jogos, uma vez que a área ainda está em consolidação, contudo, o roteirista de games precisa se atentar aos elementos narrativos que devem estar presentes, bem como os elementos necessários para a construção dos personagens.

Indie

Indie é a abreviatura da palavra inglesa independent, que pode se aplicar a produtos da indústria cultural que são produzidos de forma independente, sem o financiamento dos players do mercado, o que dá maior liberdade artística aos envolvidos.

Triple A

Também conhecido como jogos AAA, é uma classificação usada para indicar os jogos que possuem grandes valores orçamentários para produção e promoção.

O roteiro para jogos permite ao roteirista permear múltiplas tramas, subtramas e estórias, uma vez que um jogo detém não apenas sua história e personagem principal, como também missões paralelas e personagens secundários, que precisam ser desenvolvidos e trabalhados.

O arco narrativo de um jogo deve ser amplo e estabelecer sua conclusão dentro do tempo de duração de jogo, assim como o roteiro de cinema deve promover o encerramento da história dentro do próprio filme.

No vídeo a seguir, os especialistas Pedro Salomão e Gian Kauffman abordam os diferentes formatos de roteiros para os diferentes meios, web, TV (séries e novelas), cinema, variedades, documentário e games. Vamos assistir!

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Conclusão

Considerações Finais

Ao decorrer do tema, vimos as principais áreas da criação de personagens, os fundamentos e elementos necessários na construção do roteiro, os principais formatos utilizados na atualidade. Além disso, entendemos a necessidade do storytelling para as histórias.

Como vimos, a evolução tecnológica, a internet e a revolução digital estão moldando o caminho para os roteiristas e suas criações. Com base nos conceitos abordados neste tema, é possível ver que a área de atuação do roteirista está cada vez maior, gerando diversas oportunidades para quem está começando sua carreira.

Podcast

Agora com a palavra os especialistas Pedro Salomão e Gian Kauffman, relembrando tópicos abordados neste tema e comentando sobre a sua aplicação na prática. Vamos ouvir!

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