Definição
Noções gerais do aparelho locomotor: músculos, tendões, articulações e ossos. Contração muscular. Controle dos movimentos corporais.
PROPÓSITO
Examinar a estrutura do aparelho locomotor e as relações entre seus componentes discutindo o mecanismo da contração muscular e do controle dos movimentos corporais.
OBJETIVOS
Módulo 1
Identificar noções e aspectos gerais do aparelho locomotor, incluindo músculos, tendões, articulações e ossos
Módulo 2
Investigar o mecanismo da contração muscular
Módulo 3
Reconhecer os eventos do controle dos movimentos corporais
Introdução
A função essencial do aparelho locomotor é a de realizar o movimento do corpo de modo a interferir e modificar o ambiente. Além de deslocar o corpo no espaço, o aparelho locomotor é responsável pela capacidade e habilidade de manusear objetos e ferramentas por meio das ações musculares que deslocam as peças ósseas que formam as articulações.
MÓDULO 1
Identificar noções e aspectos gerais do aparelho locomotor, incluindo músculos, tendões, articulações e ossos
Para fazer um belo gol, é preciso talento. Para chutar a bola com precisão, é necessária uma ação ordenada e coordenada de diferentes grupos musculares com a força adequada aplicada sobre as articulações corretamente posicionadas no espaço. Tudo isso é decidido e executado em frações de segundo. Um campeonato pode ser perdido por conta de uma inadequação de qualquer componente do aparelho locomotor. Então, avante, vamos vencer!
Estrutura do aparelho locomotor
O termo aparelho em anatomia descreve um conjunto de sistemas que, como um todo, realiza uma ou mais funções. O aparelho locomotor agrega em sua estrutura os sistemas esquelético e muscular. Ainda recebe contribuição da porção periférica do sistema nervoso que é responsável pela distribuição dos impulsos que irão acionar a musculatura e pela captação das informações necessárias para o perfeito controle dos movimentos.
Porção periférica
O sistema nervoso periférico é formado por nervos e gânglios. Ele é responsável pela comunicação do sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) com os outros órgãos.
Sistema muscular
Se refere ao conjunto de músculos ou grupos musculares que se fixam às peças ósseas. O deslocamento dos ossos um em relação a outro(s) ocorre nas junções ou articulações. Esses músculos são de ação voluntária, mas também participam das respostas reflexas. Eles são denominados músculos esqueléticos.
Sistema esquelético
Se refere ao esqueleto em si, formado pelo conjunto dos ossos e das articulações que esses ossos compõem.
Sistema esquelético
Funções do esqueleto
Sustenta vísceras e outros tecidos moles do corpo e é ponto de fixação para tendões dos músculos esqueléticos.
Protege os órgãos nobres do corpo formando caixas ósseas como o crânio e a caixa torácica (gradil costal).
Os movimentos do corpo são produzidos pelo deslocamento dos ossos. Os tendões fixados aos ossos servem de cordões semelhantes aos da marionete. Quando os músculos se encurtam, os tendões transferem essa força tracionando os ossos.
Os ossos representam cerca de 18% do peso corporal e são os depósitos de sais minerais, especialmente de cálcio, com cerca de 99% de todo o cálcio sendo armazenado no esqueleto. Para fins de homeostase, esse cálcio pode ser liberado ou armazenado em maior ou menor quantidade para ser aproveitado por outros sistemas do corpo.
No interior dos ossos encontramos um tecido especial, a medula vermelha, responsável pela produção das células do sangue: as hemácias ou eritrócitos (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Nos adultos, a maior parte da medula óssea se encontra nos ossos do quadril, no crânio, nos ossos da coluna vertebral (vértebras), nas costelas e nas extremidades dos ossos longos como úmero e fêmur.
energético
Os ossos apresentam em seu interior um tecido especial, a medula amarela, um tecido rico em adipócitos (células que acumulam gordura). A medula amarela armazena triglicerídeos que representam uma reserva potencial de energia.
Você sabia?
São poucas as diferenças visíveis entre o esqueleto masculino e o esqueleto feminino. Em uma vista geral, o que chama a atenção é o formado da pelve (bacia) mais larga na mulher por conta da gestação e do parto.
Tipos e estrutura dos ossos
Os ossos podem ser longos, chatos, curtos ou irregulares. A forma dos ossos está diretamente relacionada à sua função.
| Tipos de Ossos | |
|---|---|
| Ossos Chatos | São encontrados, por exemplo, na parte superior do crânio. Sua maior dimensão é a largura. São ossos para proteção. Nesses ossos especialmente, encontra-se a medula vermelha. |
| Ossos Curtos | São encontrados especialmente nas mãos e nos pés. Suas dimensões são bastante proporcionais. Em geral, eles se assemelham a um cubo. |
| Ossos Irregulares | São aqueles sem formato definido. Apresentam em geral grandes pontas ósseas como as vértebras, ossos que formam a coluna vertebral e alguns ossos do crânio como o osso temporal. |
| Ossos Longos | Estão localizados na parte livre dos membros superiores e inferiores. Essencialmente, são esses ossos que servem de alavanca para os movimentos corporais e são de nosso interesse nesse momento. Nas extremidades desses ossos, encontra-se a medula vermelha. |
| Ossos Sesamoides | São pequenos ossos inseridos em tendões com função de dar apoio e servir de roldana na realização de esforços. O maior sesamoide é a patela (rótula). |
Tipos de ossos
Estrutura dos ossos longos
Os ossos longos são ossos tubulares, cujo comprimento é a maior dimensão. Formam a maior parte dos membros superiores e inferiores. Sua estrutura pode ser descrita como sendo composta por uma diáfise e duas epífises.
A diáfise é a parte tubular propriamente dita, ou o corpo do osso. Nessa porção, estão fixados os músculos esqueléticos (ventre muscular ou porção carnosa). Na diáfise, encontramos a medula amarela.
As epífises são as extremidades dos ossos longos. Nessas regiões, encontramos um revestimento de cartilagem para a formação das articulações e encontramos também proeminências ósseas onde se fixam os tendões dos músculos (ver figura a seguir).
A cartilagem articular é uma fina camada de cartilagem sobre as extremidades ósseas com função de reduzir o atrito entre os ossos durante os movimentos e absorver impactos como aqueles da caminhada, corrida, salto, subida e descida de degraus.
Você sabia
Existe uma condição genética chamada osteogênese imperfeita, ou doença dos ossos de vidro, que causa fragilidade dos ossos do corpo e fraturas espontâneas repetidas que podem causar deformidades e baixa estatura.
Divisão do esqueleto
O esqueleto humano adulto é composto, em média, por 206 ossos e pode ser dividido em duas porções:
- Esqueleto axial: representa a porção central, de sustentação;
- Esqueleto apendicular: representa a porção periférica, os membros superiores e inferiores.
Anatomia do esqueleto humano
Esqueleto axial
Compreende a cabeça óssea, o osso hioide e a coluna vertebral. A cabeça óssea é formada pelo crânio e pela mandíbula.
Mandíbula
A mandíbula é o único osso móvel da cabeça. Isso se explica porque a principal função da cabeça é a proteção do encéfalo.
A coluna vertebral é formada pelo empilhamento de 33 vértebras (26 ossos no adulto, considerando a fusão das vértebras do sacro e do cóccix), correspondendo, aproximadamente, a 2/5 da altura total do corpo. Essas vértebras distribuem-se em cinco regiões: cervical (pescoço), torácica (costelas), lombar (abdome), sacral (base) e coccígea (final da coluna). O sacro localiza-se na base da coluna vertebral e, logo abaixo dele, encontram-se as vértebras coccígeas fundidas, que formam o cóccix.
Cóccix
O cóccix é um pequeno osso que remata inferiormente a coluna vertebral, constituído de quatro a seis vértebras soldadas, e que articula com o osso sacro.
Com função de eixo de sustentação central para a cabeça e os membros, a coluna vertebral tem a estrutura adaptada para amortecer impactos. Ela apresenta curvaturas mais acentuadas ou menos acentuadas dependendo da região e, entre as vértebras, existem pequenos amortecedores de impacto, os discos intervertebrais.
Coluna vertebral
Curvaturas da coluna vertebral
Vista pela frente ou por trás, a coluna vertebral aparenta ser uma reta, mas, se olhada em perfil, as curvaturas fisiológicas são visualizadas. Isso porque as curvaturas fisiológicas são anteroposteriores. Em outras palavras, a curva não é lateral, mas, sim, de trás para frente ou de frente para trás.
São quatro curvaturas fisiológicas em sequência:
- Curvatura cervical;
- Torácica;
- Lombar;
- Sacral.
Essas curvaturas fazem com que a coluna vertebral funcione como uma mola, aumentando sua resistência à carga, aos impactos do pé contra o chão, como na caminhada e na corrida, ajudando a manter o corpo equilibrado na posição ereta, seja em pé ou sentada.
Podemos verificar que, em cada curvatura, exceto na região sacral, os discos intervertebrais, os amortecedores de impacto, têm espessura diferente. São mais espessos na região lombar, onde os maiores esforços são aplicados.
Essas curvaturas fisiológicas se diferenciam pela sua concavidade, considerando que olhamos o corpo de frente (vista anterior).
Cifose
Concavidade para frente
Torácica e sacral
Lordose
Concavidade para trás
Cervical e lombar
Comentário
As curvaturas laterais da coluna vertebral são sempre patológicas, ou seja, são sempre resultado de algum desequilíbrio na postura ou na musculatura que move a coluna vertebral. O nome da curvatura é dado pelo lado da convexidade da curva.
Escoliose destro convexa
Discos intervertebrais
O termo intervertebral significa entre vértebras, mais especialmente entre a parte mais alargada das vértebras, o corpo vertebral.
Os discos intervertebrais representam 25% da altura da coluna vertebral. Os discos variam em espessura e resistência ao longo da coluna vertebral.
Sua estrutura é bastante característica, formada por um componente externo, resistente e fibroso, e um componente interno, macio e elástico. Esses componentes são o anel fibroso e o núcleo pulposo.
Esse tipo de articulação entre as vértebras é chamado sínfise. Nesse caso, sínfise intervertebral.
A relação entre um disco e as duas vértebras onde se fixa forma uma articulação firme de pouco movimento, mas com grande capacidade de absorver impactos no sentido vertical. Quando são submetidos a um esforço vertical, em compressão, os discos intervertebrais se achatam e se alargam.
Assim, a porção central macia e elástica faz pressão contra o anel fibroso que sustenta essa pressão. Essa constante compressão-descompressão durante os movimentos ao longo do dia provocam desidratação dos discos intervertebrais que perdem um pouco de altura.
A compressão e descompressão repetida com grande carga ou impacto sobrecarrega o disco intervertebral e podem ocorrer condições como uma compressão do anel fibroso, um prolapso do núcleo ou até mesmo uma protusão com sequestro do núcleo.
Estágios para uma hérnia de disco
É por isso que as pessoas parecem um pouco mais baixas ao fim do dia e mais altas no início do dia. O período de descanso deitado permite que os discos sofram reidratação e recuperem a altura inicial.
Atenção
Um aspecto importante para a estrutura e o funcionamento do disco intervertebral é que esse elemento não recebe fluxo sanguíneo direto (avascular). O fornecimento de oxigênio (O2) e nutrientes é feito através do fluxo sanguíneo que chega para as vértebras. Os exercícios de alongamento favorecem o mecanismo de nutrição, hidratação e remoção de restos metabólicos dos discos intervertebrais.
Características regionais das vértebras
São sete vértebras cervicais. Uma característica particular é um orifício (forame) aberto a cada lado do corpo vertebral por onde passa a cada lado, uma artéria que vai em direção à cabeça. Essas artérias são as artérias vertebrais.
• Posturas inadequadas do pescoço, deformidades, exercícios mal executados ou manipulação inadequada do pescoço são situações que podem causar a compressão de uma ou ambas as artérias, causando mal-estar ou perda da consciência por interrupção do fluxo sanguíneo.
São 12 vértebras torácicas, a cada uma se articula um par de costelas. Esse conjunto mais o osso esterno formam a caixa torácica (gradil costal), com estrutura semelhante a uma gaiola, que protege pulmões e coração.
• Condições que diminuam os movimentos das costelas prejudicam a mecânica da respiração porque dificultam a expansão da caixa torácica.
São cinco vértebras lombares, as maiores vértebras com o corpo largo e alto. São estruturas próprias para receber carga e amortecer impacto, distribuindo-o pelo restante da coluna vertebral.
São cinco vértebras sacrais que estão fundidas em um único osso, o sacro. O osso sacro tem forma de triângulo invertido com a base virada para cima, onde se apoiam as vértebras lombares.
Existem cerca de quatro vértebras coccígeas formando o cóccix. É considerado um vestígio da cauda.
Esqueleto apendicular
O esqueleto apendicular representa o esqueleto dos apêndices do corpo, os membros, por isso leva esse nome.
Os membros superiores se estendem da cintura escapular até a mão, e o esqueleto dos membros inferiores se estende do quadril até o pé. Diferenças estruturais encontradas entre eles estão diretamente relacionadas à função do membro como um todo e à função de seus componentes por si.
Membro superior
Formados essencialmente por ossos longos. Tem movimentação livre e de grande amplitude por ser uma ferramenta de manipulação e de relacionamento com o meio ambiente.
A cintura escapular é formada pela clavícula e pela escápula, já a parte livre do membro é formada pelo úmero (braço), rádio e ulna (antebraço) e mão.
Membros Superiores
Cintura Escapular
Partes Livres
O esqueleto da mão é um conjunto de 27 ossos distribuídos em três regiões: carpo, metacarpo e falanges. As falanges formam os dedos e têm arranjo diferente no dedo polegar em relação aos outros dedos. O polegar tem duas falanges e os outros dedos têm três falanges.
Os dedos da mão são contados do polegar para o mínimo, sendo o polegar o primeiro dedo e o mínimo o quinto dedo. Os ossos do metacarpo são contados da mesma maneira.
Esqueleto da mão
Destaca-se aqui que a estrutura da mão humana é considerada uma ferramenta biológica quase perfeita e possui diferentes modos de manipulação:
O grande alcance que se consegue com a mão está diretamente relacionado à amplitude do movimento do ombro. Uma limitação de amplitude de movimento no ombro reduz grandemente o alcance da mão, como nos casos de doenças reumáticas do ombro ou deformidades em consequência de má consolidação de fratura de clavícula.
Mão humana - elementos estruturais e funcionais
Membro inferior
Formado essencialmente por ossos longos. Tem amplitude de movimento menor do que o membro superior por sua função de sustentação do corpo e de marcha (habilidade de caminhar). Para a sustentação do corpo em equilíbrio estático e dinâmico, suas articulações dispõem de rico aparelho ligamentar.
A cintura pélvica é formada pelos ossos do quadril ou coxal, peça óssea formada pela fusão de ossos: ílio (ilíaco), pube e ísquio. A parte livre do membro inferior é formada pelo fêmur (coxa), tíbia e fíbula (perna) e pé.
O esqueleto do pé apresenta 26 ossos distribuídos em três regiões: tarso, metatarso e falanges. As falanges formam os dedos e têm arranjos diferentes. O dedo largo do pé é chamado hálux. Os dedos do pé são contados do hálux para o mínimo, sendo o hálux o primeiro dedo. Dessa mesma maneira são contados os metatarsos.
Comentário
A estrutura do pé perdeu mobilidade articular em relação à mão por ser estrutura de sustentação. Funcionalmente, o pé se comporta como mola, amortecendo impacto e distribuindo forças durante a marcha (caminhar e correr). Isso se confirma pela estrutura arqueada do esqueleto do pé.
As falanges são os ossos que formam os dedos e têm arranjo diferenciado no hálux que apresenta duas falanges. Os outros dedos apresentam três falanges.
Esqueleto do pé
Articulação sinovial
Na região das cinturas escapular e pélvica, encontram-se duas articulações de superfícies globosas, as articulações do ombro e do quadril.
Essas duas articulações são do tipo sinovial. As pontas ósseas são cobertas por cartilagem articular mantidas em posição por um tecido de conexão chamado cápsula articular. A cápsula apresenta áreas de reforço que são os ligamentos.
Articulação sinovial
As articulações do tipo sinovial representam as articulações do corpo que realizam movimento. Diz-se que apresentam graus de liberdade. Embora tenham formas e graus de liberdade diferentes, todas as articulações sinoviais têm a mesma estrutura básica.
Espaço delimitado pela cápsula articular e pontas ósseas. É preenchida pelo líquido sinovial.
Recobre as pontas ósseas que formam a articulação. É uma estrutura avascular, cuja nutrição ocorre predominantemente por meio do líquido sinovial. Tem função de evitar o atrito entre as extremidades ósseas durante o movimento.
Tecido de conexão (tecido conjuntivo ou conectivo) que une as partes ósseas da articulação sinovial. É revestida pela membrana sinovial.
Revestimento interno da cápsula articular que tem a função de produzir o líquido sinovial.
O líquido sinovial tem função de manter a cartilagem articular hidratada e lubrificada. Isso acontece pelo mecanismo de esponja, com entrada e saída do líquido sinovial por compressão e descompressão durante a realização de movimentos.
A falta de movimento em uma articulação sinovial faz com que a cartilagem articular enfraqueça e se torne fina e quebradiça. Esse é um dos efeitos de uma longa imobilização por fratura, doença ou cirurgia.
Os elementos intra-articulares são estruturas diferenciadas encontradas na cavidade articular em algumas articulações como quadril e joelho.
Vista interna do joelho
Principais movimentos das articulações sinoviais
Muitos movimentos são nominados em relação à linha mediana do corpo. Essa é uma linha imaginária que atravessa o corpo de cima para baixo coincidindo com o meio geométrico do corpo.
Flexão
Movimento que diminui o ângulo entre os ossos da articulação.
Extensão
Movimento que aumenta o ângulo entre os ossos da articulação.
- No tronco ocorre a flexão lateral, a flexão para um lado e para outro. Ocorre também a hiperextensão, quando a cabeça ou a coluna vertebral são inclinadas para trás.
Abdução
Movimento que afasta o segmento da linha mediana do corpo. Pode ser chamado desvio radial no punho.
Adução
Movimento oposto à abdução, aproxima o segmento da linha mediana do corpo. Pode ser chamado desvio ulnar na articulação do punho.
- Para os dedos da mão, a linha mediana do corpo não é a referência, e sim o dedo médio, o dedo mais longo. Assim, abdução é afastar do dedo médio e adução é aproximar do dedo médio.
Rotação
Movimento realizado ao redor do eixo longitudinal do osso. Rotação medial ou rotação interna roda o osso na direção da linha mediana do corpo. Rotação lateral ou rotação externa roda o osso na direção oposta à linha mediana do corpo.
Circundução
Não é um movimento isolado, mas a soma dos movimentos de uma articulação, ou seja, flexão, abdução, extensão, adução e rotação. É mais facilmente compreendido se pensarmos como desenhamos no ar um círculo com a ponta de um dedo ou realizamos um movimento circular com a articulação do quadril ou do punho.
Antes de encerrar este tópico vale a pena chamar atenção ao movimento de oponência ou oposição. Esse movimento é específico do dedo polegar e permite que o polegar toque a ponta de qualquer outro dedo da mesma mão.
Esse movimento é de grande precisão sendo fundamental para segurar e manipular objetos com movimentos finos (precisos).
Sistema muscular
O sistema muscular é formado basicamente pelos músculos de ação voluntária que deslocam as peças ósseas para produzir movimento. Como esses músculos se relacionam na maioria dos casos com ossos, eles são chamados esqueléticos.
Os músculos esqueléticos são ativados pela chegada de impulsos elétricos vindos de diferentes áreas do cérebro e de outras regiões do encéfalo. Esses impulsos chegam aos músculos através dos nervos. Esses nervos formam a chamada inervação dos músculos.
Seus pontos de fixação podem ser as extremidades dos ossos longos, o corpo de ossos curtos, chatos e irregulares. O ponto de fixação que permanece fixo (imóvel) durante o movimento é chamado origem e o ponto de fixação que se desloca durante o movimento é chamado inserção.
A depender da forma do ventre muscular, pode haver mais de uma origem e eventualmente mais de uma inserção. Assim, o músculo bíceps braquial indica, por sua forma, que tem duas origens e uma inserção e o músculo quadríceps femoral indica que tem quatro origens e uma inserção.
Forma dos músculos
A forma do músculo depende da orientação das fibras musculares no ventre muscular. Podem ser classificados como:
As fibras musculares se organizam em forma de anel. Em geral esses músculos se localizam junto a uma abertura. Ex.: m. orbicular da boca, m. orbicular do olho, músculo do esfíncter anal externo.
Suas fibras se organizam em paralelo em ventres musculares estritos e delgados.
As fibras musculares se organizam em forma de leque.
As fibras musculares se orientam em paralelo à linha de ação. Nesse arranjo, as fibras musculares têm o mesmo comprimento que o ventre muscular.
As fibras se organizam obliquamente em relação à linha de ação. Essa obliquidade faz com que as fibras musculares penadas sejam menores que o comprimento do músculo. Essas fibras se inserem em uma aponeurose intramuscular.
O ângulo de penação e o comprimento das fibras musculares influenciam a capacidade de produção de força e a velocidade de contração.
Músculos penados apresentam como característica mecânica maior capacidade de produção de força e menor velocidade de contração em relação a músculos de fibras longas.
Ângulo de penação
O grau de inclinação das fibras musculares no músculo penado é chamado de ângulo de penação e pode chegar a valores de 30 graus.
Assim, pequenas mudanças no comprimento do músculo penado têm efeitos mais significativos do que em fusiformes, já que os músculos penados apresentam fibras musculares mais curtas. Desse modo, para o mesmo valor absoluto de redução do comprimento da fibra muscular, o encurtamento relativo será maior para uma fibra curta.
Os músculos penados podem apresentar mais de uma origem e podem ser classificados como:
- Unipenados;
- Bipenados;
- Multipenados.
Forma dos músculos
Na figura “Forma dos músculos” estão identificados m. orbicular da boca (circular), m. deltoide (multipenado), m. reto femoral (bipenado), m. tibial anterior (unipenado), m. sartório (reto), m. bíceps braquial (fusiforme).
Estrutura do músculo esquelético
Embora os músculos esqueléticos tenham tamanho, forma e funções diferentes, todos apresentam a mesma estrutura básica. Uma porção contrátil e uma porção não contrátil.
PORÇÃO CONTRÁTIL: parte carnosa do músculo capaz de encurtar ou alongar. É o ventre muscular.
PORÇÃO NÃO CONTRÁTIL: representa a parte não carnosa. São os tendões e as aponeuroses. Essas estruturas não são contráteis, e sim viscoelásticas.
Os tendões funcionam como os cordões, que movimentam as marionetes. Sua função é transferir para a articulação a força de tração produzida pela porção contrátil do músculo. Funcionam ainda como estabilizadores da articulação.
Eles representam ainda estruturas fibrosas, viscoelásticas, ricas em colágeno, capazes de suportar carga e tensão. Em sua estrutura, encontram-se receptores que informam ao sistema nervoso a intensidade da contração muscular.
Saiba mais
Suas fibras se organizam em paralelo com carga de tensão unidirecional. Tendões de maior diâmetro apresentam maior resistência à carga. Tendões de maior comprimento apresentam maior resistência ao estiramento (alongamento).
Os tendões são protegidos por um envoltório, a bainha, que contém pequena quantidade de líquido sinovial, para reduzir o atrito entre os tendões e entre tendões e superfícies ósseas.
O esforço ou uso exagerado dos músculos afeta os tendões e suas bainhas causando tendinite ou tenossinovite.
Funções dos músculos esqueléticos
A coordenação e a efetividade do movimento dependem da execução adequada de cada uma dessas funções para cada músculo ou grupo muscular ativado. Existem aproximadamente 620 músculos e grupos musculares no corpo humano adulto.
Principal músculo de um movimento.
Principal músculo de oposição ao agonista em um movimento.
Músculo acessório, auxiliar em um movimento.
Músculo que estabiliza um osso para que outro músculo realize um movimento com eficiência.
Na figura a seguir, observamos o jogo agonista-antagonista na articulação do cotovelo para o movimento de extensão (A) e flexão (B), como quando trazemos um copo até a boca.
Na extensão, o m. tríceps braquial é agonista, mas, na flexão do cotovelo, passa a antagonista.
Em alguns casos, músculos que são antagonistas entre si atuam como sinergistas. É o caso dos músculos anteriores e posteriores da coxa, que são antagonistas para o movimento do joelho, mas atuam em conjunto para estabilizar o joelho e o quadril em algumas posturas da ioga e na ginástica olímpica. Essa é também a situação dos m. bíceps e tríceps braquial do cotovelo, por exemplo (ver figura a seguir).
Muitos músculos esqueléticos são pareados, existem no lado esquerdo e direito do corpo. Esse arranjo permite a realização de movimentos simétricos (os dois lados ao mesmo tempo) nos membros e permite um bom controle sobre a postura no caso da coluna vertebral.
Verificando o aprendizado
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MÓDULO 2
Investigar o mecanismo da contração muscular
Para que os movimentos do dia a dia aconteçam no aparelho locomotor, é preciso acionar diferentes músculos ou grupos de músculos a cada instante. Um encurta e o outro alonga, um contrai e outro relaxa. Para isso, é preciso acionar finas estruturas microscópicas dentro dos ventres musculares, as fibras musculares. A massa muscular representa até 50% do peso muscular de um adulto. Então, vamos lá, força!
Funções do tecido muscular esquelético
- Transformar energia química em energia mecânica para deslocar as peças ósseas;
- Estabilizar as posturas do corpo e o equilíbrio;
- Produzir calor para regulação da temperatura corporal;
- Contribuir para a circulação (retorno venoso);
- Controlar o conteúdo de alguns órgãos (esfíncteres);
- Contribuir para esforços expulsivos do corpo (parto, defecação).
Propriedades da fibra muscular
As fibras musculares apresentam propriedades especificas para a contração:
- Excitabilidade elétrica: responde aos estímulos elétricos trazidos pelos nervos.
- Contratilidade: capacidade de produzir tensão ao receber estímulos nervosos.
- Extensibilidade: propriedade que permite aumentar seu comprimento sem lesão.
- Elasticidade: propriedade que permite ao músculo retornar ao seu comprimento inicial.
Estrutura da fibra muscular
A contração muscular é um processo que transforma energia química em energia mecânica para movimentar as alavancas ósseas. O combustível para a contração muscular inclui oxigênio, glicose e ácidos graxos que chegam pelo sangue. O processo de contração é dependente do cálcio. Cerca de 95% da energia para a contração prolongada tem como combustível o oxigênio.
A cor avermelhada da parte carnosa dos músculos é dada pela proteína mioglobina que só existe nos músculos. Ela corresponde à hemoglobina, que dá a cor avermelhada do sangue, e se liga ao oxigênio necessário para que o músculo produza energia.
O ventre muscular, parte carnosa e contrátil do músculo esquelético, é formado por fascículos musculares. Apesar de microscópicas, essas fibras podem ter 10cm de comprimento ou alcançar até 30cm. A quantidade de fibras musculares é determinada antes do nascimento e não se renova.
Fascículos musculares
Conjuntos de feixes formados por estruturas microscópicas, as fibras musculares.
Estrutura do ventre muscular
As fibras musculares se organizam em feixes em um arranjo semelhante ao cabo telefônico. Veja a figura a seguir. No interior das fibras musculares, estruturas microscópicas estão organizadas em feixes, as miofibrilas.
Fibra muscular
As miofibrilas são a menor estrutura contrátil do músculo e têm o mesmo comprimento da fibra muscular, embora sejam microscópicas. Elas têm aproximadamente 2 micrômetros de diâmetro (0,002mm).
Cada miofibrila é formada por dois tipos de pequenos filamentos de proteínas, um filamento fino (actina) e um filamento grosso (miosina). Em geral, o arranjo é de dois filamentos finos e um filamento grosso que se sobrepõem parcialmente.
Durante a contração muscular, esses filamentos deslizam uns sobre os outros diminuindo o comprimento da fibra muscular. O grau de sobreposição dos filamentos determina a intensidade da tensão produzida pelo músculo, ou seja, sobreposição ótima produz força máxima.
Esse processo depende do cálcio que gera a força de atração entre os filamentos actina e miosina, portanto a produção da contração e a força muscular dependem da quantidade de cálcio disponível para o músculo.
O cálcio é armazenado no retículo endoplasmático da fibra muscular e é liberado em grande quantidade no citoplasma da fibra muscular (sarcoplasma) em resposta à chegada do estímulo nervoso.
Acoplamento actina-miosina
Tipos de contração muscular
A contração máxima pode reduzir o comprimento do músculo até a metade. Porém, é possível que as fibras produzam contração gerando apenas tensão, sem modificar o comprimento. Isso pode acontecer porque existem dois tipos diferentes de contração muscular:
Modifica o comprimento do ventre muscular sob tensão constante. A contração isotônica é o tipo de contração que produz os movimentos do dia a dia para nossa locomoção ou para deslocar objetos.
Gera tensão no ventre muscular sem produzir movimento. A contração isométrica é o tipo de contração que fazemos quando sustentamos um objeto na mão sem apoio na altura da cintura. Também é utilizada para estabilizar as articulações em uma determinada postura.
Desempenho muscular e exercício físico
Tipos de fibra muscular
Os músculos esqueléticos são formados por maior ou menor quantidade de fibras musculares de acordo com seu tamanho e função. Essas fibras são basicamente de dois tipos e pode haver tipos intermediários.
São conhecidas como fibras vermelhas por causa da grande quantidade de mioglobina relacionada ao transporte e metabolismo do oxigênio. Apresentam também grande quantidade de mitocôndrias para a produção e liberação de energia para sustentar a contração prolongada e vasta rede de suprimento sanguíneo.
São conhecidas como fibras brancas. Essas são fibras musculares grandes para realizar grande força. Não utilizam oxigênio como combustível, mas glicose, assim como cálcio, e, por isso, apresentam menor quantidade de mitocôndrias e suprimento sanguíneo reduzido.
A atividade física e o exercício físico constantes com aplicação de esforço (carga) modificam os ventres musculares porque alteram a fibra muscular, que aumenta de volume. O esforço correspondente a 50% da força máxima do músculo repetido algumas vezes ao dia por pelo menos 3 dias na semana faz aumentar rapidamente a força e a massa muscular.
Saiba mais
O aumento de massa muscular é chamado hipertrofia, enquanto a redução da massa muscular é chamada hipotrofia.
Mecanismo da contração muscular – unidade motora
Já sabemos que os músculos são formados por tipos diferentes de fibras musculares e que são capazes de realizar tipos diferentes de contração. Também sabemos que os músculos são ativados por impulsos elétricos que chegam pelos nervos (inervação).
Esses nervos são estruturados como cabos telefônicos e se distribuem dentro do músculo de forma organizada. Cada fibra nervosa ativa um conjunto determinado de fibras musculares. Esse conjunto é chamado de unidade motora.
Unidade motora
Número de fibras musculares inervadas por uma única fibra nervosa.
As unidades motoras variam em tamanho de acordo com a quantidade de fibras musculares inervadas pela mesma fibra nervosa.
Uma unidade motora pequena pode ter entre 3 e 5 fibras musculares nos músculos que realizam movimentos de precisão (movem o olho e os dedos da mão). Já uma unidade motora grande pode ter cerca de 2 mil fibras musculares nos músculos que realizam movimentos grosseiros (movem tronco e os membros inferiores).
As unidades motoras podem ser classificadas como lentas e rápidas, assim como as fibras musculares, porque são específicas para cada tipo de fibra muscular. As unidades motoras lentas estão relacionadas com as fibras musculares vermelhas de contração lenta e prolongada, já as unidades motoras rápidas estão relacionadas com as fibras musculares brancas de contração rápida e de força.
A força produzida por um músculo depende do número de unidades motoras que são ativadas durante a contração e de três propriedades das unidades motoras: velocidade de contração, força máxima e resistência à fadiga.
As unidades motoras são recrutadas por ordem decrescente de resistência à fadiga, ou seja, as unidades motoras mais resistentes à fadiga são recrutadas primeiro e produzem a força inicial para a execução de uma ação.
Os efeitos dos exercícios físicos dependem de sua intensidade e duração. Treinos curtos de alta intensidade (com carga) realizados poucas vezes por semana aumentam a velocidade de contração e a força da unidade motora. Do mesmo modo, treinos prolongados de baixa intensidade (sem carga) aumentam a resistência à fadiga.
Atenção
Recrutamento é o processo em que, gradativamente, mais unidades motoras são ativadas durante a realização de um movimento. Inicia com ativação das unidades motoras menores até as maiores. Para retornar ao repouso, o processo é invertido.
O primeiro tipo de treinamento é o treinamento de força e o segundo tipo é o treinamento de resistência.
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MÓDULO 3
Reconhecer os eventos do controle dos movimentos corporais
Você já tentou dançar um tango? Tentou tricotar? Lembra quando aprendeu a dirigir ou a tocar violão? No começo é difícil controlar o movimento, o ângulo correto da articulação e a quantidade de força. Com o tempo, vamos aprendendo. Tudo fica mais fácil, mais coordenado e, de repente, fazemos sem pensar. Como isso é possível? Vamos lá descobrir!
Controle do movimento
O sistema nervoso é responsável pelo controle dos movimentos tanto por sua parte central quanto por sua parte periférica.
A parte periférica do sistema nervoso são os nervos, que levam as informações para dentro dos músculos e trazem informações dos músculos, das articulações e da pele para dentro do sistema nervoso.
A parte central representada pelo encéfalo, e especialmente o cérebro, inicia, ordena, coordena e controla os movimentos por meio de mecanismos que determinam a força e a amplitude necessária para realizar cada tarefa ou atividade.
Para isso, o sistema nervoso precisa de informações sensoriais do meio ambiente e do próprio corpo, como a posição inicial de uma articulação.
Um mesmo grupo muscular pode ser ativado voluntariamente e involuntariamente, como nos reflexos. Cada modo de ativação está relacionado a uma região diferente do sistema nervoso.
Além disso, é preciso fazer o ajuste fino e coordenado entre os músculos agonistas e antagonistas durante a execução do movimento, um ajuste local que também é função do sistema nervoso.
Esse ajuste fino permite que, em uma articulação, por exemplo o cotovelo, quando o grupo flexor contrai, o grupo extensor alongue. Se os dois grupos se contraem ao mesmo tempo, o movimento não acontece.
Controle semelhante acontece em relação à postura para manter o equilíbrio do corpo no espaço, seja o equilíbrio estático ou o equilíbrio dinâmico.
Um fator que interfere nesse jogo de ajuste entre os músculos de uma articulação é o tônus muscular, uma função reflexa que discutiremos adiante.
Movimento voluntário
Um movimento realizado em uma sequência harmoniosa e adequada para alcançar um objetivo dentro de um contexto demonstra o conceito de PRAXIA.
A produção do movimento voluntário é um evento de quatro fases que representam quatro processos que podem se sobrepor. Essa produção depende de estruturas centrais e periféricas do sistema nervoso. São elas:
Condição interna da pessoa. A motivação pode ser uma emoção ou uma necessidade. Ex.: Levantar-se da cadeira para beber água.
Planejamento do movimento de acordo com o objetivo, respondendo à pergunta o que fazer. Se baseia em conceitos (É adequado? É seguro? É suficiente?). Ex.: Levantar-se da cadeira para beber água. É preciso acender a luz? Beber água gelada ou não? Beber no copo ou na caneca? Água da torneira ou da geladeira? Qual a amplitude do movimento e qual a direção da força?
Fase de preparação do movimento estabelecendo a sequência de ação. Determina a ordem em que os músculos serão ativados e por quanto tempo. Responde à pergunta como fazer.
Em nosso exemplo, levantar-se da cadeira e caminhar até a geladeira ou a pia aciona os músculos dos membros inferiores e do tronco. Pegar o copo e a garrafa de água aciona músculos do tronco e do membro superior, além de acionar também músculos do pescoço para manter a posição da cabeça enquanto bebemos a água.
Execução: realização propriamente dita do movimento.
A partir da execução do movimento, acontece uma retroalimentação do sistema (feedback) para corrigir possíveis erros na execução. Essa correção de erros é mais eficiente e mais rápida quanto maior for a experiência motora da pessoa.
Exemplo
Em nosso exemplo, pouca força para abrir a porta da geladeira é corrigida com aumento da força na mão, no punho e o cotovelo. Copo mais pesado que o esperado é corrigido com aumento da força na mão e no restante do membro superior com aumento da força para estabilização da mão.
Muitas vezes, durante a execução de um movimento, a programação é modificada para correção de um erro com base na correção de movimento ou tarefa semelhante. A memória é um processo importante nessa etapa para a correção de problemas com base em eventos anteriores.
Esse aproveitamento de correções de erros anteriores para novas correções representa o aprendizado motor.
Aprendizado motor
O aprendizado motor depende de diferentes funções do sistema nervoso: memória, informações sensoriais da pele, das articulações e dos músculos e informações motoras.
Aprendizado motor
O aprendizado motor descreve o processo de melhoria da execução de um movimento ou de uma tarefa pela repetição do movimento e correção de erros.
Durante o processo de aprender um movimento, pequenos blocos de informação vão sendo construídos e armazenados na memória. Cada bloco de informação é chamado engrama. Cada movimento realizado pelo corpo humano é o conjunto de muitos engramas.
Cada vez que um movimento é realizado e precisa ser corrigido, cria-se um engrama sobre o erro que foi corrigido. O cérebro utiliza esses engramas em diferentes situações.
Enquanto estamos aprendendo um movimento, sua execução é lenta e necessita de intenso uso da atenção. Conforme repetimos o mesmo movimento e os erros deixam de acontecer, o uso da atenção vai diminuindo até que o movimento se torna automático e sua execução passa a ser rápida e harmoniosa.
Áreas específicas do cérebro são ativadas durante o aprendizado motor. Essas áreas são ativadas junto a áreas relacionadas com a visão e a audição, que facilitam o aprendizado dependendo da preferência de cada pessoa.
A interação olho-mão é especialmente importante para o aprendizado e para a execução acurada de uma tarefa. Um exemplo disso é o uso do mouse. É preciso estabelecer uma relação entre o que acontece com o cursor na tela e os movimentos do mouse sob a mão. É preciso transformar a força aplicada sobre o mouse em movimento do cursor, com a interferência do atrito do mouse sobre seu apoio.
Isso é bastante interessante nas cirurgias em que o cirurgião utiliza dispositivos controlados por imagem de vídeo e realiza o procedimento sem olhar para o paciente.
A prática motora variada cria um grande número de engramas que podem ser aproveitados no aprendizado de novos movimentos e na criação de planos de contingência, como correção de erros ou situações de emergência.
Saiba mais
Isso acontece por causa da plasticidade dos circuitos neurais. Por exemplo, o copo molhado escorrega da mão e precisa ser segurado antes que caia no chão. Novos movimentos são rapidamente programados e executados junto com mudanças na posição do corpo no espaço.
Todos esses ajustes são arquivados na forma de engrama para serem utilizados em outras ocasiões.
Reflexos
Para finalizar o estudo sobre o controle dos movimentos do corpo, vamos analisar os reflexos, movimentos involuntários, rápidos e geralmente de pouca amplitude.
Um reflexo é uma resposta motora para um estímulo sensorial e, em geral, é resposta de defesa ou proteção, como fechar os olhos quando um objeto se aproxima deles, ajustar a postura quando escorregamos, retirar a mão quando sentimos proximidade com calor ou fogo, ou espirrar e tossir para proteger o sistema respiratório.
Os receptores podem ser encontrados na pele, na cápsula articular e nos tendões, no ventre muscular, na parede dos vasos sanguíneos, nas paredes da faringe e da laringe e na parede do estômago, por exemplo. Os estímulos podem ser térmicos (calor e frio), químicos e mecânicos (táteis, pressão).
Os reflexos ou respostas reflexas dependem de um conjunto de estruturas chamado arco reflexo.
Reflexo
Alguns reflexos são inatos, como o reflexo de sugar que permite que o bebê mame sem precisar aprender como fazer, ou o reflexo de preensão que faz o bebê fechar a mão quando sente o toque na palma de sua mão.
Receptores
A partir de um receptor ou órgão sensorial, a informação é levada até um centro nervoso, onde é processada rapidamente e desencadeia uma resposta que é levada pela fibra nervosa até o músculo ou órgão efetuador.
Arco Reflexo
Os reflexos não estão sob o controle da vontade, ou seja, não dependem do funcionamento do córtex cerebral. Eles podem ser utilizados durante o exame de um paciente para demonstrar o funcionamento correto da inervação.
A perda ou diminuição da resposta de um reflexo indica problemas em uma ou mais de uma estrutura do arco reflexo.
O tônus é um estado de tensão interna do músculo que não desaparece mesmo com o músculo em repouso. Essa tensão inicial do músculo permite a manutenção da postura e a execução dos movimentos com uma resposta rápida à chegada do estímulo nervoso.
Tônus
Uma função reflexa importante para o funcionamento do jogo agonista-antagonista nas articulações é o tônus.
No jogo articular do cotovelo, por exemplo, para que o movimento de flexão aconteça, os músculos extensores precisam ser estirados (alongados) e ceder a esse estiramento.
Se o tônus estiver aumentado, por exemplo, os músculos extensores não cedem ao estiramento e o movimento de flexão é realizado com dificuldade ou não acontece. Assim, é certo dizer que o tônus contribui para o ajuste fino dos movimentos voluntários.
Atenção
Se o músculo se torna hipotônico, terá maior dificuldade de iniciar uma contração e terá reduzida participação na estabilização de uma postura. Isso é bem observado na hipotonia dos músculos abdominais naquelas pessoas que apresentam aumento da lordose lombar.
Hipotônico
HIPERTONIA = aumento da tensão interna do músculo, o tônus muscular.
HIPOTONIA = redução da tensão interna do músculo, o tônus muscular.
Entendendo tônus, hipertonia e hipotonia e suas diferentes apresentações
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Conclusão
Considerações Finais
O aparelho locomotor permite que possamos interagir e interferir no meio ambiente. Além de ser responsável pelos nossos deslocamentos nos espaços cotidianos, ainda realiza os movimentos necessários para a execução de nossas tarefas diárias. Os movimentos voluntários são aprendidos pelo sistema de tentativa e erro. Uma vez aprendidos, esses movimentos se tornam automáticos.
Os músculos esqueléticos dependem de informações vindas do sistema nervoso central através dos nervos para realizar diferentes tipos de contração. A força muscular produzida depende de fatores variados como a sequência de ativação das unidades motoras, o nível de atividade e esforço físico habitual, além de fatores como o tônus e a oferta dos diferentes combustíveis para o metabolismo da fibra muscular.
Podcast
CONQUISTAS
Você atingiu os seguintes objetivos:
Identificou noções e aspectos gerais do aparelho locomotor, incluindo músculos, tendões, articulações e ossos.
Investigou o mecanismo da contração muscular.
Reconheceu os eventos do controle dos movimentos corporais.