Definição

Características dos detectores Geiger. Câmara de ionização e proporcional. Aplicação dos detectores gasosos. Características dos detectores de estado sólido.

PROPÓSITO

Conhecer as particularidades e características dos detectores gasosos e dos detectores de estado sólido. Compreender as suas aplicações na área industrial e em emergência radiológica.

OBJETIVOS

Módulo 1

Identificar características dos detectores gasosos

Módulo 2

Identificar características dos detectores de estado sólido

Introdução

Os detectores de radiações ionizantes, por meio do acoplamento de um sistema eletrônico, tornam possível registrar a presença de radiação, bem como sua quantificação ou caracterização.

Nos módulos a seguir, conheceremos as principais características de detectores gasosos e sólidos, assim como seus tipos e suas aplicações. Eles estão normalmente associados a um sistema eletrônico que lhes permite monitorar e quantificar a radiação ionizante apropriadas.

Quando selecionamos um tipo de detector (monitor de radiação), devemos saber detalhes como: a sua aplicação, o tipo de radiação, o nosso propósito para usá-lo, o intervalo de dose a ser medido e a energia da radiação. Assim, podemos selecionar os detectores mais apropriados para representar o que se quer medir ou quantificar.

Radiações ionizantes

Radiação alfa, beta e gama.

MÓDULO 1


Identificar características dos detectores gasosos

Características gerais de detectores

A principal função de um detector de radiação, como o próprio nome já sugere, é acusar a presença de radiação em determinado campo, por meio de interações como geração de cargas elétricas, sensibilização de filmes radiográficos, geração de luz visível e criação de buracos no material.

Para ser considerado um bom detector, segundo Tauhata et. Al (2013), o aparelho deve ser capaz interagir de modo apropriado com o tipo de radiação ionizante a ser quantificado e apresentar as seguintes características:

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Repetitividade

Grau de concordância dos resultados obtidos sob as mesmas condições de medição;

Reprodutibilidade

Grau de concordância dos resultados obtidos em diferentes condições de medição;

Estabilidade

Aptidão do instrumento em conservar suas características de medição ao longo do tempo;

Exatidão

Grau de concordância dos resultados com o “valor verdadeiro” ou “valor de referência” a ser determinado;

Precisão

Grau de concordância dos resultados entre si, normalmente expresso pelo desvio padrão em relação à média;

Sensibilidade

Razão entre a variação da resposta de um instrumento e a correspondente variação do estímulo; e

Eficiência

Capacidade de converter em sinais de medição os estímulos recebidos.

Assista ao vídeo Qualidade em detectores

Dentro da eficiência de um detector existem duas definições de eficiência:

Eficiência intrínseca

Ela pode ser obtida pela relação:

εintr = número de sinais registradosnúmero de radiações incidentes no detector

Onde εintr representa a eficiência intrínseca que será um valor no máximo igual a 1,0, representando que toda a radiação incidida em um detector foi registrada. Na prática, isso não ocorre, logo seus valores são menores que 1,0.

Alguns fatores influenciam a eficiência intrínseca e diferem de acordo com cada tipo de detector, sendo os mais comuns: o número atômico do elemento químico do material do detector, a tensão elétrica de operação do equipamento, sensibilidade da emulsão radiográfica (no caso de filmes) etc.

Eficiência absoluta

Ela é representada pela relação:

εabs = número de sinais registradosnúmero de radiações iemitidas pela fonte

Onde εabs representa a eficiência absoluta que será também um valor no máximo igual a 1,0, representando toda a radiação emitida pela fonte foi registrada no detector. Na realidade, isso não ocorre, sendo a eficiência absoluta um valor menor que 1,0.

Essa eficiência está relacionada às características do detector, às da fonte de radiação e à geometria do arranjo experimental usado.

Alguns fatores influenciam a eficiência absoluta, como a distância entre a fonte e o detector, o formato do feixe de radiação (radial ou colimado), além de aspectos que interferem na eficiência intrínseca.

Dica

Essas informações são importantes para entendermos os detectores de radiações ionizantes de modo geral. Agora, vamos entrar em mais detalhes relacionados aos detectores gasosos.

Modo de operação de detectores gasosos

São utilizados desde o início de experimentos para mensurar e quantificar as radiações ionizantes de maneira indireta.

A radiação ionizante pode causar excitação e ionização nos átomos do material que compõe o gás.

Na excitação, a radiação transfere pouca energia para um elétron orbital, suficiente apenas para retirá-lo de sua camada eletrônica e deslocá-lo para uma camada subsequente, de maior energia.

Na ionização, a radiação, ao interagir com os átomos do gás, transfere energia suficiente para retirar pelo menos um elétron, ionizando o átomo (íon positivo).

Desse modo, temos na ionização um par de íons, um elétron (íon negativo) e um átomo ionizado (um íon positivo).

Durante a mensuração da radiação, coleta-se os elétrons ou íons positivos por meio de um campo elétrico produzido pelo equipamento no gás, relacionando a radiação incidente com os elétrons ou íons gerados após a ionização.

Isso possibilita a quantificação da radiação ionizante com uma grandeza.

Modo de operação tipo corrente

Para produzir um par de íons em determinados tipos de gás (elétron e átomo ionizado), existe uma energia média. Durante a interação com a radiação, o átomo do gás é ionizado, geralmente, nas últimas camadas eletrônicas, onde a energia de ligação dos elétrons orbitais é da ordem de 10 a 20eV. Contudo, como não podemos garantir que toda ionização será nas camadas mais externas, o valor médio para formação de um par de íons é entorno de 20 a 45eV nos gases mais usados em detectores, conforme apresentado na tabela a seguir:

TABELA 1: Energia média para formação de um par de íons.

Gás

Valor W (eV / par de íon)

Elétrons rápidos

Partículas alfa

Ar não comprimido

26,4

26,3

He

41,3

42,7

H2

36,5

36,4

N2

34,8

36,4

Ar

33,8

35,1

O2

30,8

32,2

CH4

27,3

29,1

Fonte: adaptado de Tauhata et. al., 2013

Os pares de íons são coletados pelo circuito elétrico acoplado ao detector a gás. Durante a interação com o circuito, há uma alteração na quantidade de carga elétrica, a qual é transformada em sinal elétrico. Considerando essa quantidade de carga elétrica em um dado intervalo de tempo de medição, temos a geração de uma corrente elétrica (i = C/s, i=A). Essa operação que quantifica a corrente elétrica gerada é denominada de modo de operação tipo corrente.

Modo de operação tipo pulso

No modo de operação tipo pulso, o número de íons produzidos e coletados corresponde à intensidade (amplitude) do pulso gerado para o detector.

Saiba mais

Expressão: ∆V=R.∆I, onde ∆V é a variação da tensão, R é a resistência e ∆I é a intensidade do pulso de corrente proveniente da coleta de carga elétrica no detector (TAUHATA et. al., 2013).

Veremos a seguir uma representação gráfica dos detectores que descreve a relação entre a amplitude do pulso e a tensão elétrica (diferença de potencial) aplicada ao gás dentro de seu volume sensível. A amplitude do pulso está relacionada à quantidade de íons coletados. O gráfico demonstra a variação do número de pares de íons em relação à do campo elétrico, para duas radiações de mesmo tipo e de energias diferentes. É possível separar o campo elétrico aplicado em seis regiões, pelas características específicas de geração e coleta de carga produzida pela radiação ionizante.

Vamos conhecer essas regiões de tensão?

Regiões de operação para detectores a gás

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Região não proporcional

Essa região possui menor valor do campo elétrico gerado dentro do gás. Como a tensão elétrica é pequena, uma menor quantidade dos íons produzidos no gás é coletada no circuito elétrico do detector. A maior parte dos íons se combina, tornando-se átomos eletricamente estáveis. Isso faz com que a quantidade de carga coletada no circuito seja muito pequena, produzindo uma amplitude de pulso (quantidade de cargas coletadas no circuito do detector), a qual não é proporcional à quantidade ou energia da radiação que interagiu com o detector. Por essa razão, não é uma região de tensão elétrica recomendada para a operação dos detectores.

Saturação iônica

Aumentando um pouco a tensão, campo elétrico de operação do detector, chegamos à saturação iônica. Nessa região, todos os íons produzidos no gás pela radiação incidente são coletados pelo circuito do detector, assim o sinal elétrico passa a ser proporcional à energia da radiação incidente no detector. O valor do sinal permanece o mesmo para um determinado intervalo de valores da tensão elétrica, onde o fato de o circuito do detector coletar cargas elétricas não altera a amplitude do pulso. Veja que no gráfico anterior há uma variação da tensão elétrica (eixo X), enquanto a amplitude de pulso (eixo Y) permanece constante, sem alteração. Essa região de tensão elétrica é a de operação dos detectores denominados de Câmara de ionização.

Região proporcional

Aumentando um pouco mais a tensão elétrica, chegamos à região proporcional, onde o campo elétrico faz com que os elétrons gerados na ionização sejam acelerados e passam a ter energia alta o suficiente para retirar elétrons orbitais de outros átomos. Isso cria um maior número de pares de íons (elétrons e átomos ionizados), havendo então uma multiplicação de modo linear e proporcional ao número de pares de íons gerados pela radiação primária. No gráfico anterior, podemos ver uma reta crescente, representando o aumento da tensão de operação do detector (eixo X) e da quantidade de pulsos coletados no seu circuito (eixo Y). Esse intervalo de tensão é chamado também de região proporcional verdadeira, onde operam os detectores proporcionais. Há uma proporcionalidade linear nesse aumento. A carga elétrica gerada inicialmente pela radiação incidente é multiplicada por um fator de 102 a 104 vezes, dependendo do gás e da tensão aplicada, o que facilita o processamento do sinal gerado.

Região de proporcionalidade limitada

Aumentando ainda mais a tensão elétrica de operação, chegamos à região denominada de proporcional limitada. Nela, a multiplicação dos íons gerados devido ao aumento do campo elétrico não apresenta linearidade entre a relação do aumento da tensão com o da amplitude dos sinais coletados (quantidade de íons coletados). Os elétrons gerados pela multiplicação são rapidamente coletados no circuito (no anodo, lado positivo do circuito) enquanto os íons positivos se movem mais lentamente para serem coletados no lado negativo (anodo). Isso gera uma concentração grande de cargas elétricas positivas no lado negativo do circuito (catodo), alternando a forma do campo elétrico no detector.

Como as multiplicações subsequentes dependem do valor do campo elétrico, surge então a não linearidade. Isso afeta a proporcionalidade entre a tensão elétrica do detector e a amplitude do pulso gerado. Nessa região, os detectores não operam.

Região do Geiger-Müller

Aumentando mais um pouco a tensão chegamos à região denominada de Geiger-Müller, onde a tensão aplicada é alta o bastante para causar uma maior perturbação no campo elétrico a ponto de interromper o processo de multiplicação de íons. Isso faz com que o número de íons sempre seja da mesma ordem, independentemente da quantidade de pares criados pela radiação incidente, de modo que a amplitude de pulso coletado não dependa da energia da radiação incidente. Nesse intervalo de tensão, operam os detectores conhecidos como Geiger-Müller.

Região de descarga contínua

Aumentando ainda mais a tensão elétrica, ocorrem formações de centelhas no interior do detector (gás) sem nenhuma associação com o número de íons formados. Os detectores a gás não devem operar nesta faixa de tensão, pois podem ser danificados.

A seleção da diferença de potencial (tensão elétrica, campo elétrico) é bastante importante. Vimos que ela deve ser alta o suficiente para permitir a coleta de cargas elétricas produzidas antes da recombinação, mas não a ponto de causar descargas elétricas no gás. Sendo assim, existem apenas 3 regiões de tensão de operação onde os diferentes tipos e aplicações dos detectores a gás são construídos:

  • Região II – Saturação Iônica: região de operação dos detectores Câmara de Ionização;
  • Região III – Região Proporcional: região de operação dos detectores Proporcionais;
  • Região V – Geiger-Müller: região de operação dos detectores Geiger-Müller.

Detectores de câmaras de ionização

Devido à região de operação em que trabalham (região de saturação), para cada par de íons gerado pela radiação incidente dentro do volume sensível do detector, é produzido um sinal contabilizado. Ainda assim, a corrente elétrica coletada (Carga / tempo = C/s = A – Ampère) é muito abaixo da ordem de grandeza de pA – pico Ampère (=10-12A).

As câmaras de ionização normalmente são constituídas de gás onde as ionizações irão ocorrer. Por possuírem estabilidade ao longo do tempo, não precisam ser recalibradas, por este motivo são muito usadas como detector de referência em laboratórios de calibração. Vamos apresentar a seguir dois equipamentos bastante usados.

Canetas dosimétricas

As canetas dosimétricas são utilizadas para a monitoração individual, ou seja, quantificar a interação da radiação com uma pessoa, e devem ser usadas na parte central do tórax.

Esse equipamento é uma câmara de ionização, sendo carregado (zerado) com dispositivo externo. Devido à exposição à radiação, o equipamento perde carga elétrica e um fio de quartzo interno se move, indicando a quantidade de radiação à qual o indivíduo foi exposto. A visualização da quantidade de radiação pode ser feita por um sistema ocular direto que possui lentes que permitem observar a marcação do quantitativo na escala interna.

Atenção

É usado para dosimetria pessoal de leitura direta logo após a exposição à radiação.

Canetas dosimétricas à esquerda e carregador (para zerar as canetas) à direita.

Câmaras portáteis

As câmaras de ionização portáteis, construídas com ar ou um gás sob determinada pressão, são muito usadas para quantificação no modo taxa de dose (dose por unidade de tempo) e permitem medir também no modo dose. São bastante utilizadas para aplicações com exposições aos raios X e radiação gama.

Esse equipamento se destina inicialmente a quantificar a dose no ar, mas se construído com uma capa de material chamado tecido-equivalente (build-up), também é possível medir uma grandeza operacional para representar a dose efetiva, para fins de radioproteção.

Câmaras de ionização portáteis à esquerda com volume maior de gás e à direita com volume menor, porém pressurizada.

Há ainda as câmaras de ionização usadas em laboratórios de calibração, com volumes de gás interno de diferentes tamanhos para diversas aplicações ou faixas de taxas de doses. Também são usados para quantificações como determinação do tamanho do campo de irradiação. Esse equipamento precisa estar acoplado a um eletrômetro que permite quantificar o total de carga coletadas (C = Coulomb) ou a corrente elétrica gerada (A = Ampère) durante a irradiação.

Câmaras de Ionização de 30cc e de 1L, usadas em laboratório como equipamentos de referência para a calibração de monitores de radiação gama. Eletrômetro usado para a quantificação.

Detectores proporcionais

Esses equipamentos trabalham no modo pulso e têm sua detecção baseada na multiplicação dos íons no gás devido às ionizações secundárias. Desse modo, possuem a quantidade de amplitude de pulso maior do que das câmaras de ionização, sendo mais úteis para medir radiação onde o número de pares de íons é menor. Aplicam-se em espectroscopia de raios X e medições de radiação beta de baixa energia. Contadores proporcionais também são usados para medir radiações alfa e nêutrons.

Esses detectores correlacionam a energia da radiação incidente (J=Joule) com a tensão aplicada. Assim, conhecendo a massa de gás contida no seu interior, é possível a quantificação direta da grandeza da dose absorvida, que é energia depositada por unidade de massa J/kg = Gy.

Detectores Geiger-Müller

Os detectores Geiger-Müller são um dos modos mais antigos de quantificar radiação ionizante, sendo úteis até os dias atuais devido à sua simplicidade de construção e operação e baixo custo de produção. Esse equipamento funciona como um contador e não permite discriminar a energia da radiação incidente. Para cada radiação que interage no volume sensível do detector, são criados íons no gás na ordem de 109 pares, não havendo a necessidade de pré-amplificar o sinal a ser contado.

Embora tenha uma ótima relação sinal-ruído, ele é mais lento para estabilizar as contagens do que os outros 2 tipos de equipamentos. Detectores Geiger-Müller apresentam dificuldade maior em detectar radiação beta menos (elétrons), que são partículas carregadas.

Por essa razão, são construídos probes externas com janelas na forma de grades com espaçamento suficiente para permitir a melhor interação das partículas carregadas e facilitar sua chegada ao volume sensível do detector. Para radiação gama (fótons), a interação maior ocorre com a parte envoltória do volume sensível do detector, isso produz mais elétrons secundários e aumenta a contagem. Diferentemente dos detectores proporcionais e das câmaras de ionização, não permitem medir nenhuma grandeza radiológica nem a energia da radiação incidente.

Saiba mais

Por meio de artifícios metrológicos, no momento da calibração, é possível construir uma escala para estes equipamentos, usando como referência uma câmara de ionização que mede a dose ou a taxa de dose em uma dada posição afastada de uma fonte de Cobalto-60 de referência. Em seguida, troca-se a câmara de ionização pelo Geiger-Müller e anota-se os valores de contagem, substituindo os obtidos com a câmara de ionização de referência.

Artifícios metrológicos

Esses artifícios são feitos usando, na mesma posição, em um laboratório de calibração, um detector calibrado. Medimos o valor da quantidade de radiação, substituímos este detector calibrado pelo nosso e anotamos o mesmo valor para a quantidade de radiação medida no nosso equipamento.

Entenda mais sobre o tema com o vídeo Comportamento elétrico nos gases: tensão X região de operação

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MÓDULO 2


Identificar características dos detectores de estado sólido

Detectores de estado sólido

Detectores desse tipo não são construídos com substâncias líquidas ou gasosas e, normalmente, são semicondutores ou detectores cintiladores.

Os semicondutores são mais empregados em espectrometria de radiação. Ao sofrerem a interação da radiação ionizante, geram em seu material um elétron e um “buraco” (vacância na camada eletrônica da rede cristalina do material), ao invés de um elétron e um íon como ocorre no gás.

Desse modo, esse tipo de detector necessita de cerca de 10 vezes menos energia para produzir um elétron-buraco (um elétron livre e uma vacância na estrutura atômica do material onde a radiação está interagindo), em comparação com a necessidade de energia para produzir um par elétron-íon no gás.

Contudo, os semicondutores precisam de um sistema de resfriamento do detector, tornando-o mais caro e trabalhoso, razão de ser pouco empregado na radiologia. Além disso, esse sistema requer laboratórios muito especializados, com emprego muito específico na identificação de materiais radioativos em locais com pouca presença de substâncias radioativas, não havendo um emprego industrial para este tipo de detector.

Detectores cintiladores

Os detectores cintiladores não precisam de um sistema de resfriamento e transformam a maior parte da energia da radiação ionizante incidente em luz detectável em seu sistema.

As substâncias usadas em seus cristais possuem características principais, como, por exemplo, ter boa qualidade ótica, ou seja, a luz que ele produz, devido à interação da radiação, deve ser proporcional à energia depositada. Além disso, deve ser também facilmente moldável, de modo a produzir detectores de tamanhos e formas adequados.

Os detectores cintiladores são muito usados nas aplicações de proteção radiológica, nas atuações em aplicações industriais do uso de radiação ionizante e nas atuações de emergência radiológica.

São mais usados os detectores de materiais cintiladores inorgânicos, onde o mecanismo para produzir a cintilação depende dos estados de energia definidos pela rede cristalina do material do detector.

Dentro da rede cristalina desse tipo de material (isolantes e semicondutores), os elétrons podem ocupar algumas faixas discretas de energia, também denominadas de bandas de energia:

  • A banda de valência representa os elétrons ligados à rede cristalina do detector;
  • A banda de condução representa a região em que os elétrons têm energia cinética suficiente para percorrer o cristal do detector;
  • A banda proibida é uma região intermediária entre as duas bandas anteriores, região onde os elétrons não deveriam estar presentes.

Saiba mais

Contudo, quando certas substâncias são introduzidas em um cristal, que chamamos de dopagem ou ativador, esse material introduzido cria regiões especiais na rede cristalina, bem como na região da banda proibida.

Assista ao vídeo Semicondutores

A radiação incidente, ao interagir com os elétrons presentes na banda de valência do cristal, fornece energia suficiente para que estes caminhem para a banda proibida, devido à presença da substância ativadora. Nesse caso, os elétrons foram excitados e, por conservação de energia, irão retornar à banda de valência emitindo a diferença de energia existente entre essas bandas, energia esta emitida na forma de fótons que se propagam pela rede cristalina.

A quantidade de fótons produzidos é proporcional à de energia da radiação incidente. A eficiência de detecção depende da radiação incidente e do material usado no detector.

Os detectores cintiladores possuem uma válvula fotomultiplicadora, que serve para aumentar a quantidade de fótons gerados devido à interação da radiação incidente, melhorando o processo de quantificação.

Os principais elementos físicos dos cintiladores são o fotocatodo e a estrutura de multiplicação dos elétrons. O fotocatodo tem a função de transformar os fótons de luz gerados no cristal em elétrons, ambos em baixa quantidade. Desse modo, o sinal gerado será ineficiente para a quantificação da radiação incidente.

Os dinodos oferecem energia aos elétrons que chegam e os multiplicam. Assim, sucessivamente, os elétrons conseguem retirar ainda mais elétrons no próximo dinodo.

Desse modo, a quantidade de elétrons é multiplicada de tal maneira que há carga suficiente para produzir um pulso de tensão que será coletado no anodo da fotomultiplicadora. Essa multiplicação de elétrons é também chamada de emissão secundária (TAUHATA et. al., 2013).

Os detectores atualmente mais usados no Brasil possuem cristais de:

Clique nos itens a seguir. Clique nos itens a seguir.
NaI(Tl)

Iodeto (I) de Sódio (Na) ativado com Tálio (Tl);

CsI(Tl)

Iodeto (I) de Césio (Cs) ativado com Tálio (Tl);

LaBr

Brometo (Br) de Lantânio (La).

Os equipamentos que possuem detectores de CsI(Tl) são eficientes com cristais pequenos, por isso possuem dimensões menores se comparados àqueles que usam NaI(Tl), onde o detector deve ter um maior volume. Já os de LaBr ficam em uma dimensão intermediária, mais próximo do NaI(Tl).

Veja a seguir equipamentos que usam esse tipo de detector e são usados em atividades de emergência radiológica.

Filmes dosimétricos e TLD

Filmes dosimétricos e TLD também podem ser considerados detectores sólidos. Ambos são empregados em dosimetria pessoal, visando avaliar a quantidade de radiação que chega a um profissional exposto – IOE. Devido aos avanços do TLD, os filmes dosimétricos não são mais usados para esse fim, ainda assim vamos conhecer um pouco mais a respeito deles.

TLD

Do inglês Thermoluminescent dosimeter, que significa detectores termo luminescentes.

Os filmes dosimétricos são emulsões fotográficas usadas em pequena dimensão, normalmente 3cm x 4cm, colocadas dentro de embalagens plásticas. Também chamadas de badges, essas camadas permitem a colocação do sistema dosimétrico no tórax do IOE, o qual deve ser usado em atividades profissionais em áreas controladas, onde há fontes de radiação ionizante. Esse sistema é composto por dois filmes sensíveis à radiação ionizante, sendo um de alta sensibilidade e outro de baixa sensibilidade, para quantificar radiações de baixa e alta energia. Por meio de filtros metálicos, a radiação incidente é adequadamente filtrada, gerando diferentes valores de densidades óticas nos filmes. Isso permite a quantificação da relação da densidade ótica obtida com a dose absorvida de radiação, quantificando assim a radiação à qual o IOE foi submetido em um mês.

Os detectores TLD também são muito utilizados para quantificar a dose dos indivíduos expostos. A maioria dos laboratórios credenciados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) utiliza o TLD para dosimetria pessoal dos IOE por serem baratos e terem sistema relativamente fácil de leitura, apresentando resultados muito bons na quantificação da dose.

Os cristais termoluminescentes têm a dimensão da ordem de 0,3cm x 0,3cm. São construídos com um material cristalino e contém ativadores com a função de criar imperfeições na rede do cristal, criando armadilhas para capturar os elétrons gerados devido à interação da radiação incidente. Os elétrons gerados são mantidos nestas armadilhas até o cristal ser aquecido e, em razão da energia térmica, retornam à sua posição inicial. Assim, é emitida a diferença de energia na forma de fótons na faixa de alguns eV (faixa de energia da luz visível), permitindo a quantificação da radiação ionizante incidente, a dose.

As principais substâncias usadas para produzir detectores de TLD são:

Clique nos itens a seguir. Clique nos itens a seguir.
CaSO4:Dy

sulfato de cálcio dopado com disprósio;

CaSO4:Mn

sulfato de cálcio dopado com manganês;

LiF

fluoreto de lítio;

CaF2

fluorita.

No Brasil os mais usados são CaSO4:Dy e LiF.

Esse tipo de detecção necessita de um leitor de cristais TLD, onde o equipamento faz o aquecimento dos cristais de maneira controlada. Uma válvula fotomultiplicadora transforma o sinal luminoso em sinal elétrico, e um sistema que quantifica a luz a transforma em dose.

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Conclusão

Considerações Finais

Neste tema, abordamos a maneira como podemos detectar a radiação ionizante e quantificar a sua interação com diferentes materiais, inclusive com o ser humano. Esse é um assunto muito importante para todos que trabalham expostos à radiação, por essa razão há diferentes detectores para os mais diversos propósitos. Deve-se ter em mente em qual região cada detector trabalha, a fim de especificar o equipamento certo para a grandeza correta. Os detectores gasosos são normalmente de custo menor. Já os detectores de estado sólido, os cintiladores, são de custo um pouco mais elevado, contudo possuem menor tempo de resposta e melhor eficácia, além de serem usados como identificadores do radioisótopo emissor.

Antes de selecionar ou usar um equipamento, recomendamos que sempre sejam feitas as seguintes verificações: o que deseja medir, qual tipo de radiação e o resultado esperado. Isso lhe possibilitará selecionar o equipamento com o detector apropriado.

Podcast

CONQUISTAS

Você atingiu os seguintes objetivos:

Identificou características dos detectores gasosos.

Identificou características dos detectores de estado sólido.