Descrição

Estudo das deformações elásticas em estruturas estaticamente determinadas ou indeterminadas. Apresentação do Estado Plano de Tensões (EPT) e duas condições particulares: o das tensões principais e o da tensão cisalhante máxima. Descrição do método gráfico (Círculo de Mohr) no estudo das tensões.

PROPÓSITO

Compreender a variação longitudinal de corpos carregados axialmente estando na condição estática determinada ou indeterminada, como também o estado plano de tensões e suas equações para rotacionar o ponto da estrutura em estudo, e apresentar o estudo por meio do Círculo de Mohr.

Preparação

Antes de iniciar a leitura, tenha em mãos papel, caneta e uma calculadora científica ou use a calculadora de seu smartphone/computador.

OBJETIVOS

Módulo 1

Descrever o princípio de Saint-Venant e a deformação elástica de elementos estaticamente determinados

Módulo 2

Calcular a deformação elástica de elementos estaticamente indeterminados

Módulo 3

Descrever o estado plano de tensão e a transformação de tensão no plano

Módulo 4

Descrever o Círculo de Mohr

TAGS

elementos estaticamente indeterminados, Saint-Venant, estado plano de tensões, tensões principais e Mohr

BEM-VINDO AO ESTUDO DO ESTADO PLANO DE TENSÃO

MÓDULO 1


Descrever o princípio de Saint-Venant e a deformação elástica de elementos estaticamente determinados

Introdução

As grandezas denominadas tensões médias normal (σ) ou cisalhante (τ), assim como as  grandezas deformações médias normal (ε) e cisalhante (γ), relacionam-se matematicamente pela Lei de Hooke (σ = E.ε ou τ= G.γ), na qual E e G são constantes características de cada material. 

Neste módulo, será estudado o alongamento elástico de um corpo sob carregamento axial a partir das grandezas citadas e da Lei de Hooke. É importante ressaltar que o problema é estaticamente determinado e que o carregamento não precisa ser único.

Princípio de Saint-Venant

Princípio em homenagem ao cientista francês Barré de Saint-Venant (ver figura 1) que pela primeira vez o observou na metade do século XIX. Para o entendimento desse preceito, um artifício didático utilizado por vários autores, dentre eles o Hibbeler, em sua obra Resistência dos Materiais, é supor uma barra de seção reta retangular engastada ao chão e, na extremidade livre, a aplicação de uma força F no centroide da seção reta. 

Em termos gerais, a deformação é bem localizada no ponto de aplicação e no engastamento, levando a deformações distintas ao longo de um plano paralelo ao chão. Por meio da Lei de Hooke, acontece o mesmo com as tensões. Contudo, à medida que o plano paralelo se afasta dos dois pontos de deformações, elas vão se tornando mais constantes, ou seja, a deformação no plano é praticamente contínua. Novamente, pelo fato de deformação e tensão serem diretamente proporcionais (Lei de Hooke), efeito similar ocorre com a tensão. Observe a figura 2.

Figura 2 – Aplicação de uma força axial em uma barra. Fonte: autor

No plano 1_1’, próximo ao ponto de aplicação, as tensões distribuem-se de maneira irregular, enquanto no plano 2_2’, afastado do ponto de aplicação, a tensão é mais uniforme e confunde-se, matematicamente, com a tensão normal média, ou seja, σm= FA.

Em resumo, o princípio de Sant-Venant afirma que, à medida que o plano vai se afastando do ponto de aplicação da força, vai ocorrendo uma atenuação na curva que descreve a tensão, até que essa função se torna constante.

Deformação elástica de elementos estaticamente determinados

Suponha uma barra engastada em uma das extremidades de comprimento L. Tomando-se um eixo, a partir da extremidade engastada, como x paralelo ao eixo longitudinal da barra, a deformação sofrida por esta dependerá da Lei de Hooke.

Clique nas informações a seguir. Clique nas informações a seguir.

Etapa 01

Inicialmente, será considerada a situação mais genérica possível, isto é, a área da seção reta, a força e o módulo de elasticidade variam ao longo de x, ou seja, são funções A = A(x), F = F(x) e E = E(x).

Etapa 02

O estudo matemático se fará a partir de uma fatia infinitesimal da barra de comprimento dx. Nesse ponto, a força atuando na área A(X) será dada por F(X). Suponha que a elongação desse infinitésimo da barra tenha uma variação infinitesimal de comprimento d(δ). A partir da Lei de Hooke (σ = E.ε), da tensão média normal σm= FA e da deformação média normal εm= LL0 e, utilizando os valores para o infinitésimo da barra, obtemos:

σ = E.ε (*)

Etapa 03

Substituindo as expressões de  σm e εm em (*), temos:

F(x)A(x)=E(x) .  d(δ)dx (**)

Organizando a equação (**):

Fx.dxAx.E(x) = d(δ)

Integrando a expressão anterior, encontra-se a equação 1:

δ=0LFx.dxAx.E(x)    equação 1

Em muitas situações, a seção reta é constante, assim A(x) = A, a força aplicada em uma das extremidades livre é constante e o material homogêneo de tal forma que seu módulo de elasticidade ou de Young E é constante. Sendo assim, a equação 1 pode ser simplificada, originando a equação 2 para os casos em que as situações particulares foram descritas.

δ=0LFx.dxAx.E(x).   δ = FA.E.0Ldx  δ= FA.E.x    (integrando de 0 a L)

δ= F . LA . E  (Equação 2)

Exemplo 1

Considere uma barra de aço (ver figura 3) de comprimento de 4 m, seção reta 350 mm2 e módulo de elasticidade E = 200 GPa. A barra encontra-se engastada no teto quando uma 70 kN é aplicada axialmente. Desconsiderando o peso da barra, determine o aumento de seu comprimento.

Figura 3 - Ilustração para Barra de Aço. Fonte: O autor
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Inicialmente, lembrando-se que 1 Nmm2 equivale a 1 MPa e 200 GPa = 200.000 MPa, a partir da equação 2, substituindo os valores apresentados, temos:

δ= F.LA.E = (70.000) .  (4)(350) .  (200.000)=0,004 m = 4 mm

É possível imaginar que uma barra seja a união de várias barras com seções retas constantes e distintas entre si, assim como o material de cada barra apresenta um módulo de elasticidade (E) próprio. Ademais, novas forças axiais podem ser aplicadas à barra. A equação 2 continua válida desde que aplicada para cada uma das partes em que os valores de F, A e E sejam constantes. Assim, é necessário fazer a divisão da barra para garantir tal condição e aplicar a equação 3.

δ= F.LA.E    (Equação 3)

Comentário

A convenção adotada para tensões compressivas (negativas) e tensões trativas (positivas) deve ser utilizada, assim como para as variações no comprimento da barra. Negativo para contrações e positivo para alongamentos.

Para que essa aplicação fique compreendida perfeitamente, um exemplo numérico será realizado.

Exemplo 2

Suponha a figura 4, a seguir, na qual duas barras de aço (1_2 e 2_3) têm áreas da seção reta iguais a 1.200 mm2 e 1.800 mm2. O módulo de elasticidade E para esse aço é de 200 GPa e os comprimentos das barras são 1 m e 1,5 m. As forças aplicadas são mostradas no desenho. 

Determine o deslocamento do ponto superior 1, em relação ao chão.

Figura 4 - Ilustração para Deslocamento de Barras de Aço. Fonte: O autor
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Inicialmente, para o equilíbrio, age uma força vertical para cima de 360 kN na base da coluna (600 – 240). Efetuando-se cortes na barra 1_2 e na barra 2_3 e desenhando seus DCLs, temos:

Figura 5 - Ilustração para Deslocamento de Barras de Aço 2. Fonte: O autor

Aplicando a equação 3 e a convenção de sinais ( - 600 kN e - 360 kN), obtemos:

δ= F.LA.E=F1.l1A1.E+F2.l2A2.E

Substituindo os valores:

 δ= (-600.000). (1)1200.(200.000)+(-360.000).(1,5)(1800).(200.000)=- 0,004 m=- 4 mm

Perceba que o sinal negativo da variação no comprimento revela que houve uma compressão e, então, 1 se aproxima do chão em 4 mm.

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Mão na Massa

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Teoria na prática

Um engenheiro deverá apoiar uma viga horizontal de 6 m de comprimento com peso distribuído uniformemente de 20 kN/m, conforme a figura. Suponha que as barras sejam verticais e de mesmo comprimento L = 1,5 m. O material de cada barra tem módulo de elasticidade E = 80 GPa e seção reta quadrangular de 5 cm x 5 cm. Por questões de projeto, as barras devem ter uma diminuição de comprimento máxima de 1,0 mm. A pergunta que o engenheiro necessita responder é se nas condições descritas a condição do projeto é satisfeita.

Fonte: Autor
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Deformação elástica como limite para um projeto

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MÓDULO 2


Calcular a deformação elástica de elementos estaticamente indeterminados

Introdução

Na Engenharia, dois tipos de estruturas são muito comuns: a isostática e a hiperestática. Em linhas gerais, nas estruturas isostáticas, o número de incógnitas é igual ao número de equações do equilíbrio. Por exemplo, para carregamentos no plano, três são as equações do equilíbrio: duas para translação (Fx=0 e Fy=0) e uma para rotação (Mz=0. Dessa forma, três incógnitas surgem nas estruturas isostáticas. Porém, nas estruturas hiperestáticas, o número de incógnitas é maior que as três equações do equilíbrio equilíbrio (ver figura 6). Assim, uma ou mais equações deverão ser adicionadas para solucionar o problema, como as leis de compatibilidade geométrica, equações constitutivas etc.

Figura 6 - Imagens Ilustrativas para estruturas com vigas.

Na figura 7, há exemplos de vigas isostática e hiperestática. Perceba que na primeira barra existem apoios de primeiro e segundo gênero, ou seja, três incógnitas. Utilizando-se as três equações do equilíbrio, o problema pode ser resolvido. É uma estrutura isostática. Na segunda barra da figura, são dois apoios de segundo gênero, isto é, quatro forças (incógnitas). Com apenas as três equações do equilíbrio não é possível resolver o problema. Trata-se, portanto, de uma viga biapoiada hiperestática.

Figura 7 - Vigas isostática e hiperestática. Fonte: o autor

Neste módulo, a partir da deformação elástica estudada no módulo 1, mais uma equação poderá ser escrita e, assim, o problema resolvido.

Estudo de estruturas planas hiperestáticas

Será feito um breve estudo, por meio de um exemplo, apresentando uma estrutura simples, a fim de que a metodologia de resolução para estruturas hiperestáticas seja compreendida. Suponha uma barra AB de comprimento 4 m engastada em duas paredes de peso desprezível. Uma força F de 40 kN passa a atuar no ponto C, tal que AC = 1 m, determine as reações nas paredes. Observe a figura 8 a seguir.

Figura 8 - Ilustração para reação nas paredes. Fonte: O autor

Desenhando o DCL da barra AB (ver figura 9), temos:

Figura 9 - Ilustração para reação nas paredes 2. Fonte: O autor

Equilíbrio na horizontal:

Fx=0  - FA+40- FB=0 FA+ FB=40 (*)

Há a necessidade de mais uma equação para resolver o problema que possui uma equação e duas incógnitas (FA e FB).

Equação da compatibilidade geométrica: a barra não sofre deformação total, ou seja, a seção A não se desloca em relação à seção B, isto é, δA/B=0.

Agora, cada parte da barra será seccionada (à direita e à esquerda da força F). Observe as figuras abaixo.

Fonte: Autor

Do equilíbrio de cada DCL, temos que a soma algébrica das forças na horizontal é nula, isto é:

Fx=0  -FA+ F1=0 FA= F1

e

Fx=0  F2- FB=0 F2= FB

Cada parte da barra, à esquerda e à direita do ponto C de aplicação de F, terá uma variação no comprimento tal que o comprimento total da barra seja nulo. Pelos sentidos arbitrados, uma das partes terá um aumento no comprimento (tração) e a outra parte uma contração (compressão) de valores, em módulos iguais.

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Para a parte AC:

δ= FA.LACA.E  (**)

Para a parte BC:

δ'= -FB.LBCA.E  (***)

Da compatibilidade geométrica,

δ+δ'=0  (****)

Substituindo (**) e (***) em (****), temos:

FA . LACA . E-FB . LBCA . E=0 FA . LAC= FB . LBC (*****)

Em (*****), substituindo os valores de AC e BC, temos:

FA= FB . 3

Na equação (*), temos:

FA+FB=403 . FB+FB=40 FB= 10 kN

Logo FA=30 kN

Conhecendo a área A da seção reta da barra e o módulo de elasticidade E do material, as equações (**) e (***) determinam as deformações em cada parte da barra. 

Cabe ressaltar que, na equação (*****), a simplificação foi possível por considerar a barra constituída de um mesmo material (E) e a seção reta (A) ser constante.

Estudo da deformação elástica de estruturas planas hiperestáticas

No item anterior, foi possível determinar para uma estrutura hiperestática as forças de reação a partir das equações do equilíbrio (duas estavam satisfeitas e uma envolvia duas incógnitas), pois pudemos escrever uma equação de compatibilidade para o problema proposto. Com as duas equações foi possível determinar as reações.

Comentário

Caso mais dados fossem apresentados no problema, como, por exemplo, a seção reta A e o coeficiente de elasticidade do material E, as deformações sofridas por partes da barra poderiam ser determinadas.

Neste item, o procedimento é análogo, exceto pelo fato de também determinarmos as deformações em cada parte da barra.

No exemplo do item Estudo de estruturas planas hiperestáticas, suponha que a área da seção reta seja 20 mm2 constante e que o módulo de elasticidade do material seja igual a 200 GPa. Determine a variação no comprimento de cada parta da barra, ou seja, AC e BC. 

A partir das equações  (**) e (***) já descritas e os valores encontrados para as reações, temos:

Para a parte AC:

δ= FA.LACA.E(30.000) . (1000)20 . (200.000)=7,5 mm

Para a parte BC:

δ'= -FB.LBCA.E-10.000.(3000)20. (200.000)=- 7,5 mm

Note que a deformação total da barra é nula.

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Teoria na prática

Uma barra metálica horizontal com peso desprezível é perfeitamente encaixada entre duas estruturas quando sobre ela não atua nenhum carregamento. A barra AB tem 4 m de comprimento. Duas cargas horizontais de 80 kN e 60 kN nos pontos C e D, tais que AC = BD = 1 m. Por questões de projeto, as estruturas não podem estar submetidas a esforços maiores que certos valores definidos. Um estagiário recebeu a incumbência de determinar as reações nas estruturas, quando a barra está carregada, e procurou mais informações a respeito da barra, descobrindo que sua área da seção reta é 200 cm2 e o módulo de elasticidade do material igual a 180 GPa. Observe a figura abaixo, quando a barra se encontra carregada:

Fonte: Autor
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Estrutura estaticamente indeterminada – cálculo das reações a partir das deformações

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MÓDULO 3


Descrever o estado plano de tensão e a transformação de tensão no plano

Introdução

Suponha um corpo em equilíbrio e o estudo das tensões (normal e cisalhante) em algum ponto deste. A partir de um volume infinitesimal (dV) de arestas dx, dy e dz e, partindo do princípio de que a parte do todo também se encontra em equilíbrio, um modelo físico genérico é criado com todas as tensões atuantes nas seis faces do volume dV. Dessa forma, são aplicadas as tensões normais (σx, σy e σz) e as tensões cisalhantes (τxy, τyx, τzx, τxz, τzy e τyz). Esse é o denominado estado geral de tensões. A figura 11 representa a descrição do estado geral de tensões.

Figura 11 – Estado geral de tensões. Fonte: o autor

Observe que no elemento infinitesimal escolhido para o estudo, as tensões atuam nas suas seis faces, aos pares, em faces opostas e com sentidos opostos. Atente para os eixos x, y e z destacados.

Estado plano de tensões

No item anterior, foi feita a descrição de um estado genérico para as tensões atuantes num elemento de um corpo (o estado geral de tensões). Na Engenharia, em muitas situações é possível fazer uma modelagem física mais simples. A partir deste item, será apresentado um caso particular do estado geral, o denominado Estado Plano de Tensões (EPT). Como afirma Hibbeler em sua obra Resistência dos Materiais, é frequente que os engenheiros façam simplificações no carregamento sobre uma estrutura, a fim de que a análise de tensões seja feita em um único plano.

Atenção

Na figura 11, suponha um carregamento sobre o corpo, tal que torne nulas algumas tensões, permanecendo diferentes de zero apenas as tensões pertencentes a um plano paralelo ao referente a xy. Nesse caso, dizemos que o estado de tensões é plano.

A figura 12 mostra esquematicamente o mesmo volume infinitesimal de estudo neste estado. Perceba que este estado é caracterizado por dois pares de tensões normais e quatro componentes de tensões cisalhantes com mesmo módulo. Na representação, as tensões normais são σx e σy e a tensão cisalhante τxy. Para outros planos, por exemplo, paralelo a xz, as tensões normais serão σx e σz e a cisalhante τxy. Ademais, é possível fazer a análise a partir de uma visão bidimensional, que torna mais simples sua representação no plano.

Observe que na figura anterior, todas as tensões atuantes no volume infinitesimal pertencem a um mesmo plano paralelo à base desse elemento, ou seja, paralelo ao plano xy. Como já foi descrito para o estado geral de tensões, no estado plano, as tensões agem aos pares, em sentidos opostos. Nessa situação, em apenas quatro das seis faces do elemento infinitesimal de estudo. Em termos prático, muitas vezes o estado plano é descrito pelas tensões normais σx e σy  e a tensão cisalhante τ = τxy= τyx

Observe na figura 13, o mesmo estado plano de tensões da sob uma óptica a partir da face superior do elemento infinitesimal.

Figura 13 – Vista superior do estado plano de tensões. Fonte: o autor

Convenção de sinais para as tensões

A figura 13 mostra o estado plano de tensões em que todas as tensões são positivas. Note que as tensões normais serão positivas quando estiverem “saindo” da superfície (trativas) e, negativas, quando estiverem “entrando” na superfície, ou seja, compressivas. Em relação às tensões cisalhantes, as faces à direita e superior serão tomadas como referências. 

Observando a figura, a tensão cisalhante atuante na face à direita encontra-se para cima, ou seja, acompanha o sentido do eixo y. É convencionada como positiva. A tensão que atua na face superior atua para a direita, isto é, acompanhando o sentido de x. Ambas são positivas. As demais tensões cisalhantes atuam no sentido de preservar o equilíbrio do elemento em estudo, ocorrendo aos pares: a da face esquerda “atua para baixo” e a da face inferior “atua para a esquerda”. Essas duas últimas são nos sentidos opostos dos eixos. Qualquer situação distinta, leva a valores negativos para as tensões.

Transformação de tensão no plano

A ideia básica deste item é que um mesmo elemento de estudo adotado no estado plano de tensões (σx , σy e τ = τxy),  tendo como par de eixos xy, sofrerá uma rotação de um ângulo θ e o  par de referência também. Nessa nova posição, os eixos serão denominados x’ e y’. Quando se iniciou o estudo do corpo, ele estava sob determinado carregamento e equilíbrio. O primeiro elemento de estudo também se apresentava equilibrado estaticamente. Após a rotação, o elemento encontra-se em equilíbrio e sob o mesmo estado de tensão (σx’ , σy’ e  τ’= τx’y’). A figura 14, mostra a descrição anterior da rotação do elemento (plano xy) de um ângulo θ plano (x’y’).

Figura 14 – Rotação do elemento de estudo. Fonte: o autor

Note que para o novo par x’y’ a face A’B’ continua à direita do elemento de estudo, estando x’ perpendicular e y’ ao longo (tangente) dessa mesma face. 

Após a percepção geométrica da rotação do elemento de estudo de um ângulo θ, é necessário conhecer as expressões matemáticas que determinam as novas tensões (σx’ , σy’ e τx’y’). Assim, a partir do conhecimento dos valores de σx , σy , τxy e θ, é possível, matematicamente, chegar-se aos valores de σx’ , σy’ e τx’y’

As equações 4, 5 e 6 mostram como determinar as tensões no elemento de estudo rotacionados a partir dos valores conhecidos para o primeiro elemento de estudo.

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Equação 4

σx'=σx+σy2+σx-σy2 . cos2θ+τxy . sen(2θ)

Equação 5

σy'=σx+σy2-σx-σy2 . cos2θ-τxy . sen(2θ)

Equação 6

τx'y'=-σx-σy2 . sen2θ+τxy . cos(2θ)

Com a intenção de auxiliar no entendimento das equações 4, 5 e 6 para a transformação do estado plano de tensões, será realizado um exemplo numérico. 

Somando-se as equações 4 e 5, temos: σx+σy=σx'+σy'.

Exemplo: Considere um elemento infinitesimal no estado plano de tensões com as tensões, conforme a figura 15. Determine o estado plano de tensões quando o elemento infinitesimal é rotacionado de 600 no sentido anti-horário.

Figura 15 – Ilustração para exemplo de plano de tensões. Fonte: O autor

É preciso perceber, pela convenção adotada, que todas as tensões são positivas. Rotacionando o elemento de estudo de 600 no sentido anti-horário, temos a ilustração da figura 16.

Figura 16 – Ilustração para exemplo de plano de tensões 2. Fonte: O autor

Note que o ângulo também θ = 600 também é positivo. Substituindo os valores de σx , σy , τxy  e θ aplicando as equações 4, 5 e 6, temos:

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σx'=σx+σy2+σx-σy2 . cos2θ+τxy . sen(2θ)

σx'=10+202+10-202 . cos120+5 . sen(120)

σx'=15-5 . (-0,5)+5 . (0,866)

σx'=21,8 MPa

σy'=σx+σy2-σx-σy2 . cos2θ-τxy . sen(2θ)

σy'=10+202-10-202 . cos120-5 . sen(120)

σy'=15+5 . -0,5-5 . (0,866)

σy'=8,2 MPa

τx'y'=-10-202 . sen120+5 . cos(120)

τx'y'=5 . (0,866)+5 . (-0,5)

τx'y'=1,8 MPa

Tensões normais principais e tensão de cisalhamento máxima no estado plano de tensões

Vimos a rotação de um ponto de estudo e a determinação das tensões nesse estado plano de tensões. Existe um ângulo θP em que as tensões normais são extremas (máxima e mínima). Nessa situação, essas tensões são ditas principais e a tensão de cisalhamento é nula. A partir da equação 4, derivando-a em relação à variável θ e igualando-se a zero, determina-se o ângulo θP, cuja expressão é apresentada na equação 7.

tg(2θP)=2.τxy(σx-σy)       (Equação 7)

Da trigonometria, no intervalo 0  θ 2π, a equação 7 terá duas raízes, ou seja, dois valores para θP cuja diferença é igual a 900

Uma vez que θP é conhecido, fazendo a substituição nas equações 4 e 5, temos a equação 8 para a determinação das tensões principais.

σmáx , σmín=σx+σy2  (σx-σy2)2+τxy2        (Equação 8)

No exemplo do item anterior, determinar as tensões principais (ver figura 17).

Figura 17 – Ilustração para exemplo de plano de tensões 3. Fonte: O autor
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É preciso perceber, pela convenção adotada, que todas as tensões são positivas. O próximo passo é determinar o ângulo θP a partir da equação 7.

tg(2θP)=2.τxy(σx-σy)

tg2θP=2 . 510-20=10-10=-1

tg2θP=-1  2θP=arctg(-1) 

2θP=-450 θP=-22,50

Substituindo os valores das tensões na equação 8, temos:

σmáx , σmín=10+202 ± (10-202)2+(5)2

σmáx , σmín=15±50

σmáx=22,1 MPa    e     σmín= 7,9 MPa

A tensão cisalhante máxima é determinada de maneira análoga à metodologia para a determinação das tensões principais. Inicialmente, determina-se a inclinação em que essa situação ocorre e, após, substitui o valor do ângulo na equação 6. Derivando-se a equação 6 em relação à variável θ e igualando-se a zero, temos a equação que determina a inclinação θs para a tensão cisalhante máxima.

tg(2θs)=(σy-σx)2.τxy

Uma vez que θs é conhecido, fazendo a substituição na equação 6, temos a equação 9 para a determinação da tensão cisalhante máxima.

τmáx= (σx-σy2)2+τxy2            (Equação 9)

Comentário

Quando o estado plano de tensão é tal que a tensão de cisalhamento é máxima, também ocorre tensão normal no elemento em estudo de valor dado por σmédia=σx+σy2

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Mão na Massa

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Teoria na prática

Um projeto apresenta uma das vigas como principal elemento estrutural. Sob dado carregamento, um ponto na superfície dessa viga encontra-se no estado plano de tensões. O ponto em questão é apresentado na figura a seguir:

Fonte: Autor

Para fazer a análise nessa viga, é preciso descobrir o estado plano de tensões principais desse ponto.

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Aplicação do cálculo das tensões principais no estado plano de tensões

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MÓDULO 4


Descrever o Círculo de Mohr

Introdução

No módulo anterior, foi iniciado o estudo de tensões para um ponto genericamente. Por questões práticas, optou-se pelo estudo plano de tensões, com grande aplicação na Engenharia. A partir de um viés analítico, foram desenvolvidas várias expressões que permitem determinar as tensões principais, a tensão cisalhante máxima e as tensões em determinada orientação.

Figura 18 - Christian Otto Mohr. Fonte: Wikimedia

Neste módulo, o estudo plano de tensões será abordado a partir de uma óptica geométrica, isto é, será apresentada uma forma gráfica para resolver as mesmas situações (tensões principais, tensão de cisalhamento máxima e tensões em dada rotação do elemento infinitesimal). Trata-se do denominado Círculo de Mohr, em homenagem ao seu idealizador, o engenheiro civil alemão Christian Otto Mohr, nascido no século XIX (ver figura 18).

Equação da circunferência

Antes de fazer o estudo gráfico do estado plano de tensões por meio do Círculo de Mohr, é importante relembrar alguns aspectos matemáticos que servirão de subsídios para o entendimento da construção deste círculo. Geometricamente, a circunferência é o lugar geométrico (LG) dos pontos equidistantes de um ponto fixo denominado centro. Essa distância dos pontos ao ponto fixo é o raio da circunferência. Suponha uma circunferência com centro de coordenadas (xc, yc) e raio R conhecidos. Observe a figura 19 seguinte:

Figura 19 – Circunferência de centro (a, b) e raio R. Fonte: O autor

Veja que a circunferência tem raio R e centro com coordenadas (xc, yc). Suponha um ponto P (x, y) genérico da circunferência. A distância entre o ponto P e o centro da circunferência equivale a R. A equação 10 determina a distância entre dois pontos do plano A (xA, yA) e B (xB, yB)  quaisquer:

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Equação 10

d= (xA-xB)2+(yA-yB)2

Substituindo na equação 10 as coordenadas genéricas do ponto P, as coordenadas conhecidas do centro e o valor do raio R, também conhecido, é possível chegar à equação 11.

Equação 11

R= (x-xC)2+(y-yC)2

Elevando-se ao quadrado ambos os lados da igualdade da equação 11, temos a equação 12 da circunferência de centro (xc, yc) e raio R.

Equação 12

   (x-xC)2+(y-yC)2= R2

Assim, por exemplo, uma circunferência de centro C (1,2) e raio 4 tem equação dada por:

(x-1)2+(y-2)2= 42

(x-1)2+(y-2)2= 16

Círculo de Mohr

Como dito, aqui será estudado um método gráfico para o estado plano de tensões. Em linhas gerais, uma circunferência é representada em um par de eixos σ e τ. Ao percorrer a circunferência, o elemento infinitesimal está ocupando uma nova posição (rotacionando) e é possível descobrir as novas tensões do estado plano de tensões. Além disso, é possível determinar as tensões principais e a tensão de cisalhamento máxima. 

No módulo anterior, foram escritas as equações 4 e 6. A partir dessas equações, serão feitas manipulações algébricas convenientes. Observe os passos a seguir:

Clique nas informações a seguir. Clique nas informações a seguir.

σx'=σx+σy2+σx-σy2 . cos2θ+τxy . sen(2θ)

σx'-σx+σy2=σx-σy2 . cos2θ+τxy . sen(2θ)

Elevando-se ao quadrado ambos os lados da igualdade, temos:

σx'-σx+σy22=σx-σy2 . cos2θ+τxy . sen2θ2    (*)

A partir da equação 6, elevando-se ao quadrado, temos:

τx'y'2=-σx-σy2 . sen2θ+τxy . cos2θ2         (**)

Desenvolvendo os lados à direita das igualdades das equações (*) e (**) e fazendo a adição destas, temos a equação 13:

σx' - σx+σy22+ τx'y'-02=σx-σy22+τxy2            (Equação 13)

Lembrando que, no estudo feito no módulo 3, os valores σx , σy e τxy eram conhecidos e σx’ e τx’y’ as variáveis e comparando com a equação generalizada para a circunferência (equação 12) com a equação 13, é possível concluir que a equação 13 representa um circunferência de centro σx+σy2, 0 e raio

R= (σx-σy2)2+(τxy)2

quando se adota um par de eixos σx' (fazendo às vezes de x) e τx'y' (fazendo às vezes de y). Essa é a equação do Círculo de Mohr representado na figura 20.

Figura 20 – Círculo de Mohr. Fonte: o autor

Um estado plano de tensão é conhecido, ou seja, os valores de σx , σy e τxy . A partir desses valores e da equação 13, é possível desenhar o Círculo de Mohr.

Inicialmente, desenham-se os eixos σx' (na horizontal) e τx'y' (na vertical). Feito isso, será determinado o centro σx+σy2, 0. Como σx  e σy são valores conhecidos, o centro terá coordenadas numéricas. O próximo passo é encontrar numericamente o raio R, ou seja, R= (σx-σy2)2+(τxy)2.

Com esses valores é possível desenhar o Círculo de Mohr. Observe na figura 20 os pontos 1 e 2. Como o centro está na abscissa σx+σy2, para determinar o ponto 2, basta somar a esse valor o valor do raio R e, para o ponto 1, basta subtrair. São as tensões principais. Um exemplo será realizado para que o entendimento da descrição da construção do Círculo de Mohr seja facilitada.

Exemplo 3

(CESGRANRIO - 2011 - Transpetro - Engenheiro Júnior - adaptada) Na figura a seguir, são apresentadas as tensões normais e de cisalhamento nos planos horizontal e vertical que passam por um ponto de um elemento estrutural sujeito ao estado plano de tensões.

Desenhe o Círculo de Mohr.

Clique no botão para ver a resolução. Objeto com interação.

Olhando o elemento em estudo, todas as tensões apresentam valores positivos de acordo com a convenção adotada.

Determinação do centro:

σx+σy2, 0=36+262, 0=31, 0

Determinação do raio:

R=  (36-262)2+(12)2=(5)2+(12)2 =13

Pontos extremos do diâmetro (pontos 1 e 2): 31 - 13 = 18 e 31 + 13 = 44

Construindo o gráfico:

Fonte: Autor

A partir do exemplo, é possível chegar a conclusões importantes:

  • Os extremos dos diâmetros representam as tensões principais e são determinadas somando-se /subtraindo-se o valor do raio à abscissa do centro.
  • A tensão de cisalhamento máxima equivale ao valor do raio.

Após a fase de construção do Círculo de Mohr, algumas informações podem ser extraídas a partir da simples observação do desenho (tensões principais e tensão de cisalhamento máxima). Porém, existem outras situações. Suponha que um ponto esteja sob determinado estado plano de tensão (σx, σy e τxy) e deseja-se, utilizando o Círculo de Mohr, descobrir qual a orientação, por exemplo, do estado plano de tensões principais.  

Aproveitando o exemplo anterior, será trabalhado a rotação do elemento infinitesimal de estudo para se determinar as tensões principais. Será utilizada a face superior para determinar as tensões como coordenadas (ponto A na figura anterior).

Na figura anterior, o triângulo retângulo tem um ângulo agudo feito com a base, cuja tangente pode ser determinada por:

tg2θP=cateto opostocateto adjacentetg2θP=125 θP= 33,70

Perceba que para chegar ao extremo esquerdo do diâmetro (tensão principal), a rotação foi anti-horária. No círculo, um valor igual a 2θP e, no elemento infinitesimal, um valor θP, no mesmo sentido.

icone mão na massa

Mão na Massa

icone teoria na prática

Teoria na prática

Um Engenheiro está supervisionando um projeto de uma estrutura metálica, e em certo ponto superficial de uma coluna, um ponto apresenta o estado plano de tensões apresentado na figura a seguir.

Fonte: Autor

Seu objetivo era estudar o estado plano de tensões para diversas orientações e determinar as tensões principais e a tensão de cisalhamento máxima.

Clique no botão para ver a resolução. Objeto com interação.

Aplicação da construção do Círculo de Mohr.

Verificando o aprendizado

ATENÇÃO!

Para desbloquear o próximo módulo, é necessário que você responda corretamente a uma das seguintes questões:

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Conclusão

Considerações Finais

Tendo como base a Lei de Hooke (σ = E.ε), apresentamos a variação longitudinal elástica de um corpo sob carregamento axial. Nesse primeiro momento, o problema era estaticamente determinado e o carregamento axial não precisava ser único. 

No segundo módulo, identificamos as estruturas hiperestáticas, em contraste às isostáticas. Nas estruturas hiperestáticas, não é possível resolvê-las apenas com as três equações do equilíbrio. Por isso, uma ou mais equações foram adicionadas para auxiliar a solução (as equações de compatibilidade geométrica). 

Em seguida, analisamos as tensões em um ponto infinitesimal do corpo, em particular o estado plano de tensões. Vimos as equações para determinação das tensões principais, tensão cisalhante máxima e tensões para dada rotação do elemento de estudo. Por fim, conhecemos o método gráfico denominado Círculo de Mohr.

Podcast

CONQUISTAS

Você atingiu os seguintes objetivos:

Descreveu o princípio de Saint-Venant e a deformação elástica de elementos estaticamente determinados

Calculou a deformação elástica de elementos estaticamente indeterminados

Descreveu o estado plano de tensão e a transformação de tensão no plano

Descreveu o Círculo de Mohr