Descrição

Estruturas do sistema musculoesquelético dos membros inferiores: ossos, articulações e músculos.

PROPÓSITO

Conhecer os componentes estruturais do sistema musculoesquelético responsáveis pelos movimentos e pela manutenção da postura dos diversos segmentos do membro inferior, algo essencial para a sua atuação como profissional de saúde.

Preparação

Antes de iniciar, obtenha um atlas de anatomia humana, que pode ser no formato físico ou digital.

OBJETIVOS

Módulo 1

Identificar os ossos e acidentes anatômicos do sistema esquelético dos membros inferiores

Módulo 2

Identificar os principais componentes articulares dos membros inferiores

Módulo 3

Reconhecer os músculos e as ações musculares dos membros inferiores

Introdução

A locomoção, o andar e o correr são movimentos inerentes aos membros inferiores. No passado, essa ação estava atrelada à necessidade da busca do alimento por meio da caça. Nos dias atuais, a locomoção é um gesto motor utilizado nas atividades cotidianas, como trabalhar, realizar os afazeres de casa, praticar exercícios físicos e nos momentos de diversão. Para isso, é necessária uma ação conjunta dos sistemas esquelético, articular e muscular. Esses três sistemas, juntos, formam o sistema musculoesquelético.

Os ossos do membro inferior são importantes alavancas ósseas que, por meio da ação ativa dos músculos, servem como uma haste rígida para a locomoção. No membro inferior, o sistema esquelético é dividido em quatro segmentos, com seus respectivos ossos:

1° segmento

Cintura pélvica (quadril).

2° segmento

Coxa (fêmur e patela).

3° segmento

Perna (tíbia e fíbula).

4° segmento

Pé (tarso, metatarso e falanges).

Assim como o membro superior, na conexão dos segmentos do membro inferior, a maioria das articulações é classificada funcionalmente como diartrose e estruturalmente como sinovial, apresentando ampla mobilidade articular.

Sendo classificadas, na sua maioria, como sinoviais, as articulações do membro inferior apresentam como característica os seguintes componentes articulares: cápsula fibrosa, membrana sinovial, líquido sinovial, estruturas articulares associadas (bursas, discos articulares etc.), cartilagem articular (hialina) e fibrocartilagem articular (às vezes).

Fixados nas hastes rígidas (ossos), alterando os ângulos articulares e movendo os segmentos, os músculos representam um sistema muito importante na parte ativa da locomoção e dos gestuais inerentes ao membro inferior. Sendo assim, estudaremos os sistemas responsáveis por nos permitir caminhar, correr, saltar e nos locomover a partir dos movimentos dos segmentos do membro inferior.

MÓDULO 1


Identificar os ossos e acidentes anatômicos do sistema esquelético dos membros inferiores

O esqueleto apendicular inferior é formado por 62 ossos, a saber: quadril, fêmur, patela, fíbula, tíbia, ossos do tarso, metatarso e falanges. Os ossos do membro inferior têm como principal função participar, com os músculos e as articulações, da movimentação dos segmentos do membro inferior, o que pode representar desde saltar, correr, chutar, frear e caminhar até golpear etc.

CINTURA PÉLVICA

Agora, estudaremos o segmento da cintura pélvica, o qual forma o primeiro segmento do membro inferior e apresenta um único osso: o quadril (osso chato e irregular), subdivido em: ísquio, púbis e ílio. Essa subdivisão advém da articulação sincondrose (cartilaginosa temporária) existente entre essas três regiões do quadril durante a infância, o que deixa de existir no processo de maturação óssea. Veja na Figura 1.

As principais funções da cintura pélvica são conectar o esqueleto apendicular inferior ao esqueleto axial, sustentar a massa corpórea, proteger as estruturas do sistema genital e permitir a manutenção de posturas dinâmicas e estáticas referentes ao membro inferior. O osso do quadril (Figura 1) se articula medialmente com o sacro (articulação sacroilíaca), com o osso do quadril do lado oposto (sínfise púbica) e com o fêmur (articulação coxofemoral).

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Ílio

O ílio (também chamado de ilíaco), localizado em posição posterossuperior no quadril, apresenta alguns acidentes anatômicos importantes, com diversas funções, como: articular-se com outros ossos e fixar músculos e ligamentos. Dentre eles, identificam-se as espinhas ilíacas anterossuperiores (fixação do ligamento inguinal e do músculo sartório), a espinha ilíaca anteroinferior (fixação do músculo reto femoral), as espinhas ilíacas posterossuperiores e as espinhas ilíacas póstero-inferiores (fixação dos ligamentos sacroilíacos posteriores).


Outro acidente anatômico da região do ílio é a crista ilíaca, ponto de fixação dos músculos transverso abdominal, oblíquo interno e oblíquo externo. Também localizado no ílio, o acidente anatômico face auricular do quadril tem a função de se articular com a superfície auricular do sacro, formando a articulação sacroilíaca (veja na Figura 2).

Ísquio

O ísquio é a região do osso do quadril localizada póstero-inferiormente e é caracterizado por ser o ponto de apoio do quadril quando estamos sentados. A tuberosidade isquiática é um importante acidente anatômico do ísquio na qual, em sua parte inferior, fixam-se o músculo adutor magno e o ligamento sacrotuberal e, na parte superior, origina-se o grupo muscular isquiotibial (semimembranoso, cabeça longa do bíceps femoral e semitendinoso).


Além disso, no ísquio, encontra-se a espinha isquiática, ponto de fixação do ligamento sacroespinhal (veja na Figura 2).

Púbis

O púbis é a parte do quadril localizada na região anteroinferior e é caracterizado por ser a região que se articula com o quadril contralateral. Nessa parte, é possível encontrar o acidente anatômico tubérculo púbico, ponto de fixação da parte proximal do ligamento inguinal e do músculo reto do abdômen. Outros acidentes anatômicos são os ramos superior e inferior do púbis, elementos ósseos que fixam os músculos pectíneo, adutor curto e grácil.


A face sinfisial é outro importante acidente anatômico do púbis, pois se articula com a face sinfisial do quadril do lado oposto, permitindo, assim, que os dois quadris se articulem medialmente. Veja na Figura 2.

O acetábulo é um acidente anatômico que está posicionado em uma região central do quadril, sendo uma das suas partes localizada no ílio, outra no ísquio e outra no púbis. No acetábulo, encontra-se a fossa do acetábulo e a face semilunar do acetábulo, sendo esses o ponto de fixação do ligamento redondo e a face que se articula com a cabeça do fêmur, respectivamente (veja na Figura 2).

Figura 2. Osso do quadril.

Na população idosa, a fratura no osso do quadril é uma das principais consequências associadas à osteoporose. Essa lesão óssea representa uma condição bastante debilitante e limitadora, apresentando também alta associação às causas de morte nessa população.

Vista a importância da pesquisa sobre esse aspecto, Pereira et al. (2010) investigaram o índice de mortalidade e as características da fratura do quadril em brasileiros idosos. Dos 246 idosos que apresentaram fratura no osso do quadril em quatro hospitais brasileiros, 86 faleceram (35%), sendo que 22 (25,6%) deles faleceram no hospital e 64 (74,4%), em casa.

Verificou-se também que a saúde funcional pré-fratura, a idade mais avançada, o sexo (masculino) e o maior risco da cirurgia representaram maiores chances de óbito, enquanto o uso adequado de antibiótico e a intervenção eficiente da fisioterapia após a cirurgia representaram menor chance de mortalidade. A taxa de mortalidade apresentada nesse estudo foi maior do que em outros países também industrializados, mostrando a maior necessidade de políticas adequadas de intervenção pós-cirúrgica.

SEGMENTO DA COXA

Nesse momento, abordaremos o segmento da coxa, formado pelo fêmur e pela patela. O fêmur é o osso com maior comprimento e volume do corpo humano, sendo muito resistente e capaz de sustentar altas sobrecargas. Além disso, é classificado como osso longo e se articula proximalmente com o quadril e distalmente com a patela e a tíbia.

A patela é um osso do tipo sesamoide, localizado na parte anterior do seguimento da coxa. Sua localização apresenta uma característica estratégica de proteção dos componentes articulares do joelho. Além disso, a patela é uma estrutura óssea responsável por aumentar a distância do tendão do grupo muscular quadríceps em relação à articulação tibiofemoral, o que gera aumento do torque e, consequentemente, a melhora da efetividade da ação de extensão do joelho.

O fêmur apresenta diversos acidentes anatômicos com uma grande variedade de funcionalidades. Na extremidade proximal, encontra-se a cabeça do fêmur e a fóvea da cabeça do fêmur, elemento ósseo arredondado que se articula com o acetábulo do quadril e uma pequena cavidade em que o ligamento da cabeça do fêmur está fixado, respectivamente.

Na epífise proximal, também estão presentes o trocânter maior e menor do fêmur, elementos ósseos importantes para a fixação dos músculos glúteo médio, glúteo mínimo, piriforme, obturador interno, gêmeo superior e inferior. Na extremidade distal, identifica-se a face patelar e o tubérculo adutor, região que se articula com a patela e o ponto de fixação do músculo adutor magno, respectivamente. Em relação à epífise distal, as duas superfícies arredondadas são os côndilos (medial/lateral) do fêmur, os quais se articulam com os côndilos (medial/lateral) da tíbia.

Figura 5. Acidentes anatômicos do osso do fêmur.

A patela é um osso com o formato triangular localizado anteriormente à articulação do joelho. A superfície superior da patela é chamada de base da patela, região que se relaciona diretamente com o tendão do quadríceps, sendo totalmente encoberto por ele. Na parte inferior e pontiaguda, encontra-se o ápice da patela, região sobreposta pelo ligamento patelar que vai se inserir na tuberosidade da tíbia.

Na região posterior, identificam-se as faces articulares medial e lateral da patela, as quais têm como função se articular com a face patelar do fêmur, formando a articulação patelofemoral.

Figura 7. Acidentes anatômicos da patela.
Figura 8. Acidentes anatômicos da patela.

Saiba mais

O alto índice de fraturas no fêmur está associado a uma lesão óssea de alto impacto na região distal do fêmur em indivíduos homens e jovens, bem como em condições de baixo impacto na mesma região em mulheres idosas. A fratura na região distal do fêmur em indivíduos idosos representa o segundo maior índice de lesão óssea, gerando maiores preocupações, principalmente pelas consequências associadas à prevalência das comorbidades médicas pós-fratura.

Dessa maneira, Streubel et al. (2011) investigaram a taxa de mortalidade de indivíduos idosos com fratura na extremidade distal do fêmur, assim como os determinantes para tal fatalidade. Verificou-se que a saúde debilitada, em associação com essa fratura, principalmente insuficiência cardíaca, insuficiência renal e histórico de tumor maligno, são determinantes para o tempo mais curto de sobrevida após a lesão óssea.

Além disso, identificou-se também que a mortalidade após fratura distal de fêmur na população geriátrica é tão alta quanto a mortalidade após fraturas de quadril.

SEGMENTO DA PERNA

Agora, estudaremos quais ossos formam a perna e seus principais acidentes anatômicos.

O segmento da perna é formado por dois ossos: medialmente, a tíbia e, lateralmente, a fíbula. Ambos os ossos são classificados como longos e, consequentemente, cada um deles apresenta duas epífises e uma diáfise. A tíbia e a fíbula articulam-se entre si, proximal e distalmente. Além disso, a epífise proximal da tíbia se articula com o fêmur e a distal da tíbia e da fíbula, com o talus (osso do tarso).

A tíbia (Figura 11) é o único osso classificado como longo do segmento da perna que se articula com o fêmur. A região que permite essa conexão são os côndilos (medial e lateral) da tíbia, formando a articulação tibiofemoral. Ainda na epífise proximal, encontra-se a face articular da fíbula, região em que a tíbia se articula com a fíbula, formando a articulação tibiofibular proximal.

Na parte anterior da extremidade proximal, existe uma proeminência óssea responsável pela fixação do tendão (ligamento) patelar; o elemento ósseo que apresenta essa função é a tuberosidade da tíbia. Perto da epífise proximal da tíbia, ainda se encontra a linha solear, região em que o músculo sóleo é fixado. Na epífise distal, identifica-se a incisura fibular, região em que a fíbula se articula distalmente com a tíbia, formando a articulação tibiofibular distal.

Ainda na extremidade distal da tíbia, localiza-se uma proeminência óssea chamada maléolo medial, em que sua face articular se conecta com o osso talus, formando parte importante da articulação do tornozelo.

O outro osso do segmento da perna é a fíbula, que, assim como a tíbia, também é classificada como osso longo. Além de se articular com a tíbia, a fíbula se articula com o osso do talus, formando a articulação do tornozelo. Na epífise proximal, identifica-se o ápice da cabeça da fíbula e a cabeça da fíbula, região que se articula proximalmente com a tíbia. Na extremidade distal da fíbula, encontram-se o maléolo lateral e a face articular do maléolo lateral, que, com a tíbia, formam a articulação talocrural, ou do tornozelo. Veja as Figuras 12 e 13.

Figura 12. Acidentes anatômicos da fíbula.
Figura 13. Osso da tíbia e da fíbula.

Atenção

A lesão na tuberosidade da tíbia é incomum em crianças, representando menos de 1% da população com fratura associada a essa região. Entretanto, verificou-se que a chance de lesão tende a aumentar com a prática de exercício físico de alto rendimento (sem o controle adequado) em crianças, representando importantes alterações morfológicas locais, incluindo na articulação do joelho.

Por isso, Pretell-Mazzini et al. (2016) procuraram determinar o tipo de lesão associada e a frequência de síndromes ósseas locais relacionadas. Nos artigos revisados, foram identificados 325 pacientes com fratura na tuberosidade da tíbia, com média de 14,6 anos – 97% do sexo masculino, 59% com a lesão ocorrendo no membro inferior esquerdo e 42% apresentando como o mais comum mecanismo de lesão a prática do basquete.

Além disso, foi identificada uma incidência de 23% de síndrome de Osgood-Schlatter entre os pacientes do estudo. Trata-se de um processo inflamatório da cartilagem de crescimento da tuberosidade da tíbia pela tensão de tração excessiva do tendão patelar. Adicionalmente, foi verificada uma taxa de retorno à atividade física e de restabelecimento da amplitude de movimento do joelho em 98% dos casos. A consolidação da fratura foi obtida em 99,4% dos casos.

Com base nessas informações, é de suma importância o bom acompanhamento médico pós-fratura na tuberosidade da tíbia, pois esta pode apresentar morfologias de lesão distintas e, consequentemente, técnicas de intervenção diferentes. Veja, a seguir, a imagem de uma fratura de tíbia.

SEGMENTO DO PÉ

Vamos entender quais ossos formam o segmento do pé e as suas principais características funcionais. Nesse segmento, encontramos três grupos de ossos: tarso, metatarso e falanges. O segmento de pé é muito importante para o membro inferior, sendo ele o responsável pela formação da base de suporte que promoverá a estabilidade postural. O pé também participa diretamente das ações da marcha (caminhada) e é essencial para transferir as forças dos seguimentos acima para o solo, gerando a movimentação do corpo.

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Figura 16. Fixação do tendão do calcâneo.

Na região do tarso, são identificados sete ossos, todos classificados como ossos curtos. São eles: calcâneo, talus, cuboide, navicular, cuneiforme lateral, cuneiforme intermédio e cuneiforme medial. O talus é um importante osso do tarso, pois permite a conexão do segmento do pé com o segmento da perna, formando o complexo articular do tornozelo. O calcâneo é outro importante osso do tarso, localizado no retropé, e tem a função de fixar o tendão do calcâneo, conhecido também como tendão de Aquiles. Veja nas Figuras 16 e 17.

Figura 17. Osso do pé.

Na região do metatarso, é possível ver cinco ossos, sequenciados do primeiro ao quinto metatarso, de medial para lateral. Esses ossos são classificados como longos e apresentam diáfise (corpo) e epífise proximal (base), que se articula com os ossos do tarso, e epífise distal (cabeça), que se articula com a falange proximal. Veja na Figura 17.

Figura 18. Ossos do pé.

Os dedos do pé são formados pelas falanges. Do segundo dedo ao quinto (de medial para lateral), são identificadas três falanges: proximal, média e distal. Já no primeiro dedo (hálux), são identificadas apenas a falange proximal e a distal.

O politraumatismo é considerado a reunião de diversas contusões/lesões em duas ou mais regiões do corpo e representa uma das principais causas de morte em jovens vítimas de acidentes traumáticos, como batidas de carro. Em função de o acidente traumático acometer diferentes regiões do corpo, é necessária uma intervenção multidisciplinar. Entretanto, as fraturas no pé em pacientes politraumatizados costumam receber menor atenção na ação inicial, gerando consequências importantes nesse segmento.

Para investigar esse ponto, Van Der Vliet et al. (2018) avaliaram a incidência e a distribuição das fraturas no pé em pacientes politraumatizados. Em 4.409 pacientes com politraumatismo, 5% foram diagnosticados com fratura no pé.

Além disso, dentre os pacientes com lesão traumática no pé, 41% tinham fratura no metatarso, 17% no calcâneo e 16% no talus. Adicionalmente, 33% dessas fraturas foram identificadas tardiamente, levando a consequências importantes no tratamento pós-lesão em 8% dos pacientes.

Com uma taxa relativamente elevada de pacientes politraumatizados com fratura no pé e uma quantidade substancial dessas fraturas diagnosticada de forma tardia, a avaliação deve ser feita de forma minuciosa em pacientes politraumatizados para evitar consequências desnecessárias neste segmento e impedir a perda de funcionalidade local e de qualidade de vida.

Agora, para conhecer os principais acidentes ósseos do membro inferior, assista ao vídeo a seguir.

Verificando o aprendizado

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MÓDULO 2


Identificar os principais componentes articulares dos membros inferiores

O estudo das articulações dos membros inferiores será dividido em três partes, em um sentido proximal-distal, para facilitar o entendimento de cada componente. Em primeiro lugar, estudaremos o complexo articular do quadril. Depois, vamos estudar o complexo do joelho e tibiofibular proximal, passando ao complexo articular do tornozelo e para as articulações do pé.

COMPLEXO ARTICULAR DO QUADRIL

Neste tópico, vamos estudar o complexo articular do quadril, formado pelas articulações sacroilíaca, coxofemoral e sínfise púbica. Esse complexo articular tem como função conectar os membros inferiores ao tronco, sustentar a massa corpórea, permitir mobilidade dos segmentos do membro inferior e realizar a ação de locomoção e os movimentos específicos dessa região.

A articulação sacroilíaca é a responsável por conectar o esqueleto apendicular inferior ao axial. É classificada como sinovial plana e é formada pela conexão entre a face auricular do ílio e a superfície auricular do sacro. Essa articulação permite movimentos de deslizamento do osso do quadril em relação ao sacro, no qual a crista ilíaca roda anteriormente por meio da anteroversão (70 a 75 graus de mobilidade) e posteriormente por meio da retroversão (50 a 55 graus de mobilidade).

Os dois movimentos citados ocorrem no eixo laterolateral, conforme pode ser observado na Figura 21.

Figura 21. Movimentos da articulação sacroilíaca.

Assim como todas as articulações sinoviais, a sacroilíaca apresenta algumas estruturas estabilizadoras. Esses elementos estabilizadores/limitadores do movimento dessa região são os ligamentos sacroilíaco anterior, sacroilíaco posterior, sacrotuberal e sacroespinhal. Veja na Figura 22.

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Figura 22. Articulação sacroilíaca.
Figura 23. Articulação sacroilíaca.

Ainda no complexo articular do quadril, encontra-se a articulação sínfise púbica, classificada como cartilaginosa. Essa articulação é formada pela junção da face sinfisial dos dois ossos do quadril, interpostos por um disco articular (disco interpúbico fibrocartilaginoso), o que limita o movimento da articulação, e é reforçada pelos ligamentos inguinal, púbicos superior e inferior.

A articulação coxofemoral é a articulação mais móvel do membro inferior, permitindo movimentos em todos os planos anatômicos. É formada pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo (face semilunar do acetábulo) do quadril, sendo classificada como sinovial esferoide. Essa articulação permite movimentos de flexão (80 graus de mobilidade com joelho estendido e 120-140 graus com joelho fletido), extensão (15-20 graus de mobilidade), abdução (35-40 graus de mobilidade), adução (25 graus de mobilidade), rotação medial (35-70 graus de mobilidade) e rotação lateral (45-90 graus de mobilidade). Veja esses movimentos nas Figuras 25 e 26.

Arraste o semicírculo. Arraste o semicírculo.
Figura 25. Movimentos da articulação coxofemoral.
Figura 26. Movimento articulação coxofemoral.
Figura 25. Movimento articulação coxofemoral e Figura 26. Movimento articulação coxofemoral.

Na articulação coxofemoral, é possível encontrar elementos estabilizadores importantes para a saúde da articulação e para manter o encaixe ósseo. Dentre eles, identifica-se o lábio acetabular, estrutura fibrocartilaginosa fixada na face semilunar do acetábulo, que tem a função de aumentar a profundidade da cavidade, melhorando o encaixe da cabeça do fêmur no acetábulo.

Fixado na incisura acetabular, identifica-se o ligamento transverso do acetábulo, estrutura importante para a manutenção do encaixe articular. Outro elemento estabilizador intracapsular é o ligamento da cabeça do fêmur, que é fixado na fóvea da cabeça do fêmur e impede a perda de contato dos elementos ósseos que formam a articulação.

Fixados fora da cápsula articular, encontram-se os ligamentos pubofemoral, isquiofemoral e iliofemoral, feixes de fibras bastante resistentes, essenciais para a manutenção da estabilidade articular. Veja esses ligamentos na Figura 27.

Figura 27. Sínfise púbica e articulação coxofemoral.

COMPLEXO ARTICULAR DO JOELHO E TIBIOFIBULAR PROXIMAL

Agora, vamos abordar o complexo articular do joelho, região formada por duas articulações, a tibiofemoral (medial/lateral) e a patelofemoral. Esse grupo articular apresenta uma estratégia de mobilidade bastante complexa, em virtude de sua necessidade de manter a estabilidade durante a extensão máxima de joelho para suportar as sobrecargas do corpo e sua importância na grande mobilidade em certos ângulos de flexão, a fim de realizar, com eficiência, desde ações cotidianas até gestuais motores mais complexos.

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Articulação patelofemoral

A articulação patelofemoral é formada pela face patelar do fêmur e pelas faces articulares medial e lateral da patela, sendo classificada como sinovial deslizante. Essa classificação é referente à capacidade da patela de deslizar verticalmente em relação ao fêmur de acordo com o grau de flexão de joelho. A presença da patela na parte anterior do joelho é muito importante, pois aumenta em 50% a vantagem mecânica dos extensores do joelho.

Figura 29. Movimentos da articulação patelofemoral.
Articulação tibiofemoral

A articulação tibiofemoral é formada pelos côndilos femorais (medial e lateral) e pelas tibiais (medial e lateral), formando uma articulação com baixa congruência articular e uma superfície de contato permissível a uma ampla mobilidade. Por um lado, essa conformação articular permite que o ser humano tenha a capacidade de realizar uma ampla gama de gestuais motores; por outro, expõe essa articulação a mais possibilidades de entorses e luxações.


Para minimizar tais lesões, o complexo articular do joelho apresenta algumas importantes estruturas articulares estabilizadoras localizadas interna e externamente à cápsula articular (membrana formada por tecido conjuntivo que estabiliza e envolve os ossos da articulação).

Figura 30. Articulação tibiofemoral.

Dentre os elementos articulares extracapsulares, é possível citar o ligamento patelar, feixe de tecido fibroso que forma a região central do tendão do quadríceps femoral, fixado no ápice da patela e na tuberosidade da tíbia, mantendo a patela em contato direto com a face patelar do fêmur.

Além disso, identifica-se:

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O ligamento colateral tibial (medial)

Que se estende do epicôndilo medial até o côndilo medial da tíbia, elemento estabilizador essencial para impedir o afastamento entre os côndilos mediais da tíbia e do fêmur, conhecido como “bocejo” medial.

O ligamento colateral fibular (lateral)

Que se estende do côndilo lateral do fêmur até a cabeça da fíbula, representa uma estrutura ligamentar mais forte e resistente que a contralateral, que tem como principal função impedir o “bocejo” lateral (afastamento dos côndilos laterais da tíbia e fêmur).

Os ligamentos poplíteo oblíquo e arqueado

Ambos localizados na face posterior da extremidade distal do fêmur. Veja a Figura 31.

Dentre as estruturas intracapsulares, identifica-se a membrana sinovial, componente importante para a produção do líquido sinovial, que é um elemento essencial para reduzir o atrito ósseo e nutrir a articulação. Adicionalmente, para a melhora da dissipação das cargas articulares e do encaixe entre os côndilos do fêmur e da tíbia, há dois elementos cartilagíneos semilunares chamados de meniscos (medial e lateral). Além disso, essa região apresenta dois ligamentos cruzados (anterior e posterior), indispensáveis para a estabilidade anteroposterior do joelho:

Clique nas informações a seguir. Clique nas informações a seguir.
Ligamento cruzado posterior

Limita o deslizamento anterior do fêmur sobre a tíbia ou posterior da tíbia sobre o fêmur.

Ligamento cruzado anterior

Impede o deslizamento anterior da tíbia ou posterior do fêmur e limita a hiperextensão.

Figura 31. Articulação do joelho.

Primariamente, a articulação tibiofemoral é classificada como sinovial dobradiça, apresentando movimentos apenas para o eixo laterolateral, que são de flexão (120 graus de mobilidade quando o quadril está estendido e 140 graus de mobilidade quando o quadril está fletido) e extensão. Entretanto, quando o joelho se encontra em flexão, a articulação tibiofemoral também permite movimento de rotação medial (30 graus de mobilidade) e lateral (40 graus de mobilidade) no eixo longitudinal, sendo essa articulação também classificada como condilar nessa condição. Veja as Figuras 32 e 33.

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Figura 32. Movimentos do joelho.
Figura 33. Movimentos do joelho.

Próximo ao complexo articular do joelho, a fíbula se articula proximalmente com a tíbia, formando a articulação tibiofibular proximal. Essa articulação é formada pela cabeça da fíbula e a face articular fibular da tíbia, sendo classificada como articulação sinovial plana. Estabilizando essa articulação, é possível verificar a presença dos ligamentos tibiofibular anterior e posterior, além da membrana interóssea, que se estende entre a tíbia e a fíbula em todo o seu prolongamento. Veja na Figura 34.

Como visto, a articulação do joelho é muito importante no gestual cotidiano e, principalmente, na prática esportiva. O joelho é a região que apresenta a segunda maior incidência de lesão, ficando atrás apenas da região do tornozelo. Quando se analisa as lesões no joelho, a rotura do ligamento cruzado anterior (LCA) está entre as lesões esportivas que geram maior gasto financeiro por demandarem, frequentemente, cirurgias e reabilitação de custo elevado.

Em função da complexidade dessa lesão, Joseph et al. (2013) investigaram a epidemiologia das lesões do LCA em atletas do Ensino Médio. Durante o período do estudo, foram identificadas 617 lesões de LCA, apresentando uma incidência de 6,5 por 100.000, com maiores chances de ocorrer durante as competições do que nos treinos.

Resultados das taxas de lesão

Futebol feminino

12,2%

Futebol americano masculino

11,1%

Basquete masculino

2,3%

Beisebol masculino

0,7%

De todas as lesões de LCA, 76,6% resultaram em cirurgia, com mecanismo de lesão associado ao contato direto entre atletas (42,8%) ou a nenhum contato (37,9%). O entendimento das características de lesão do LCA permite uma intervenção mais eficaz e, consequentemente, o desenvolvimento de novos mecanismos de prevenção. Veja a Figura 35.

COMPLEXO ARTICULAR DO TORNOZELO E ARTICULAÇÕES DO PÉ

Agora, estudaremos o complexo articular do tornozelo. O tornozelo é formado por três articulações: talocrural, subtalar e tibiofibular distal. Esse complexo articular é muito importante durante a marcha, pois tem a capacidade de se adaptar a qualquer tipo de superfície, seja um terreno plano ou acidentado. Veja a Figura 36.

No pé, é possível identificar as articulações tarsometatársica, metatarsofalangiana e interfalangeanas. Essas articulações têm como função, junto ao tornozelo, receber o peso do corpo, promover equilíbrio e movimento e ter a capacidade de se ajustar a qualquer superfície.

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Articulação tibiofibular

A articulação tibiofibular é formada pela incisura fibular da tíbia e pela extremidade distal da fíbula. É uma articulação imóvel, sendo classificada como sindesmose.

Articulação talocrural

Já a articulação talocrural é classificada como sinovial gínglimo (dobradiça), permitindo movimentos de dorsiflexão (0-20 graus de mobilidade) e flexão plantar (0-45 graus de mobilidade), ocorrendo no eixo laterolateral e no plano sagital.

Articulação subtalar

A articulação subtalar é constituída pela superfície interior do talus e pela superfície superior do calcâneo, formando uma articulação do tipo sinovial plana.

A combinação dos movimentos da articulação talocrural e subtalar permite que o complexo articular do tornozelo também realize os movimentos de inversão (20 graus de mobilidade) e eversão (5 graus de mobilidade), ocorrendo no eixo anteroposterior e no plano frontal.

Na região do pé, identificam-se as seguintes articulações, apresentadas com suas respectivas classificações

Articulações tarsometatársicas

Sinovial deslizante

Articulação metatarsofalangiana

Sinovial condilar

Articulações interfalangianas

Sinovial gínglimo

Veja na Figura 39, logo a seguir:

Figura 39. Articulações do pé.

Para estabilizar a região medial do tornozelo e limitar o movimento de eversão, é possível identificar os ligamentos colaterais mediais (ligamento deltoide), formados por:

  • Fibras tibionaviculares
  • Fibras calcaneotibiais
  • Fibras talotibiais posteriores
  • Fibras talotibiais anteriores

Já para a estabilização da região lateral do tornozelo e a limitação do movimento de inversão, identificam-se os ligamentos colaterais laterais:

  • Ligamento talofibular anterior
  • Ligamento talofibular
  • Ligamento calcaneofibular

Adicionalmente, na articulação tibiofibular distal, encontram-se os ligamentos tibiofibular anterior e posterior e transverso inferior e interósseo, incluindo também os ligamentos do pé, como pode ser visto na Figura 40.

Figura 40. Articulação do tornozelo.

Você sabia

A entorse/luxação de tornozelo é uma das lesões mais presentes no cotidiano do atleta. As entorses no tornozelo apresentam mecanismos de lesão diversos, gerando consequências distintas para a articulação, o que afeta diferentes estruturas articulares. Por isso, o entendimento desses mecanismos de lesão permite melhor intervenção durante a recuperação pós-lesão.

Sendo assim, Mauntel et al. (2017) descreveram os dados epidemiológicos de entorses de tornozelo em diferentes esportes da National Collegiate Athletic Association (NCAA/Estados Unidos). Foi identificada alta taxa de entorse no tornozelo, de 1,00 a cada 10.000 pessoas. No geral, 56,7% das lesões por entorse de tornozelo ocorreram durante as competições e 9,8% das lesões por entorse de tornozelo foram recorrentes, sendo o futebol americano, a luta livre e o hóquei no gelo os esportes com maior incidência.

O contato direto entre os atletas foi o mecanismo mais comum (60,4%) de entorse no tornozelo, gerando diferentes quantidades de dias de restrição na prática desportiva. A compreensão aprimorada da epidemiologia das entorses de tornozelo auxilia os médicos, fisioterapeutas e profissionais da Educação Física no desenvolvimento de melhores estratégias de prevenção dessas lesões. Veja a Figura 41.

O vídeo a seguir se aprofundará um pouco mais nos principais movimentos articulares dos membros inferiores.

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MÓDULO 3


Reconhecer os músculos e as ações musculares dos membros inferiores

A partir de agora, vamos identificar o nome, a origem, a inserção e a ação dos músculos do membro inferior. O sistema muscular do membro inferior representa o componente responsável pela realização da parte ativa do movimento, incluindo: a marcha, a corrida, o salto, o chute e outros gestuais que podem ser realizados por essa região.

SISTEMA MUSCULAR DA REGIÃO DO QUADRIL

Neste tópico, identificaremos os músculos que cruzam a articulação coxofemoral e as suas respectivas funções. Como visto no sistema articular, a articulação coxofemoral é formada pelo acetábulo e pela cabeça do fêmur, apresentando um conjunto importante de músculos que têm como função realizar os movimentos e estabilizar a articulação.

Na região do quadril, é possível encontrar dois grupos musculares importantes: o grupo adutor, formado pelos músculos adutor magno, adutor curto e adutor longo; o grupo iliopsoas, formado pelos músculos psoas menor, psoas maior e ilíaco. Veja as Figuras 42 e 43.

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Figura 42. Grupo muscular iliopsoas.
Figura 43. Grupo muscular dos adutores.

Os músculos que cruzam a articulação coxofemoral são essenciais para a sua ampla mobilidade, permitindo movimento para todos os eixos anatômicos. A articulação coxofemoral realiza os seguintes movimentos, a partir da ação dos músculos a seguir:

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Flexão

    Psoas menor

    Psoas maior

    Ilíaco ou ílio

    Músculo tensor da fáscia lata

    Sartório

    Pectíneo

    Reto Femoral

Extensão

    Glúteo máximo

    Bíceps femoral porção longa

    Semitendíneo

    Semimembranáceo

Rotação lateral

    Psoas maior

    Glúteo máximo

    Piriforme

    Gêmeo superior

    Obturatório interno

    Gêmeo inferior

    Obturatório externo

    Quadrado femoral

    Sartório

Rotação medial

    Glúteo médio

    Glúteo mínimo

    Tensor da fáscia lata

Abdução

    Glúteo médio

    Glúteo mínimo

    Piriforme

    Tensor da fáscia lata

    Sartório

Adução

    Quadrado femoral

    Adutor longo

    Adutor curto

    Adutor magno

    Grácil

    Pectíneo

Agora, veja os músculos rotadores externos do quadril na Figura 44, a origem e inserção dos músculos da articulação do quadril na Tabela 1 e os músculos da articulação do quadril na Figura 45.

Figura 44. Músculos rotadores externos.

Tabela 1: Origem e inserção dos músculos que cruzam a articulação do quadril

Nome do músculo Origem Inserção

Psoas menor

Corpos vertebrais de T12 e L1 e o disco intervertebral interposto entre essas duas vértebras.

Arco iliopectíneo.

Psoas maior

Processos transversos, corpos e discos intervertebrais das vértebras lombares.

Trocânter menor.

Ilíaco ou ílio

Fossa Ilíaca e crista ilíaca.

Trocânter menor.

Glúteo máximo

Linha glútea posterior do ilíaco, sacro e cóccix.

Tuberosidade glútea do fêmur e trato iliotibial.

Glúteo médio

Face externa do íleo, entre a crista ilíaca e a linha glútea posterior e anterior.

Trocânter maior.

Glúteo mínimo

Asa ilíaca (entre linha glútea anterior e inferior).

Trocânter maior.

Piriforme

Face pélvica do sacro (2ª à 4ª vértebras sacrais).

Trocânter maior.

Gêmeo superior

Espinha isquiática.

Trocânter maior.

Gêmeo inferior

Tuberosidade isquiática.

Trocânter maior.

Obturatório interno

Contorno interno do forame obturado e membrana obturadora.

Trocânter maior e fossa trocantérica do fêmur.

Obturatório externo

Contorno externo do forame obturado e membrana obturadora.

Fossa trocantérica do fêmur.

Quadrado femoral

Borda lateral da tuberosidade isquiática.

Crista intertrocantérica.

Tensor da fáscia lata

Espinha ilíaca anterossuperior e lábio externo da crista ilíaca.

Trato ílio-tibial.

Sartório

Espinha ilíaca anterossuperior.

Borda medial da tuberosidade da tíbia.

Adutor longo

Superfície anterior do púbis e sínfise púbica.

Linha áspera.

Adutor curto

Ramo inferior do púbis.

Linha áspera.

Adutor magno

Ramo inferior do púbis e tuberosidade isquiática.

Linha áspera e linha supracondilar medial e tubérculo adutor.

Grácil

Sínfise púbica e ramo inferior do púbis.

Face medial da tuberosidade da tíbia.

Pectíneo

Linha pectínea do púbis.

Linha pectínea do fêmur.

Figura 45. Músculos que cruzam a articulação do quadril.

SISTEMA MUSCULAR DA REGIÃO DO JOELHO

Neste tópico, identificaremos quais músculos (Tabela 1) cruzam a articulação do joelho e suas respectivas funções. Como visto no sistema articular, a articulação tibiofemoral é formada pelos côndilos medial e lateral da tíbia e do fêmur, bem como a articulação patelofemoral é formada pela face patelar do fêmur e pelas faces articulares medial e lateral da patela. A articulação do joelho apresenta um conjunto importante de músculos (Figura 46) que têm como função realizar os movimentos e estabilizar a articulação.

Na região do joelho, é possível encontrar dois grupos musculares importantes:

Figura 46. Grupo muscular isquiotibial.

Isquiotibial, formado pela cabeça longa do bíceps femoral, semimembranáceo e semitendíneo.

Figura 47. Grupo muscular quadríceps femoral.

Grupo muscular quadríceps femoral, formado pelos músculos reto femoral (único biarticular do quadríceps), vasto medial, vasto lateral e vasto intermédio.

Os músculos que cruzam a articulação do joelho são essenciais para a movimentação do segmento da perna em relação ao segmento da coxa, realizando flexão e extensão no eixo laterolateral, bem como rotação medial e lateral no eixo longitudinal quando o joelho está em flexão. A articulação do joelho realiza os seguintes movimentos a partir da ação dos músculos a seguir: veja a Figura 48 e a Tabela 2, em que é possível identificar a origem e inserção desses músculos.

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Flexão

    Sartório

    Grácil

    Bíceps femoral porção longa

    Bíceps femoral porção curta

    Semitendíneo

    Semimembranáceo

    Gastrocnêmio medial

    Gastrocnêmio lateral

    Poplíteo

Extensão

    Reto femoral

    Vasto medial

    Vasto lateral

    Vasto intermediário

Rotação medial

    Sartório

    Grácil

    Vasto medial

    Poplíteo

Rotação lateral

    Músculo tensor da fáscia lata

    Vasto lateral

Figura 48. Músculos da coxa que cruzam a articulação do joelho.

O agachamento é um exercício utilizado com diferentes abordagens e objetivos, incluindo o treinamento de força, a reabilitação, o treinamento para o desempenho esportivo ou simplesmente a estética muscular. Esse exercício é bastante aplicado pelo fato de ser um movimento funcional, multiarticular e ser de cadeia cinética fechada.

Em função da sua ampla utilização e aplicação, o agachamento é um exercício muito estudado, principalmente em relação à avaliação da solicitação neuromuscular por meio da eletromiografia. Por isso, Clark et al. (2012) realizaram uma revisão dos estudos que visaram avaliar a ativação muscular no exercício de agachamento com barra livre.

Nessa revisão, os autores relataram que diversos estudos demonstraram que o treinamento com a utilização do agachamento foi determinante para a melhora do desempenho no salto, da aceleração e velocidade de corrida.

Além disso, os estudos revisados relataram alterações de ativação muscular do membro inferior, resultantes de variações na profundidade do agachamento, posicionamento dos pés e nível de treinamento do indivíduo. Por isso, é muito importante ajustar de forma adequada o treinamento, para que seja o mais específico e eficiente possível de acordo com as necessidades do aluno, atleta ou o paciente.

Cadeia cinética fechada

Movimentos em que a articulação distal do membro em movimento está fixada na superfície.

Figura 49. Agachamento com barra livre.

Tabela 2: Origem e inserção dos músculos da articulação do joelho

Nome do músculo Origem Inserção

Reto femoral

Espinha ilíaca anteroinferior.

Tuberosidade da tíbia.

Vasto medial

Linha intertrocantérica e face medial da linha áspera do fêmur.

Tuberosidade da tíbia.

Vasto lateral

Trocânter maior, linha áspera, linha intertrocantérica.

Tuberosidade da tíbia.

Vasto intermediário

Faces anterior e lateral do corpo do fêmur.

Tuberosidade da tíbia.

Bíceps femoral porção longa

Tuberosidade isquiática.

Côndilo lateral da tíbia e cabeça da fíbula.

Bíceps femoral porção curta

Linha áspera do fêmur.

Côndilo lateral da tíbia e cabeça da fíbula.

Semitendíneo

Tuberosidade isquiática.

Superfície medial da tuberosidade da tíbia.

Semimembranáceo

Tuberosidade isquiática.

Côndilo medial da tíbia.

SISTEMA MUSCULAR DA REGIÃO DO TORNOZELO E PÉ

Agora, nós vamos falar sobre os músculos que desempenham um papel muito importante no equilíbrio postural, na adaptação da postura em qualquer superfície e na promoção de importantes movimentos do membro inferior.

Devido à diversidade das características funcionais do tornozelo e do pé, a porção distal do membro inferior apresenta diversos músculos no entorno dessas duas articulações. Tais músculos participam diretamente dos movimentos de flexão plantar, dorsiflexão, eversão e inversão. Dentre os músculos dessa região, destaca-se um grupo muscular chamado tríceps sural, formado pelos músculos solear, gastrocnêmio lateral e medial. Veja as Figuras 50 e 51.

Figura 51. Músculos da perna.

Na Tabela 3, é possível identificar a ação, origem e inserção de cada músculo do segmento da perna.

Tabela 3: Origem e inserção dos músculos da perna

Nome do músculo Origem Inserção Ação

Tibial anterior

Côndilo lateral da tíbia e ½ proximal da face lateral da tíbia.

Cuneiforme medial e base do primeiro metatarso.

Dorsiflexão e inversão do pé.

Extensor longo dos dedos

3/4 proximais da fíbula e côndilo lateral da tíbia.

Falange média e distal do 2º ao 5º dedo.

Dorsiflexão e extensão dos dedos.

Extensor longo do hálux

1/3 médio da fíbula e membrana interóssea.

Base da falange distal do hálux.

Extensão do hálux, dorsiflexão e inversão do pé.

Fibular terceiro

1/3 distal da face anterior da fíbula.

Base do 5º metatarso.

Eversão do pé.

Fibular longo

Cabeça da fíbula e 2/3 proximais da fíbula.

Osso no cuneiforme medial e 1º metatarso.

Flexão plantar e eversão do pé.

Fibular curto

2/3 distais da face lateral da fíbula.

Base do 5º metatarso.

Flexão plantar e eversão do pé.

Gastrocnêmio medial

Côndilo medial do fêmur.

Tuberosidade do calcâneo.

Flexão plantar e flexão do joelho.

Gastrocnêmio lateral

Côndilo lateral do fêmur.

Tuberosidade do calcâneo.

Flexão plantar e flexão do joelho.

Sóleo

Parte proximal e posterior da fíbula, linha do sóleo.

Tuberosidade do calcâneo.

Flexão plantar.

Plantar

Côndilo lateral do fêmur.

Tuberosidade do calcâneo.

Auxilia o tríceps sural.

Poplíteo

Côndilo lateral do fêmur.

Linha solear da face posterior da tíbia.

Flexão e rotação medial do joelho.

Flexor longo dos dedos

1/3 médio da face posterior da tíbia.

Falange distal dos dedos II e V.

Flexão plantar e inversão do tornozelo, flexão do 2º ao 5º dedo.

Flexor longo do hálux

2/3 inferiores, posteriormente, na fíbula.

Base da falange distal do hálux.

Flexão do hálux, flexão plantar e inversão do tornozelo.

Tibial posterior

2/3 proximais da face posterior da tíbia e da fíbula, membrana interóssea.

Tuberosidade da navicular, os cuneiformes e bases do II ao IV metatarso.

Flexão plantar e inversão do pé.

Além dos músculos da perna que controlam os movimentos do pé, é possível identificar os músculos específicos desse segmento. Na região do pé, identificam-se os músculos da região plantar medial, região plantar lateral, região plantar média e região dorsal. Nas Figuras 52 e 53, é possível visualizar os músculos do pé e, na Tabela 4, a ação, origem e inserção de cada músculo.

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Figura 52. Músculos do pé.
Figura 53. Músculos do pé.

Tabela 4: Ação, origem e inserção músculos do pé

Nome do músculo Origem Inserção Ação

Abdutor do hálux

Calcâneo.

Falange proximal do hálux.

Flexão e abdução do hálux.

Flexor curto do hálux

Cuboide e cuneiforme lateral.

Falange proximal do hálux.

Flexão do hálux.

Adutor do hálux

2º ao 4º metatarso.

Falange proximal do hálux.

Adução do hálux.

Abdutor do mínimo

Calcâneo.

Falange proximal do 5º dedo.

Abdução do 5º dedo.

Flexor curto do mínimo

Cuboide.

Falange proximal do 5º dedo.

Flexão do 5º dedo.

Oponente do mínimo

Cuboide.

5º metatarso.

Adução do 5º metatarso.

Flexor curto dos dedos

Calcâneo.

Falange intermédia do 2º ao 5º dedo.

Flexão do 2º ao 5º dedo.

Quadrado plantar

Calcâneo.

Tendões do flexor longo dos dedos.

Flexão do 2º ao 5º dedo.

Lumbricais

Tendão do flexor longo dos dedos.

Falange proximal do 2º ao 5º dedo.

Flexão da metatarsofalangeana.

Interósseos plantares

Borda medial do 3º ao 5º metatarso.

Borda medial das falanges proximais do 3º ao 5º dedo.

Adução dos dedos.

Interósseos dorsais

Ossos metatársicos.

Falanges proximais do 2º ao 4º dedo.

Abdução dos dedos.

Extensor curto dos dedos

Calcâneo.

Tendão do 2º ao 4º extensor longo dos dedos.

Extensão do 2º ao 4º dedo.

Extensor curto do hálux

Calcâneo.

Falange proximal do hálux.

Extensão do hálux.

O tendão do calcâneo, ou de Aquiles, é a estrutura responsável por inserir o tríceps sural na tuberosidade do calcâneo. O tendão de Aquiles apresenta uma incidência importante de lesão associada ao esforço repetitivo com características multifatoriais. Diversos métodos para avaliar as condições individuais são utilizados para a predição da ruptura do tendão de Aquiles; dentre eles, destaca-se a avaliação de rigidez de interação do membro inferior com o solo.

Sendo assim, Lorimer e Hume (2016) buscaram identificar os fatores de risco para a lesão desse tendão associados à rigidez dos segmentos do membro inferior e verificaram que a alta rigidez do membro inferior pode estar associada a fatores de risco para lesões. Também verificaram que exercícios de alta intensidade, alta velocidade ou corrida em superfícies macias, como areia, podem aumentar o risco de lesões.

Sendo assim, é de suma importância o controle das cargas de treino por parte dos técnicos e médicos que trabalham com atletas para evitar novas ou recorrentes lesões. Veja a Figura 54.

Para finalizar o módulo 3, assista ao vídeo a seguir, que apresenta as principais ações musculares dos membros inferiores.

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Conclusão

Considerações Finais

O conhecimento do sistema musculoesquelético do membro inferior é muito importante para o entendimento dos conceitos básicos do aparelho locomotor. Obtendo as informações funcionais e estruturais da disciplina Anatomia do Sistema Musculoesquelético, em associação aos conhecimentos de Biomecânica, você será capaz de aplicá-los na prática profissional da avaliação de marcha, corrida, salto, equilíbrio postural etc. Por isso, é importante saber localizar os ossos do membro inferior, os componentes articulares de cada juntura e os músculos responsáveis pelos movimentos dessas articulações.

Podcast

CONQUISTAS

Você atingiu os seguintes objetivos:

Identificou os ossos e acidentes anatômicos do sistema esquelético dos membros inferiores.

Identificou os principais componentes articulares dos membros inferiores.

Reconheceu os músculos e as ações musculares dos membros inferiores.