Definição

Junção entre a teoria e a prática dos conhecimentos ambientais correlacionados às diferentes práticas realizadas em um serviço de radiologia analógica e digital. Compreensão de como as práticas modernas de telerradiologia podem contribuir para a mitigação de resíduos no meio ambiente.

PROPÓSITO

Preparar os discentes para a melhor e mais completa percepção de como sua atuação profissional pode impactar na conservação do meio ambiente, fazendo-os compreender como os avanços tecnológicos observados na radiologia podem contribuir para a melhoria das imagens e para a transformação da radiologia em um serviço mais sustentável.

OBJETIVOS

Módulo 1

Relacionar os conhecimentos teóricos e práticos do desenvolvimento das ações de estágio para que o foco sempre esteja na otimização de recursos e rejeitos

Módulo 2

Construir uma visão crítica sobre os avanços tecnológicos e a conservação do meio ambiente

Introdução

Durante o funcionamento de um serviço de radiodiagnóstico, é comum a ocorrência de geração de rejeitos de diferentes naturezas, desde os resíduos comuns, até os biológicos, químicos e perfurocortantes. Cada tipo deverá seguir um tratamento diferenciado que será definido previamente em um documento denominado Programa de Gestão de Resíduos em Saúde (PGRS).

Programa de Gestão de Resíduos em Saúde (PGRS)

Documento que estabelece o fluxo correto do descarte de matérias de diversas naturezas.

Os avanços tecnológicos das últimas décadas pelo radiodiagnóstico não contribuíram apenas para a melhoria dos estudos médicos. Outros impactos diretos foram o fluxo de atividade, que se reflete na rápida transmissão de dados eletrônicos, nos arquivamentos de dados por um servidor e na telerradiologia. No entanto, ganhos indiretos também foram observados: otimização do espaço físico, inutilização de agentes químicos e diminuição de insumos (papel e plástico), que são oriundos de matérias-primas e, quando descartados incorretamente, geram severos impactos ambientais.

Telerradiologia

Desenvolvimento das práticas radiológicas a distância. Ela é integrante de um conceito maior: telemedicina.

Atenção

Vale ressaltar que exposição a agentes químicos são previstos como riscos na norma trabalhista NR 32 (segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde). Sendo assim, sua mitigação resulta em segurança não só para os profissionais, mas também para o meio ambiente, considerando que descartes inapropriados podem gerar contaminação de rios, lagos e lençóis freáticos.

NR 32: Fiocruz - Biossegurança

Portaria MTE n.º 485

O conceito de sustentabilidade pode ser definido como ações e atividades humanas com objetivo de suprir as necessidades da atualidade sem que isso possa gerar ônus excessivo às gerações futuras. Sua aplicação é baseada em três diferentes pilares: meio ambiente, impacto social e economia. Deste modo, ao definir um sistema como sustentável, é preciso analisar a conservação do meio ambiente, o bem-estar social e o ganho econômico, sem colocar em risco os dois primeiros elementos citados.

O desenvolvimento das práticas radiológicas sustentáveis passa por melhorias no sistema de gestão de processos, com o desenvolvimento e cumprimento de um PGRS e pela evolução tecnológica, que resultou na digitalização e informatização dos sistemas, além das realizações de práticas de telerradiologia, através de mecanismos de radiografia digital (DR e CR), com sistemas de comunicação e arquivamento de imagens médicas (PACS).

MÓDULO 1


Relacionar os conhecimentos teóricos e práticos do desenvolvimento das ações de estágio para que o foco sempre esteja na otimização de recursos e rejeitos

IMPACTOS DA RADIOLOGIA ANALÓGICA NO MEIO AMBIENTE

A radiologia analógica é definida como uma modalidade que reproduz as imagens radiográficas em uma película específica após tratamento químico com soluções reveladoras e fixadoras.

O descarte inapropriado de películas radiográficas pode gerar danos irreparáveis, como contaminação do solo e de lençóis freáticos devido a seus componentes químicos, além do longo tempo de decomposição dos seus componentes de plásticos (aproximadamente cem anos).

Para contextualizar os possíveis impactos ambientais relacionados a essa prática, vamos descrever os seguintes componentes segundo sua natureza química:

Película radiográfica.

Soluções químicas de revelação da película (revelador e fixador).

A seguir, conheça mais maneiras de diminuir danos ao meio ambiente:

Clique no botão para ver as informações. Objeto com interação.

Na radiologia analógica, uma atividade adicional é o arquivamento físico, de forma padronizada e ordenada dos prontuários médico com todas as informações geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência prestada reunidos em suporte de papel.

O Conselho Federal de Medicina, por meio da resolução CFM Nº 1.821/07, revoga as Resoluções CFM nº 1.331/89 e 1.639/02 e demais disposições em contrário. A principal alteração foi que, para prontuários ainda em papel, a resolução estabelece o prazo mínimo de 20 anos para a preservação dos prontuários dos pacientes a partir do último registro.

Devido a esse prazo de arquivamento, hospitais com grandes fluxos de pacientes, que mantêm o registro físico em papel, geram inúmeros dados, o que implica a necessidade de funcionários dedicados para gestão e arquivamento destes prontuários, além de necessidade de maior espaço físico para acomodar o volume de arquivos.

Digitalização de prontuários médicos

Devido ao seu caráter legal, sigiloso e científico, a resolução CFM Nº 1.821/07 determina o uso de sistemas informatizados para guardar e manusear prontuários de pacientes, eliminando a obrigatoriedade do registro em papel, desde que esses sistemas atendam integralmente aos requisitos de segurança.

Para que ocorra essa troca de método de arquivamento, a digitalização deve reproduzir informações totalitárias dos documentos originais, além da exigência da assinatura digital, e que sejam controlados por sistema especializado (Gerenciamento Eletrônico de Documentos – GED).

Plano de Gerenciamento de Resíduos de Saúde‎ (PGRS)

Trata-se de um conjunto de procedimentos que têm como objetivo determinar o manejo e a destinação correta dos diversos rejeitos gerados em uma unidade médica, que podem resultar em riscos à saúde pública e ao meio ambiente. O PGRS contempla as seguintes etapas: geração, segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e destino.

O gerenciamento de rejeitos deve ser tratado por todas as instituições, independentemente da natureza do serviço:

  • PGRCC - Plano de Gerenciamento de Resíduos para Construção Civil.
  • PGRS - Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (aplicado para atividades industriais).
  • PGRSS - Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (estabelecimentos de atendimento à saúde humana ou animal).

Toda unidade de saúde tem a obrigação de elaborar um PGRS adequado às necessidades, ao volume e às complexidades apropriadas a cada realidade. Desta forma, podemos defini-lo como um documento técnico de extrema importância para garantir o correto gerenciamento de resíduos de saúde.

A regulação do PGRS segue as resoluções específicas, e seu objetivo é proteger os trabalhadores envolvidos e a preservação dos recursos naturais, do meio ambiente e da saúde pública.

  • CONAMA nº 283/01.
  • CONAMA nº 358/05.
  • ANVISA RDC 306/04.

Além das resoluções específicas, o PGRS também deve analisar diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Normas Descrição
NBR 7.500 Símbolo de risco e manuseio para o transporte e armazenamento de material
NBR 7.501 Terminologia de transporte de resíduos perigosos
NBR 7.503 Ficha de emergência para transporte de produtos perigosos
NBR 7.504 Envelope para o transporte de produtos perigosos
NBR 8.285 Preenchimento da ficha de emergência para transporte de resíduos perigosos
NBR 9.190 Classificação dos sacos plásticos para acondicionamento
NBR 9.191 Especificação de sacos plásticos para acondicionamento
NBR 12.807 Terminologia dos resíduos de serviço de saúde
NBR12.808 Resíduos de serviços de saúde
NBR12.809 Resíduos de serviços de saúde
NBR12.810 Coleta de resíduos de serviço de saúde
NBR 12.853 Coletores para os resíduos de serviço de saúde perfurocortantes e cortantes

Todos os serviços que prestam atendimento à saúde humana ou animal são considerados geradores de resíduos de saúde e, por isso, possuem obrigatoriedade no desenvolvimento do PGRS, conforme informações da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Além das unidades de saúde, outros estabelecimentos também devem estabelecer um PGRS. São eles: clínicas odontológicas, estúdios de tatuagem, clínicas veterinárias, necrotérios e funerárias, drogarias, farmácias e clínicas de acupuntura.

Durante um ato de fiscalização, a não observância do PGRS estará sujeita a multas e autuações.

Geração de rejeitos químicos na radiologia

Após a repetição do processo de revelação das películas radiográficas, as soluções químicas serão automaticamente renovadas de maneira cíclica. A troca das soluções dentro dos recipientes da processadora obrigatoriamente demandará a saída de produtos químicos em forma de rejeito. O mesmo ocorrerá com a água utilizada na etapa da lavagem, contudo esta não sofrerá a etapa do acondicionamento.

Outra forma de produção de rejeitos específicos da radiologia é a realização de películas com imagens inapropriadas ao diagnóstico. Cada vez que a técnica ou o posicionamento forem inapropriados, o paciente se movimentar ou tiver algum artefato na região de exame, a película estiver velada ou ocorrerem problemas no processamento químico, estes filmes serão desprezados e, desta forma, irão se transformar em rejeitos.

O seu impacto está diretamente relacionado ao aumento de dose no paciente, gastos desnecessários de insumo e aumento do custo do processo, além de impactos no meio ambiente.

Atenção

Vale ressaltar que o impacto estará relacionado ao seu descarte, sem esquecer que, para que houvesse a sua fabricação, outros impactos já haviam ocorrido.

Durante o processo de revelação, após as etapas de interação química, existe a fase de lavagem das películas. Sua principal função é extrair todos os resíduos químicos que possam ter permanecido no filme. Uma lavagem inapropriada interfere na qualidade da imagem impressa ao longo do tempo.

Sobre essa etapa, é importante ressaltar que o fluxo de renovação de água é controlado através da abertura da torneira para ajuste da vazão. O fluxo baixo interfere no aumento de resíduos químicos no recipiente da água e, por isso, causam a lavagem inapropriada, enquanto o fluxo alto interfere no desperdício de água.

Atenção

Vale ressaltar que, diferentemente do que ocorre com as soluções desprezadas de revelador e fixador, que são condicionadas em recipientes apropriados para o descarte, seguindo orientação do PGRSS, a água é desprezada diretamente na rede sanitária de esgoto, mesmo contendo resíduos de componentes químicos.

A seguir, assista ao vídeo em que o Professor Wellington Guimarães explica como são gerados os rejeitos em radiologia e quais são as formas de tratá-los.

Geração e tratamento de rejeitos

Acondicionamento de rejeitos químicos na radiologia

Os rejeitos químicos de revelação e fixação devem ser condicionados em um recipiente de plástico rígido, resistente às características químicas do produto, com tampa rosqueada e vedante. Por questão econômica e por considerar a necessidade de condições apropriadas a esse condicionamento, é sugerido que se use a própria embalagem original do produto.

Após o acondicionamento dos rejeitos químicos da radiologia, os recipientes devem ser encaminhados para o armazenamento temporário in loco. Os resíduos permanecerão neste local até a coleta e o tratamento pela empresa responsável, conforme estabelecido no PGRS. Devem ser tomados alguns cuidados para a escolha deste local; deverão ser apresentadas condições ideais de ventilação para evitar a criação de uma atmosfera tóxica.

Segregação de rejeitos químicos na radiologia

Os resíduos gerados na saúde metodologicamente são divididos em cinco diferentes grupos (A, B, C, D e E) de acordo com as suas características físico-químicas. A destinação de cada resíduo só será definida após a sua classificação em cada tipo de grupo.

Grupos Classificação de resíduos gerados em serviços de saúde Exemplos na radiologia
Grupo A Agentes biológicos com risco potencial de infecção Sondas, curativos, seringas
Grupo B Substâncias químicas (inflamáveis corrosivo, reativo e tóxico) Revelador e fixador
Grupo C Rejeitos radioativos Fontes radioativas
Grupo D Definidas como resíduos comuns Embalagem plástica e papel
Grupo E Materiais perfurocortantes Agulhas, escalpe e francos de vidro

Atenção

Somente os resíduos do grupo B e D podem ser reciclados.

swap_horiz Arraste para os lados. Arraste para os lados.

A

Resíduos potencialmente infectantes

Sondas, curativos, luvas de procedimentos, bolsa de colostomia

Devem ser descartados em lixeiras revestidas com sacos brancos

B

Resíduos químicos

Reveladores, fixadores de raios X, prata

Devem ser descartados em galões coletores específicos

C

Resíduos radioativos

Cobalto, lítio

Devem ser descartados em caixas blindadas

D

Resíduos comuns

Fraldas, frascos, garrafas pet vazias, marmitas, copos, papel-toalha

Devem ser descartados em lixeiras revestidas com sacos pretos

E

Resíduos perfurocortantes

Agulhas, lâminas de bisturi, frascos e ampolas de medicamentos

Devem ser descartados em coletor específico

Coleta de rejeitos químicos na radiologia

Parte integrante do PGRS, devido à natureza perigosa de alguns rejeitos. Essa ação deve apresentar o mais alto nível de segurança aos indivíduos e ao meio ambiente, seguindo orientações normativas que determinam responsabilidades e preveem penalidades, quando observado o seu descumprimento.

A coleta e o subsequente transporte devem ser realizados por uma empresa que esteja apta a realizar atividades com rejeitos. Ela precisa possuir uma licença ambiental para o tipo específico de resíduo manuseado e transportado. Além disso, deve cumprir requisitos descritos em normas e regras para garantir a chegada ao destino de maneira adequada e segura.

Os funcionários que participam da coleta de rejeitos químicos devem utilizar todos os EPIs recomendados no POP da empresa responsável, de modo que a total proteção no desenvolvimento desta atividade seja alcançada. Os principais EPIs utilizados são: luvas, avental e óculos.

Transporte de rejeitos químicos na radiologia

De acordo com a resolução nº 5232, de 14 de dezembro de 2016, da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que substitui a resolução nº 5232 e a Resolução ANTT 420/2004, as obrigações legais de meio ambiente que uma empresa que realiza atividade relativa à transporte de resíduos perigosos deve seguir são as seguintes:

  • Atividades dentro dos estados devem emitir a licença ambiental no órgão estadual de meio ambiente;
  • Atividades interestaduais de transporte de resíduos devem emitir a licença junto ao IBAMA.

As empresas devem realizar os seguintes cadastros:

  • Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras – CTF-APP (IBAMA);
  • Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos – CNORP (IBAMA);
  • Comprovante de Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas – RNTRC;
  • Pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TFCA.

Atenção

Em caso de transporte de rejeitos radioativos, as empresas devem cumprir as exigências da Norma CNEN-NE-5.01.

As regras relativas aos veículos são apresentadas na resolução da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) nº 5.848/19, que aborda o transporte rodoviário, por via pública, de produtos que sejam perigosos por representarem risco para a saúde de pessoas ou para o meio ambiente.

Os veículos devem possuir boas condições de conservação e seguir normas específicas para o transporte correto de cada tipo de resíduos, levando em consideração informações como tipo e classe de risco. Também deve conter rótulos de riscos e painéis de segurança específicos.

Rótulos de risco para diferentes tipos de produtos transportados

Tratamento e destino de rejeitos químicos na radiologia

Resíduos químicos radiológicos classificados no subitem B5 devem ser encaminhados a aterro sanitário industrial para resíduos perigosos ou serem tratados de acordo com as instruções do órgão local de meio ambiente, em instalações licenciadas especificamente para essa finalidade.

Fluxograma do descarte de rejeito químico

A empresa responsável pelo recolhimento dos rejeitos químicos hospitalares deve sempre fornecer o relatório do destino de descarte dos produtos químicos recolhidos na última visita. Todos esses relatórios deverão ser assentados para futuras conferências nas inspeções da vigilância sanitária.

Modelo de manifesto de resíduos fornecido pela empresa contratada

Possíveis impactos ambientais observados na radiologia analógica

Os impactos ambientais gerados pela radiologia analógica vão além do descarte inapropriado dos insumos necessários na produção da imagem (filme, solução química revelador e fixador). Todos os citados possuem material definido como grande vilão ao ecossistema, o plástico. Sua presença pode ser observada na composição dos filmes e nas embalagens cujos produtos são comercializados.

Os primeiros problemas relativos ao plástico ocorrem durante a fase de produção e extração de matéria-prima dos derivados de petróleo. Segundo o relatório Valuing Plastic da Organização das Nações Unidas (ONU, 2014), os prejuízos relacionados pelo plástico podem ultrapassar US$ 75 bilhões anuais. Destes, US$ 22,5 bilhões seriam relativos às emissões de gases do efeito estufa do setor e da poluição do ar causadas durante a produção.

Em relação ao descarte inapropriado do plástico, o ecossistema marinho é o mais afetado. Essa ação pode resultar em poluição de rios, lagoas e oceanos, gerando morte de animais e prejuízos ao turismo, que podem totalizar custos de US$ 13 bilhões ao ano. O descarte no oceano contribui para a estimativa de que exista bilhões de toneladas de plástico flutuando atualmente nos oceanos.

Você sabia

Somente na região chamada Great Pacific Garbage Patch (na tradução: ilha de lixo plástico do Pacífico), localizada entre o Havaí e o litoral da Califórnia, existe um total de 1,8 bilhões de peças de plástico, pesando 80 mil toneladas. Atualmente, possui uma área equivalente a mais do que os territórios da França, Alemanha e Espanha juntas. Sua difícil detecção não pode ser realizada por satélites, sendo possível ser avistada somente a partir de embarcações marítimas.

Segundo Achim Steiner, “plásticos possuem um papel crucial na vida moderna, mas os impactos ambientais de seu uso não podem ser ignorados”.

O ecossistema marinho não é o único afetado pelo descarte inapropriado. As cidades sofrem bastante, principalmente as galerias de águas pluviais. Os materiais plásticos contribuem para entupimento dos bueiros e são as principais causas de enchentes nas cidades.

Achim Steiner

Cientista e diplomata germano-brasileiro que chefia o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

DANOS QUÍMICOS POR METAIS PESADOS NO MEIO AMBIENTE

Como descrito anteriormente, o processo de revelação de imagens radiográficas envolve uma série de compostos químicos presentes na película e nas soluções de revelação e fixação, como prata, bromo, iodo, dietilenoglicol etc. Isoladamente ou em conjunto, estes componentes podem causar danos no solo, na água, no ar e em organismos vivos, animal ou humano.

Saiba mais

Dietilenoglicol foi o produto encontrado no caso na cerveja artesanal Belorizontina, da fabricante Backer, de Belo Horizonte. Após a ingestão de cerveja contaminada, as pessoas manifestaram uma síndrome nefroneural (doença que atinge rins e o sistema nervoso). Esse caso de contaminação resultou na morte de seis pessoas.

A poluição química do meio ambiente por resíduos radiológicos apresenta difícil controle e identificação. Devido à sua natureza não pontual (fontes difusas), seus focos podem ser relacionados a diversos ponto de lançamento e de geração inespecífica, sendo necessário ter atenção especial com os corpos hídricos.

O máximo esforço deve ser tomado para evitar a poluição da água, pois ela é o bem mais precioso do mundo, por ser essencial para o consumo de organismos vivos, a produção de alimentos, produção de energia e de bens industriais.

O descarte intencional ou acidental pode influenciar na contaminação de corpos hídricos. Caso nenhuma medida seja tomada, o consumo dessas águas prejudicará animais que interagem com o ecossistema, como aves que se alimentam dos peixes, e os seres humanos que tenham contato ou consumam essa água contaminada. Os problemas mais observados estarão ligados ao desenvolvimento de doenças e problemas graves de saúde.

O destino de todo poluente solúvel em água lançado no ar ou no solo gerará poluição de lençóis freáticos, lagos, rios, mares e oceanos, pois esses ambientes são o destino destes percursos. De igual forma, as redes hídricas também recebem a poluição vinda da atmosfera e do solo.

A poluição da água por diferentes produtos químicos apresenta respostas complexas e, por muitas vezes, ainda incompreendidas pelos especialistas. Além disso, influencia no desequilíbrio do sistema, como taxa de reprodução aumentada para outros organismos do bioma, tempo de vida reduzido e morte, alteração da temperatura, ocorrência de chuvas e mudança na velocidade do fluxo da água.

Atenção

O grande problema da poluição química está relacionado à dificuldade de descontaminação, pois ela envolve altos investimentos e necessidade de grande intervalo de tempo.

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Contaminação do solo

Em alguns casos, terrenos contaminados por produtos químicos podem ficar décadas sem possibilidade de utilização, devido à contaminação e a consequente toxicidade do poluente.

Contaminação de rios

Seu grande agravante está relacionado à migração do poluente por todo o curso do rio. O produto químico também pode se depositar no fundo e contaminar as margens.

Efeitos em humanos

O consumo da água é fundamental para a nossa sobrevivência e, caso ela possua poluentes químicos, eles podem gerar grandes danos à saúde a curto ou longo prazos. Mesmo com baixos níveis de concentração, o consumo destes poluentes por peixes será acumulado em seus tecidos. Ao serem consumidos, os poluentes acabam entrando em nosso corpo e podem contribuir com o surgimento de doenças a partir dessa concentração.

Contribuição dos rejeitos radiológicos nos grandes impactos ambientais

O somatório de toda poluição emanada ao meio ambiente contribui para a ocorrência de grandes efeitos que afetam de maneira direta a degradação da qualidade da vida na Terra. As consequências destes efeitos são: diminuição de mananciais, extinção de espécies da flora e fauna devido à destruição de habitats, alterações climáticas, inundações, erosão do solo, chuva ácida, destruição da camada de ozônio e agravamento do efeito estufa.

Chuva ácida

Esse é o nome dado para um fenômeno atmosférico que ocorre pela ação degradadora de produtos químicos no meio ambiente. Sua principal característica é a precipitação com alto índice de concentração de compostos, como o dióxido de enxofre. Como consequência, temos ocorrências de graves problemas ambientais e danos à saúde dos seres vivos.

Precipitação

Fenômeno relacionado à queda de água do céu, incluindo a chuva.

Apesar de uma chuva normal apresentar certo nível de acidez, devido à presença de óxidos no ar (até 5,6 na escala de pH), a chuva ácida deve possuir potencial de hidrogênio (pH) sempre abaixo de 5,5.

Atenção

As definições de acidez, neutralidade ou alcalinidade são mensuradas por uma escala logarítmica denominada pH. Ela compreende valores de 0 a 14, sendo o pH 7 considerado o valor neutro. Valores de pH entre 0 e 6,9 representam amostras ácidas, e pH entre 7,1 e 14 são denominados como amostras básicas ou alcalinas.

Destruição da camada de ozônio

A camada de ozônio se distribui na atmosfera da Terra, que, por questão didática, divide-se em: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera, compondo uma espessura de aproximadamente 1000km. A menor quantidade do gás ozônio (O3) se concentra na troposfera, enquanto a maior (aproximadamente 90%) fica concentrada na estratosfera.

Ozônio

Molécula gasosa formada por três átomos de oxigênio.

A quantidade de ozônio encontrado na troposfera (camada mais próxima da Terra) tem origem nos poluentes e possui efeito nocivo aos habitantes do planeta. Seus impactos incluem danos na produtividade agrícola, que ocasiona perdas econômicas e escassez na oferta de alimentos para a população. Os seres vivos, ao entrarem em contato com o gás, apresentam irritação nos olhos e complicações no sistema respiratório; além disso, intensificam a ocorrência de problemas cardiovasculares.

O ozônio presente na estratosfera, por sua vez, possui um papel fundamental na manutenção das condições ideais para a existência de vida no planeta, pois consegue absorver 95% dos raios ultravioletas emitidos pelo sol.

Saiba mais

O ozônio da estratosfera é distribuído em uma fina e instável camada com espessura de 25 e 30 quilômetros.

O conceito da destruição na camada de ozônio ganhou notoriedade no mundo acadêmico, científico e na mídia em meados da década de 1970, pois, segundo cientistas, a diminuição do gás na estratosfera geraria buracos na camada e, com isso, aumentaria a concentração de raios ultravioleta na superfície terrestre, provocando diversos impactos para o meio ambiente e os indivíduos do mundo inteiro.

Atenção

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a concentração do ozônio diminuiu 3%, o que resultou em um buraco de 31.000.000km2, cerca de 15% da superfície terrestre na região da Antártica entre o final do inverno e o final da primavera.

Aquecimento global

Com a diminuição da camada de ozônio e a consequente elevação dos raios UV, o aumento da temperatura global pode sofrer uma aceleração.

Danos em humanos

Podem ser observadas consequências como mutação genética, aumento na incidência de câncer de pele, envelhecimento precoce e complicações no sistema imunológico.

Impacto na botânica

Comprometimento da fotossíntese, com impacto direto na nutrição e no desenvolvimento.

Espécies marítimas

A superexposição aos raios UV pode prejudicar o desenvolvimento de diversas espécies marítimas, como peixes, camarões, caranguejos e fitoplânctons (base da cadeia alimentar marítima). Além disso, o contato com essa radiação pode causar diversas mutações genéticas, alterando totalmente o DNA dos seres vivos.

A principal causa da destruição da camada de ozônio é a emissão de CFC (clorofluorcarboneto) e halogênios, pois estes se ligam às moléculas do gás, transformando-o em outro elemento, diminuindo, consequentemente, sua concentração na atmosfera. Para isso, em 1987, foi assinado o Protocolo de Montreal, que é considerado o único acordo multilateral com adoção universal do mundo por 197 países. O principal compromisso do acordo é a erradicação das atividades que envolvia o uso desses gases poluentes.

Efeito estufa e aquecimento global

Apesar de não serem processos idênticos, é comum que haja confusão na diferenciação destes termos, pois os dois eventos sempre estarão relacionados quando os assuntos estudados forem os danos ambientais causados por poluição.

Efeito estufa

Fenômeno de ocorrência natural que tem como objetivo garantir a temperatura adequada para a vida na Terra. Para isso, existe uma camada com espessura ideal de gases que envolve o planeta. Com o aumento da emissão de gases poluentes e o consequente aumento da concentração desses gases na atmosfera, essa camada se torna mais espessa, o que dificulta a dispersão da radiação solar e provoca aumento da temperatura.

Ocorre por consequência da retenção de calor descrita no efeito estufa. É definido como um fenômeno climático que interfere no aumento das temperaturas médias do planeta e das águas dos oceanos.

Atenção

O efeito estufa é definido como um processo natural, que, após a sua intensificação devido às ações humanas, gera o aquecimento global.

Para minimizar a ocorrência destes efeitos, no ano de 1997, um tratado complementar à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima recebeu o nome de Protocolo de Quioto. Esse protocolo definiu metas para redução de emissões de gases poluentes para os países. O protocolo entrou em vigor somente no ano de 2005, após a ratificação por, no mínimo, 55% do total de países membros da convenção, que foram responsáveis por, pelo menos, 55% do total das emissões de 1990.

No ano de 2002, o Brasil ratificou o documento por meio do decreto legislativo nº 144 de 2002. A única exceção entre os principais emissores de gases de efeito estufa foram os Estados Unidos; contudo, suas responsabilidades e obrigações definidas pela convenção permanecem.

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MÓDULO 2


Construir uma visão crítica sobre os avanços tecnológicos e a conservação do meio ambiente

Composição química das películas radiográficas

Insumo indispensável na formação de imagem radiológica analógica, o filme radiográfico está presente na radiologia geral e odontológica e na mamografia. Será ele o responsável por demonstrar as imagens reais após processamento químico manual ou automatizado.

As películas são compostas por diferentes camadas:

Base

Composta por material plástico, confeccionado em acetato de celulose ou polietileno teratalato. Sua função é atuar como um suporte para a emulsão.

Emulsão

Com gelatina impregnada de sais halogenados de prata (iodetos e brometos). Sua função é atuar como a parte sensível no filme.

Camada protetora

Formado por uma fina película, cuja função é proteger a região sensível do filme durante a manipulação.

Atenção

O processamento manual foi descontinuado pela RDC 330 (Publicada no DOU nº 249, de 26 de dezembro de 2019). Sua principal justificativa foi a diminuição do impacto nos profissionais devido à exposição a agentes químicos.

Com a continuidade da autorização dos processos de revelação química automatizada, os impactos nos profissionais diminuem. No entanto, os impactos ambientais persistirão, pois, neste processo, são utilizados os mesmos insumos (filmes e diferentes agentes químicos), componentes com longo tempo de decomposição e metais pesados que podem contaminar a água.

Soluções químicas de revelação

O processamento radiográfico possui a principal função de transformar as imagens latentes em imagens reais. Para isso, as películas expostas serão submetidas a um tratamento químico em que as soluções reveladora e fixadora irão interagir com a região sensível da película (haletos de prata), proporcionando transformações e, como resultado, formando as imagens.

Imagens latentes

Definida como uma imagem invisível aos olhos e que foi produzida na emulsão do filme pela ação dos raios X.

Kit de soluções químicas revelador e fixador

Composição química do revelador

O agente de revelação das películas radiográficas é composto pelas inúmeras substâncias químicas que formarão o soluto. Cada um terá um papel fundamental no desempenho desta função. Para que a composição esteja completa, a água será o solvente que completará a solução.

Atenção

A água é considerada solvente universal, pois é muito abundante na Terra e é capaz de dissolver grande parte dos solutos.

Cada componente químico do revelador será descrito através de sua substância química, função geral e função específica.

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Agentes redutores (metol, fenidona e hidroquinina)

São responsáveis por converter os cristais de haletos de prata expostos à radiação em prata metálica. Enquanto os dois primeiros produzem uma revelação com rápida conversão em tons de cinza, o último produz tons enegrecidos, que contribuem para o contraste de forma mais lenta.

Ativador (carbonato de sódio)

Possui a função de construir um caminho através da suavização e da criação de condição de alcalinidade necessária à emulsão, facilitando a interação dos agentes redutores com os grãos de prata que foram expostos à radiação.

Alcalinidade

Capacidade que um sistema aquoso tem para neutralizar ácidos fortes (haletos de prata).

Restritor (carbonato de sódio)

Restringe a ação contínua dos agentes redutores. Sua aplicação evita o velamento das películas, devido à ação ininterrupta da revelação.

Preservativo (sulfito de sódio)

Minimiza a interação do oxigênio presente na atmosfera com os agentes redutores, proporcionando perda gradativa na efetividade da revelação, e ocasiona a redução da qualidade das imagens devido ao processo de oxidação.

Oxidação

Reação química em que moléculas perdem elétrons e geram aumento do número de oxidação (nox).

Composição química fixadora

O agente de fixação das películas radiográficas é igualmente composto por inúmeras substâncias químicas que formarão o soluto. Cada soluto terá um papel fundamental no desempenho desta função. Para que a composição esteja completa, a água será o solvente que completará a solução.

Cada componente químico do fixador será descrito através de sua substância química, função geral e função específica.

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Agente fixador (tiossulfato de amônia)

Possui a função primária de eliminar na película todos os haletos de prata que não foram expostos aos raios X.

Neutralizador (ácido acético)

Responsável por fornecer acidez necessária para que haja a suspenção da revelação. Quando ocorre a contaminação da solução reveladora pela fixadora, esse composto será o responsável por inabilitar as ações de revelação.

Preservativo (sulfito de sódio)

Possui a função de manter o equilíbrio químico entre os componentes que integram o fixador. Essa substância também está presente no revelador.

Endurecedor (alúmen de cromo)

Possui a função final de endurecer a gelatina que compõe a emulsão da película radiográfica.

Os kits com soluções químicas de revelação devem ser armazenados sob condições especificas. O local de estoque deve manter temperatura abaixo de 30°C, estar seco e com adequada ventilação. Além disso, o recipiente deve ser mantido fechado quando não estiver em uso.

Processo de digitalização na radiologia

Os principais responsáveis por estas mudanças são os sistemas radiográficos digitais (CR e DR), devido ao volume de procedimentos radiográficos em uma unidade de saúde, assim como o grande número de rejeitos químicos gerados em métodos radiográficos em filmes.

A alteração de radiologia analógica para digital contribuiu para uma grande redução de rejeitos químicos, que, muitas vezes, não recebiam o tratamento ideal durante o seu descarte.

Sistema de radiologia digital CR leitora de cassete e workstation,
Sistema de radiologia digital DR (equipamento integrado com detector de radiação.

Composição do plate fosforescente de radiologia CR

Sua composição é definida por uma camada anteriormente externa denominada camada protetora (EBC – eletronic beam cured). Esta região é composta por um material polímero de alta densidade. Sua finalidade é proteger a superfície sensível fosforescente contra agentes químicos e físicos que degradam a funcionalidade do sistema.

Camada fotoestimulável

Composta por cristais com tamanhos variados de elemento com características fosforescentes, geralmente BaFBrEu+2. Para que essa camada seja disposta de maneira homogênea na superfície do plate, uma espécie de polímero orgânico realiza a função de unir os grãos de cristal. É nessa região que os fótons serão temporariamente armazenados, para que, posteriormente, sejam produzidas imagens reais após o processo da leitura da placa.

Camada de suporte

Confeccionada em papel cartolinado ou polietileno, possui a característica de ser flexível. Devido a isso, permite a ideal condução dos plates no interior da leitora de cassete, sem que isso gere dano físico e, por consequência, problemas na formação das imagens. Contribui também na proteção dos cristais fosforescentes.

Ilustração de plate CR com espessuras de cada camada.

Vida útil do plate por número de exposições

Devido à sua característica perene, os sistemas digitais CR minimizam drasticamente a geração de rejeitos, pois, em vez de utilizar películas e agentes químicos, o mesmo receptor de imagem pode ser utilizado por um intervalo entre duas mil até seis mil exposições, dependendo da recomendação dos fabricantes. Caso o objetivo seja realizar uma comparação, qual volume de rejeitos químicos seria produzido com esse mesmo número de exposição?

Perene

Aquilo que permanece durante longo tempo.

Composição dos receptores de radiologia DR

A formação da imagem em sistemas DR é baseada em detectores de radiação. Seu processo de interação pode variar de diversas maneiras, sendo eles: detecção direta (selênio amorfo – a-Se) e indireta da radiação (silício amorfo – a-Si), acoplado a uma camada cintiladora, que pode ser de iodeto de césio (CsI) e oxisulfito de gadolínio (Gd2O2S).

Configuração do método de conversão direto e indireto

A durabilidade e estabilidade destes sistemas dependerá diretamente da realização de um efetivo controle de qualidade previsto no PGQ. Entre as ações necessárias, a calibração dos detectores deverá ser realizada respeitando a periodicidade recomendada em legislação e as recomendações do fabricante. Além disso, caso haja necessidade, deve ser feita a substituição de componentes para reestabelecimento das funções.

Desta forma, assim como sistemas CR, a digitalização torna o setor de imaginologia altamente sustentável, pois, de todos os rejeitos gerados, certamente os de natureza química são os prevalentes e promovem os maiores riscos ao meio ambiente e aos indivíduos.

Assista ao vídeo a seguir, em que o Professor Wellington Guimarães explicará como a implantação da radiologia CR e DR permite mudanças nos aspectos relacionados às políticas de sustentabilidade.

Radiologia digital e sustentabilidade

Processo de informatização na radiologia

É muito comum a confusão conceitual entre digitalização e informatização do Setor de Radiologia. No entanto, estes dois recursos, apesar de complementares, são distintos.

A digitalização é o processo de transformar imagens radiológicas em tecnologias digitais.

A informatização é o processo que permite a comunicação entre computadores através de rede para transmissão de dados para uma mesma unidade ou até mesmo entre diversas instalações (unidades filiais e central de laudo).

Apesar de ser possível a digitalização sem a informatização, esse processo acarreta inúmeras desvantagens. Além do prejuízo, a qualidade das imagens impressas em folha de papel deve ser considerada o aumento do custo operacional devido aos gastos com os insumos necessários ao registro da imagem (folha e tinta de impressão).

A implementação da informatização em um serviço com imagens radiológicas digitais potencializa todas as vantagens no fluxo de atividades, de informações, além de contribuir para minimizar os custos do processo.

Sistema PACS (Picture Archiving and Communication System)

Sistema responsável pelo arquivamento e pela comunicação dos dados médicos, inclusive as imagens radiológicas. Por meio dele, será possível analisar, através de computadores em estações de diagnóstico, todos os estudos produzidos pelas mais diferentes modalidades médicas, assim como seus laudos.

As imagens permanecerão arquivadas em um computador (servidor) com HD de alta capacidade de armazenamento e, caso elas sejam solicitadas pelos pacientes, podem ser gravadas em mídia (CD e DVD) ou, mais recentemente, baixadas através do site da própria organização de saúde.

Outros integrantes da informatização na radiologia:

Clique nas barras para ver as informações. Objeto com interação.
Digital Image and Communications in Medicine (DICOM)

Protocolo de imagens médicas com o objetivo de unificação para facilitar a manipulação e transferência desses arquivos entre os diversos equipamentos e setores de um hospital.

Hospital Information System (HIS)

Sistemas de Banco de Dados que contém as informações necessárias para que o PACS funcione de forma correta e integre os exames e as demais informações no hospital ou na clínica.

Radiology Information System (RIS)

Sistemas de Banco de Dados que contém as informações relativas ao Setor de Radiologia.

PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente)

Banco de dados que contém todas as informações referentes ao paciente e seu histórico, que pode ser utilizado para facilitar o laudo.

Laboratory Information System (LIS)

Sistemas de Banco de Dados que contém as informações relativas ao Setor de Análises Clínicas.

Sistemas administrativos (gestão)

Integra demais setores do hospital com informações como custo hospitalar, manutenção, finanças e RH, cruzando dados gerados por meio dos outros sistemas.

Por meio dos processos de digitalização e informatização, o volume de matéria-prima, principalmente papel e plástico utilizados, será drasticamente reduzido, pois inúmeras etapas, como confecção de prontuários, impressão de solicitação de exames, instruções prévias do exame ao paciente e laudos médicos com envelope, deixam de serem apresentadas de forma física e passam a ser fornecidas de maneira digital.

Esquematização do funcionamento da informatização hospitalares por meio de sistema PACS.
Telemedicina e telerradiologia

A telemedicina é definida como a aplicação de diversas tecnologias que permitem a realização de ações práticas médicas submetidas à distância. A telerradiologia é uma especialidade da telemedicina, que permite a execução do exame, o diagnóstico e até mesmo uma reavaliação médica.

Implementação de central de laudos remoto

Os médicos responsáveis pelos laudos não ficam dentro do hospital no qual o exame foi realizado. Eles estarão em um grande ambiente com diversos outros médicos radiologistas. Essas centrais atendem diversos hospitais em locais diferentes e modalidades distintas. Desse modo, permite troca de informações médicas de forma ágil e segura. Uma de suas vantagens é ofertar avaliações diagnósticas para locais remotos, que não contavam com médicos especialistas.

Com a implementação da telemedicina e telerradiologia, inúmeros ganhos são atribuídos no que tange à sustentabilidade e diminuição de geração de rejeitos. Estas ações estarão diretamente ligadas à diminuição de resíduos do tipo D, principalmente de papel e plásticos.

Através da diminuição de circulação de veículos de médicos e de pacientes, existe economia de tempo, gastos com o deslocamento e diminuição de emissão de gás carbônico (CO2). Estima-se que um veículo movido à gasolina libere, em média, 120 gramas de CO2 por quilômetro rodado. Além disto, outros gases são dispersados no meio ambiente, como: monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), dióxido de enxofre (SO2), aldeídos (CHO), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP). Desta forma, a diminuição da circulação de veículos proporcionada pela telemedicina contribui diretamente para a preservação ambiental.

Verificando o aprendizado

ATENÇÃO!

Para desbloquear a conclusão, é necessário que você responda corretamente a uma das seguintes questões:

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Conclusão

Considerações Finais

Após apresentação deste módulo, fica notório o quanto os avanços tecnológicos, além de auxiliarem na melhoria das imagens e no fluxo de trabalho mais efetivo, indiretamente, também constroem um serviço com maior consciência ambiental e, por isto, torna-se uma atividade mais sustentável. Vale ressaltar que é de extrema importância que os profissionais que atuam na radiologia incorporem o discernimento de que, com a minimização de resíduos, podemos obter o bônus de um bom diagnóstico, sem que seja necessário um ônus excessivo ao meio ambiente e futuras gerações.

Podcast

CONQUISTAS

Você atingiu os seguintes objetivos:

Relacionou os conhecimentos teóricos e práticos do desenvolvimento das ações de estágio para que o foco sempre esteja na otimização de recursos e rejeitos.

Construiu uma visão crítica sobre os avanços tecnológicos e a conservação do meio ambiente.