Descrição

Métodos de ensino, aprendizagem e aperfeiçoamento dos saltos no Atletismo, suas regras oficiais e atividades práticas específicas para os saltos horizontais (Salto em Distância e Salto Triplo) e os saltos verticais (Salto em Altura e Salto com Vara).

PROPÓSITO

Conhecer as provas de saltos no Atletismo e as regras oficiais do esporte é fundamental para a atuação profissional, tanto no bacharelado, quanto na licenciatura em Educação Física, pois trata-se de um esporte de base.

Preparação

Não é necessário preparo prévio para estudar este tema. No entanto, você pode consultar as regras oficiais de competições técnicas para acompanhar seu estudo.

OBJETIVOS

Módulo 1

Identificar as regras e as fases de preparação técnica do Salto em Distância

Módulo 2

Reconhecer as regras e as fases de preparação técnica do Salto Triplo

Módulo 3

Distinguir as regras e as fases de preparação técnica do Salto em Altura

Módulo 4

Identificar as regras e as fases de preparação técnica do Salto com Vara

Introdução

A prática dos saltos no Atletismo expõe movimentos complexos que exigem vivências em atividades práticas e teóricas diversificadas. No Atletismo, os saltos subdividem-se em:

Saltos de projeção horizontal

• Salto em Distância

• Salto Triplo

Saltos de projeção vertical

• Salto em Altura

• Salto com Vara

Os movimentos a serem executados nas diferentes modalidades do Atletismo confrontam-se e desafiam as leis da física e da biomecânica. O gasto energético se dá com o objetivo de vencer parcialmente as forças externas, como o atrito e a resistência do solo, além da força da gravidade.

Os saltos ocorrem em um determinado intervalo de tempo de deslocamento no ar, e o praticante ou atleta tem por objetivo alcançar a maior distância ou a maior altura possível, de acordo com as regras de cada modalidade.

Atualmente, todos os saltos são antecedidos por corrida de aproximação (momentos cíclicos).

As finalizações acontecem na caixa de areia nos saltos horizontais ou em colchões nos saltos verticais, através de aplicações técnicas específicas (momentos acíclicos).

A sequência dos conteúdos apresentados neste tema contribuirá para a estruturação do conhecimento sobre como organizar, conduzir e melhorar a execução das diversas técnicas aplicadas nos saltos.

O enfoque principal, apoiado em Le Boulch (1988), consistirá na melhoria da capacidade de “coordenação motora”, no “princípio da percepção”, ou seja, na capacidade de “interiorização” dos movimentos trabalhados e na ampla estruturação “espaço-temporal” necessária ao praticante.

A abordagem dos conteúdos aqui apresentados envolve a explanação dos movimentos específicos, em suas diversas fases de desenvolvimento, além de atividades globais, esclarecendo como realizar adaptações de locais e materiais, para que se possa atingir a qualidade e conquistar melhores resultados atléticos em cada tipo de salto.

MÓDULO 1

Identificar as regras e as fases de preparação técnica do Salto em Distância

Salto em Distância

Classificado como um salto de projeção horizontal em que o praticante ou atleta busca atingir a maior distância possível. Consiste em uma prova de campo realizada no seu setor específico, na pista de Atletismo, que permite a projeção do indivíduo com a intenção de obter um resultado mensurável.

Conforme o esquema a seguir, o setor é compreendido por:

Um corredor para a execução da corrida de aproximação.

Uma tábua de impulso (que determina o início do salto).

Uma caixa de areia (para a realização e a finalização do saltador).

Setor de Salto em Distância

Nas competições, são mensuradas as tentativas sequenciais de cada competidor (caso ele não cometa nenhuma falta que a invalide) e se considera o seu melhor resultado para classificação.

A medição da distância é realizada da tábua até o ponto mais próximo da marca deixada pelo saltador na areia.

O atleta realiza no máximo seis tentativas (se estiver na final), e no mínimo três tentativas de acordo com a qualificação e do número de competidores na prova.

As faltas mais comuns durante o Salto em Distância são:

Ultrapassar o limite da tábua de impulso (área de falta demarcada na tábua) durante sua tentativa.

Impulsionar com as duas pernas.

Executar movimentos não convencionais durante a fase de voo e que agridam as regras (um salto mortal, por exemplo).

Retornar por dentro da caixa de areia em direção ao corredor após finalizar o salto.

Extrapolar o tempo de execução após a chamada do juiz de prova.

O Salto em Distância é considerado o mais simples dos saltos a serem ensinados. Por isso, sugerimos que seja o primeiro a ser trabalhado na iniciação e na Educação Física escolar.

Fases do Salto em Distância

Podemos dividi-lo didaticamente em fases ou momentos de execução, praticadas conjunta ou separadamente, de acordo com o que se pretende alcançar. São elas:

Corrida de Aproximação ou de Balanço

Esta é considerada a fase inicial do salto, em que são criadas as condições ideais para a realização da próxima fase, denominada fase de impulso ou chamada.

Recomendação

Recomenda-se fortemente a prática específica das técnicas de corrida, como composição do treinamento para o salto, por consistirem pedagogicamente em movimentos simples, mas que influenciam diretamente a precisão necessária para a execução do salto.

Há três momentos distintos na corrida de aproximação:

Escolha uma das Etapas a seguir. Escolha uma das Etapas a seguir.

O início da corrida

Escolhe-se entre a saída parada ou lançada. Todas as ações desenvolvidas na corrida devem ser treinadas com exatidão de acordo com essa escolha.

Recomenda-se que o iniciante adote a saída parada, com número de passadas pequeno até que atinja um nível de segurança e controle.

A aceleração

Pode ser realizada por corrida de aumento progressivo ou com incremento rápido de velocidade até as 6 ou 8 passadas finais, o que proporciona uma velocidade ótima para a próxima fase. Outra opção é a aceleração rápida inicial, relaxamento e mais um aumento rápido da velocidade no final.

Recomenda-se para o iniciante uma corrida com aumento progressivo da velocidade nos dez últimos metros da aproximação da tábua de impulso.

A preparação para o Impulso ou para a Chamada:

Tem relação com a parte final da corrida (4 a 6 passadas finais), quando se busca a posição adequada de quadril alto, tronco reto, ombros e braços coordenados, cabeça com o olhar voltado para frente.

Especial atenção deve ser dada à penúltima passada (um pouco mais larga), para que o centro de gravidade (CG) do atleta fique mais baixo e a última passada mais curta, preparando o corpo para o Impulso (o quadril abaixa um pouco sem perder velocidade).

Alguns parâmetros devem ser considerados na elaboração das marcas dos saltadores de distância, com relação ao número de passadas treinadas para a realização da corrida de aproximação e precisão do Impulso na tábua:

Se o atleta é iniciante ou não

O seu nível de força

A coordenação

A velocidade

Considera-se que, quanto mais iniciante é o aluno/atleta, menor será sua marca de aproximação (10 a 14 passadas).

Quanto maior o seu nível e a velocidade, maior será a sua marca de aproximação (com corrida de marca lançada ou parada e número de passadas variando geralmente entre 15 e 22 ou mais passadas).

Movimento de Impulso ou de Chamada

Este movimento é executado por uma das pernas de forma ativa e rápida no solo, com o quadril colocado embaixo do tronco. Neste momento, o atleta não deve frear a corrida, pois acarretaria perda significativa na velocidade adquirida com a corrida de aproximação.

Com o contato no solo, ocorre a absorção do impacto por ligeira flexão das articulações do tornozelo, joelho e quadril ao mesmo tempo que se realiza a elevação rápida da coxa flexionada da perna livre para a horizontal (deve ser mantida nesta posição – para frente e para cima até o desprendimento do solo).

Em seguida, observamos os seguintes processos:

A extensão das articulações do tornozelo, joelho e quadril da perna de impulso no final do impulso.

Os braços trabalham alternadamente com as pernas.

Os cotovelos ligeiramente afastados do corpo, auxiliando no equilíbrio.

A cabeça na posição em que se mantenha o olhar voltado para frente.

Suspensão ou Voo

Após o Impulso são executados movimentos que contribuem para o equilíbrio do corpo do atleta no ar, para a diminuição do efeito rotacional proporcionado pela corrida e impulso.

O objetivo da suspensão é adquirir o melhor posicionamento no contato com a areia.

Esses movimentos expõem as principais técnicas executadas na modalidade:

A técnica do salto grupado (ou passada)

A técnica em extensão (ou arco)

A técnica da tesoura (ou pedalada)

Vejamos cada uma delas a seguir!

Técnica do salto grupado ou passada

No estilo técnico grupado ou passada, após o impulso, o atleta mantém-se em “passo longo” com a sustentação da perna livre na horizontal até atingir o ângulo máximo da parábola desenvolvida pelo voo.

Em seguida, a perna de impulso é conduzida em direção à perna livre, mantendo-as flexionadas.

Por sua simplicidade, o salto com voo grupado é o mais utilizado na iniciação de alunos no Atletismo.

Comentário

Pode ser aperfeiçoado na técnica da passada, com a adoção da extensão dos dois joelhos na horizontal, para cima e para frente. Os braços deslocam-se para trás e o tronco se mantém na vertical para o preparo da recepção na areia.

Técnica em extensão ou arco

Escolha uma das Etapas a seguir. Escolha uma das Etapas a seguir.

A fase de suspensão com técnica em extensão ou arco envolve, após o impulso, a manutenção da perna livre na horizontal, em passo amplo, até atingir-se o ponto mais alto da parábola desenvolvida pelo salto.

Em seguida, a perna livre baixa em direção à perna de impulso, ambas flexionadas para trás (para baixo e para trás). Os braços desenvolvem sua trajetória para trás e para cima, deslocando o quadril e o tronco para frente.

Depois, iniciam-se os movimentos para recepção na areia.

Atenção

Atualmente, verifica-se o uso desta técnica na última fase de suspensão do Salto Triplo.

Técnica da tesoura ou pedalada

Após o Impulso, o atleta mantém a perna livre flexionada.

Em seguida, a perna é estendida para baixo e para trás, ao mesmo tempo que a perna de impulso é conduzida flexionada para frente (o pé desloca-se em direção ao quadril e passa para frente), em posição semelhante à adotada pela perna livre.

Os braços deslocam-se em movimento circular para baixo e para trás (braço contrário com a perna) e são compensados pela posição do tronco inclinado minimamente para trás (para facilitar a recepção na areia).

Você sabia

A técnica da tesoura consiste no estilo mais utilizado em alto rendimento e, conforme o nível, pode-se executar o movimento de passagem mais uma vez e meia.

Recepção ou Queda ou Finalização do Salto

Clique nas figuras abaixo. Objeto com interação.

Neste momento, de flexionadas, as duas pernas estendem-se com a ação dos braços para baixo e para trás, simultaneamente.

O tronco e a cabeça flexionam levemente para frente, contribuindo para uma ótima recepção na areia.

Deve ser realizada preferencialmente com os pés alinhados, seguindo o caminho de atração da gravidade para areia, contribuindo para uma medição com menores perdas de medida na aferição dos resultados do salto.

Progressão pedagógica do Salto em Distância

A partir de agora vamos tratar das progressões pedagógicas para o ensino-aprendizagem do Salto em Distância. Para que isso ocorra com eficiência é importante que você compreenda que não existe uma sequência pedagógica pré-definida como ideal para o ensino e sim, adaptações realizadas de acordo com as necessidades apresentadas pelos alunos/atletas.

Aqui, faremos algumas proposições que devem ser entendidas e analisadas com cautela, diante da variedade de ações que podem ser realizadas pelo(a) professor(a) em uma escola, por um(a) profissional que lida com iniciação desportiva ou por um(a) técnico(a) que trabalha com alto rendimento esportivo. Essas recomendações são aplicáveis à metodologia de ensino de todos os saltos.

Movimento de Recepção: iniciação ao salto estilo Grupado

É necessário começar pela aprendizagem de como realizar a recepção na areia.

Atenção

Por questões de segurança, a recomendação é realizar o impulso e a recepção com as duas pernas.

A prática pode ser realizada na beirada da caixa de areia, ou na extremidade de um a três colchões de ginástica colocados no solo (cerca de 2 a 3 metros por 1 metro, aproximadamente). Vejamos:

Escolha uma das Etapas a seguir. Escolha uma das Etapas a seguir.
Posição 1

Manter braços estendidos sobre a cabeça, pernas estendidas e em médio afastamento lateral (linha do ombro), tronco em extensão e olhar voltado para frente.

Posição 2

Baixar os braços, conduzindo-os para trás (extensão de ombro) ao mesmo tempo que as pernas (joelho e quadril) se flexionam e o tronco fica levemente flexionado à frente, com o olhar voltado para frente.

Posição 3

Deslocar-se para frente em pequena distância através da extensão das pernas (joelho e quadril) e braços para frente.

Posição 4

Observar que o contato com o solo deve ser realizado com os pés completamente apoiados, seguido de uma leve flexão das pernas (joelho e quadril), com os braços a sustentar o equilíbrio à frente do corpo – salto rã em pequenas distâncias.

Atenção

Repetir os movimentos de 1 a 4 e voltar à posição 1 para a execução do movimento completo em distâncias um pouco maiores.

Movimento do Impulso para o Salto em Distância

Descoberta da perna de impulso e perna livre

Caminhar para frente e impulsionar, ora com a perna esquerda (caindo com a mesma perna de impulso), ora com a perna direita, coordenando o braço contrário com a perna de impulso, por cerca de 20 metros.

Posição 1: Colocar a perna esquerda à frente da direita.

Posição 2:
Trazer a perna de trás para frente, flexionada na horizontal ao mesmo tempo que se eleva o braço contrário flexionado à frente.

Posição 3: Executar o mesmo gesto com a outra perna à frente.

Comentário

Executar o mesmo gesto anterior impulsionando no final (saindo um pouco do chão) e caindo com a mesma perna de impulso.

Impulso + queda em pequenas distâncias na grama ou em colchões firmes no solo

a. Caminhar até um arco (ou bambolê) posicionado no solo, colocar o pé esquerdo dentro dele, imitar o gesto do impulso e grupar as pernas, realizando a queda no colchão (ou caixa de areia).

Recomendação

Repetir a mesma atividade com a perna direita de impulso e, em seguida, repetir várias vezes modificando a perna de impulso. Indagar qual é a perna de maior facilidade na execução para ratificar a identificação pelo aluno.

b. Caminhar e realizar a atividade anterior com impulso da perna esquerda dentro do arco, sair do colchão andando e repetir o mesmo exercício com o acréscimo de um arco e um colchão ao solo.

Recomendação

Repetir a atividade com a outra perna e verificar a perna de maior facilidade na execução.

c. Realizar o trabalho anterior dinamizando o processo com o acréscimo de corrida lenta e com passadas pequenas.

Recomendação

Ir para a caixa de areia e repetir os procedimentos anteriores com as duas pernas, andando e depois correndo lentamente.

Quatro passadas: posição inicial e parada com perna de impulso à frente

Fixar a perna de impulso à frente e, caminhando, executar alternadamente os 4 passos dentro dos espaços dos arcos. Impulsionar com a mesma perna do início.

Escolha uma das Etapas a seguir. Escolha uma das Etapas a seguir.

Trabalhar a outra perna (contrária à do impulso) à frente e executar os mesmos gestos caminhando – fundamental para a futura iniciação do Salto Triplo.

Executar as atividades anteriores com corrida progressiva – o gesto final da última passada deverá ser mais rápido do que o da primeira passada.

Realizar os procedimentos conforme as atividades anteriores de 4 passadas para a execução com 6 e 8 passadas de aproximação – primeiro, andando; depois, correndo, com a inclusão de arcos e, posteriormente, com a retirada deles até a fixação do número de passadas.

Colocar uma tábua a cerca de 1 metro da caixa de areia. Marcar com giz ou cal no chão – realizar a corrida com 8 passadas ao contrário do sentido da caixa. O professor deverá marcar onde o pé de impulso foi colocado.

Recomendação

Repetir o procedimento e verificar a semelhança do local de impulso. Em seguida, executar o salto agora no sentido da caixa de areia, realizando os devidos ajustes e correções dos gestos técnicos. As possibilidades podem ser agregadas até ser possível confeccionar marcas para a corrida de aproximação e, assim, passar para outros estilos técnicos.

Salto em distância

A especialista Liliana Adiers Lohmann fala sobre as diferentes técnicas de execução do Salto em Distância, dando destaque às sequências pedagógicas de ensino e correção do gesto técnico do Salto em Distância:

Verificando o aprendizado

ATENÇÃO!

Para desbloquear o próximo módulo, é necessário que você responda corretamente a uma das seguintes questões:

O conteúdo ainda não acabou.

Clique aqui e retorne para saber como desbloquear.

MÓDULO 2

Reconhecer as regras e as fases de preparação técnica do Salto Triplo

Salto Triplo

Classificado como um salto de projeção horizontal, no Salto Triplo, o atleta busca atingir a maior distância possível com uma diferença em relação ao Salto em Distância: após a corrida de aproximação, são conduzidos três impulsos sucessivos (um na tábua e os outros dois na pista à frente) até o momento da recepção na caixa de areia.

O Salto Triplo consiste em uma prova de campo realizada em um setor da pista de Atletismo compreendido por um corredor para a corrida e uma tábua de impulso com local delimitado de faltas.

Saiba mais

A tábua é posicionada de acordo com a categoria e sexo, variando entre 9 e 11 metros (feminina) e entre 11 e 13 metros (masculina) da caixa de areia para a finalização do salto.

As faltas mais comuns são semelhantes às do Salto em Distância:

Ultrapassar o limite da tábua de impulso (área de falta demarcada na tábua durante a tentativa no primeiro impulso).

Impulsionar com as duas pernas, executar movimentos não convencionais durante a fase de voo e que agridam as regras (como um salto mortal, por exemplo).

Retornar por dentro da caixa de areia em direção ao corredor após finalizar o salto.

Extrapolar o tempo de execução após a chamada do juiz de prova.

Modificar a ordem obrigatória de sequência (HOP, STEP, JUMP) durante a tentativa.

Você sabia

A sequência dos saltos a partir da tábua de impulso é determinada pelas regras internacionais.

Os dois primeiros contatos (o da tábua de impulsão e o próximo) devem ser realizados com a mesma perna de impulso e o terceiro contato deve ocorrer necessariamente com a outra perna (neste momento, ocorre a fase de suspensão com o uso de estilo técnico) para, em seguida, realizar-se a recepção na areia.

Os três saltos são designados com termos em inglês:

HOP: o primeiro salto (ou pulo)

STEP: o segundo salto (ou salto em passo)

JUMP: o terceiro salto (ou salto de aplicação técnica — geralmente, é utilizada a técnica da passada ou arco)

Consideramos que, caso ocorra o incremento da aprendizagem do Salto em Distância de forma bilateral (impulso, tanto com a perna direita, como com a esquerda), esta prática facilitaria posteriormente a iniciação do Salto Triplo, ampliando a dominância motora necessária a gestos mais complexos.

Atenção

A utilização bilateral de impulso deve se adequar ao volume de treinamento, com menor ou maior intensidade de execução, com menor ou maior grau de complexidade coordenativa, de acordo com o planejamento de treino para o atleta ou aluno.

Fases do Salto Triplo

O Salto Triplo pode ser didaticamente dividido em fases de execução, praticadas de forma conjunta ou separadamente, de acordo com o que se pretende alcançar. Veja na figura a seguir as quatro fases do Salto Triplo após a corrida de aproximação e acompanhe a descrição de cada uma.

Corrida de Aproximação (ou de Balanço)

Os mesmos princípios do Salto em Distância aplicam-se à corrida de aproximação do Salto Triplo, mas, nas duas últimas passadas, não se percebe o centro de gravidade (CG) baixar tanto. Isso porque, a aplicação da velocidade adapta-se para a realização dos impulsos posteriores.

Atenção

De acordo com o nível do atleta, a corrida pode variar de 10 (iniciantes) a 20-22 passadas.

Sugere-se que, inicialmente, sejam utilizadas uma marca pequena e uma corrida com aumento progressivo da velocidade de aproximação. Quando o nível de coordenação for aumentando com a prática do salto, marcas maiores podem ser testadas.

O importante é administrar a corrida de forma que se consiga atingir a tábua com precisão e em condições de se desenvolver os saltos posteriores de acordo com as regras, perdendo-se o mínimo possível da velocidade entre eles até a finalização.

Impulsos (ou Chamadas)

Esta fase deve ser compreendida como um prolongamento da Corrida de Aproximação, buscando acelerar os movimentos durante a repetição do contato da perna impulsão à frente (perna que se repete).

Vejamos os três saltos:

Clique nas barras para ver as informações. Objeto com interação.
HOP (ou pulo)

O primeiro salto é também designado de “pulo” ou “encadeamento corrida”. Compreende o espaço entre o contato da perna de impulso com a tábua (sem ultrapassá-la) e o contato com a mesma perna à frente.

O pé de impulso na tábua deve efetuar um apoio ativo, voltado para frente e para cima, preparando para a impulsão.

A perna livre deve estar flexionada com a coxa direcionada para a horizontal.

Em seguida, a perna de impulso deve ser puxada para trás e para frente (em um movimento rápido e enérgico), enquanto a perna livre é levada para baixo e para trás.

O tronco deve ser mantido na vertical e os braços devem ser movimentados alternadamente (iniciantes) ou simultaneamente com a perna de impulso (para atletas com experiência).

O atleta iniciante não deve aplicar neste salto sua maior força e/ou velocidade. Já o atleta mais avançado pode ampliar a distância deste salto, mas também depende do domínio técnico e físico de cada atleta.

Geralmente, o HOP é o salto mais curto dos três, uma vez que a mesma perna tem que absorver o impacto do peso do atleta duas vezes e transformar em nova aceleração.

Os saltadores em que prevalece a qualidade física força, o primeiro salto é maior do que o segundo.

Já os saltadores em que prevalece a capacidade de velocidade possuem índices semelhantes nos dois primeiros saltos.

Veja a figura a seguir:

STEP (ou passo)

É o segundo salto, compreende o momento após o HOP. Nele, o impulso também deve ser rápido, com a flexão plantar e extensão dos joelhos e quadril, enquanto a perna livre permanece levemente flexionada ou até estendida. A perna livre é levada nesta posição em um movimento para frente, para cima e para baixo, revelando em seguida um contato ativo com o solo.

O pé se apoia totalmente no chão, um pouco à frente do CG (pé contrário ao da impulsão).

O tronco deve ser mantido na vertical com a cabeça em seu prolongamento.

Os braços coordenam-se alternada ou simultaneamente, mantendo o equilíbrio durante o deslocamento.

Veja a figura a seguir combinando as duas fases: Hop + STEP

JUMP (ou salto)

É o terceiro salto e, conforme o Salto em Distância, aplica-se a fase de Suspensão (ou Voo) com alguma técnica. Geralmente, utiliza-se o salto com técnica do Grupado (passada) ou Arco (em extensão) em função da perda de velocidade horizontal durante a execução dos movimentos anteriores e de ocorrer dificuldades na passagem das pernas para a recepção na areia.

Recepção (ou Finalização ou Queda)

Conforme a recepção do Salto em Distância, as pernas flexionadas são estendidas, com a ação dos braços para baixo e para trás, simultaneamente. O tronco e a cabeça se flexionam levemente para frente, contribuindo para uma ótima recepção na areia.

Esta quarta fase deve ser realizada preferencialmente com os pés alinhados, seguindo o caminho de atração da gravidade para a areia, o que influencia uma medição com a menor perda possível.

No Salto Triplo, utiliza-se, geralmente, a perna de impulso do atleta nos dois primeiros contatos, ocasionando uma aplicação da técnica JUMP com a perna contrária.

Por isso, reforçamos a necessidade de se praticar na aprendizagem a Impulsão do Salto em Distância de forma bilateral, com a suspensão realizada também pelas duas pernas. Isso proporciona maior facilidade de adequação na aprendizagem posteriormente.

Podemos elencar quatro momentos de atenção técnica no Salto em Distância:

• A Corrida de Aproximação
• O Impulso
• A Suspensão
(com as aplicações dos estilos técnicos)
• A Recepção na areia

Já no Salto Triplo há cinco momentos:

• A Corrida de Aproximação
• O Impulso HOP (pulo)
• O STEP (passada)
• O JUMP (com aplicação dos estilos técnicos)
• A Recepção na areia.

Atenção

Todos os movimentos que envolvem os saltos horizontais carecem de planejamento e organização no momento de praticá-los. As questões de segurança, a idade fisiológica, a experiência motora e as capacidades físicas devem ser consideradas na proposição da aprendizagem.

Progressão pedagógica do Salto Triplo

Repetição do impulso HOP bilateral no Salto Triplo

HOP + Recepção em pequenas distâncias na grama ou em colchões firmes no solo

Caminhar até um arco ou bambolê posicionado no solo e pisar dentro dele com a perna esquerda.

Saltar para um próximo arco com a mesma perna (sem preocupação de atingir grandes distâncias durante a execução, porém apoiando completamente o pé no solo).

Em seguida, limitar o gesto da finalização do Salto em Distância agrupando as pernas em direção ao colchão.

Realizar a mesma atividade com a perna direita de impulso.

Recomendação

Repetir variando a perna de impulso e verificar a perna de maior facilidade na execução. Depois de repetir caminhando, incrementar uma corrida lenta entrando nos arcos de forma mais rápida observar a possibilidade de distanciamento dos arcos.

Impulso + Impulso + Troca em pequenas distâncias na grama ou pista

Caminhar até um arco ou bambolê posicionado no solo e pisar com a perna esquerda dentro do primeiro arco.

Saltar para o próximo arco com a mesma perna e, depois, trocar para a perna direita no terceiro arco e de novo a perna direita no quarto arco.

Realizar a mesma atividade iniciando com a perna direita.

Verificar a perna de maior facilidade na execução.

Recomendação

1. De acordo com a progressão da atividade, modificar as distâncias entre os arcos e introduzir o trabalho com pequena corrida de aproximação.

2. Fazer o número de tentativas necessárias para a percepção da perna de melhor execução inicial.

HOP + STEP + Troca + Recepção no Salto Triplo

Impulso + Impulso + Troca em pequenas distâncias na grama ou pista

Caminhar até o arco e colocar a perna esquerda dentro do primeiro arco, saltar para o próximo arco com a mesma perna. Em seguida, trocar para a outra perna no terceiro arco e grupar o salto em direção ao colchão (ou caixa de areia).

Recomendação

1. É recomendável realizar a mesma atividade com a perna direita de impulso.

2. Verificar a perna de maior facilidade na execução.

3. Como na atividade anterior, distanciar os arcos e introduzir pequena corrida livre de aproximação.

HOP + STEP + JUMP + Recepção – Triplo em pequenas distâncias

Caminhar até o arco e colocar a perna esquerda dentro do primeiro arco.

Saltar para o próximo arco com a mesma perna.

Trocar para a outra perna e imitar o gesto técnico do Grupado do Salto em Distância até a Recepção na areia.

Recomendação

1. Realizar a mesma atividade com a perna direita de impulso.

2. Executar variando a perna de impulso e verificar a perna de maior facilidade na execução.

3. Aos poucos, distanciar os arcos até poder retirá-los completamente, acrescentando pequena corrida de aproximação como foi realizado nas atividades do Salto em Distância.

Salto Triplo

A especialista Liliana Adiers Lohmann fala sobre as diferentes técnicas de execução do Salto Triplo e a sequência pedagógica de aprendizado:

Verificando o aprendizado

ATENÇÃO!

Para desbloquear o próximo módulo, é necessário que você responda corretamente a uma das seguintes questões:

O conteúdo ainda não acabou.

Clique aqui e retorne para saber como desbloquear.

MÓDULO 3

Distinguir as regras e as fases de preparação técnica do Salto em Altura

Salto em Altura

Classificado como um salto de projeção vertical, o Salto em Altura envolve a execução de movimentos coordenados, com o objetivo de ultrapassar um sarrafo, sem derrubá-lo, que é elevado em alturas predeterminadas pelas regras.

No Salto em Altura, o saltador busca vencer parcialmente a força exercida pela gravidade, bem como a ação de várias outras forças que atuam durante a execução. Isso é possível através do somatório de movimentos realizados de acordo com as regras do esporte.

Atenção

A corrida de aproximação deve proporcionar um ótimo posicionamento ao impulso, para que a transposição ocorra no estilo técnico desejado e a realização da queda no colchão se dê de forma segura.

O estilo técnico escolhido diferencia a forma com que essas forças são aplicadas. Atualmente, os estilos mais utilizados são:

A Tesoura

O Salto Tesoura compreende uma técnica mais simples. É utilizado para iniciação do Salto em Altura e como educativo na fase adiantada.

O FLOP

Este salto é originalmente chamado de Fosbury Flop, pois foi utilizado pela primeira vez em Jogos Olímpicos no México (1968) pelo atleta americano Dick Fosbury.

O Salto em Altura visa eliminar gradativamente os competidores até que apenas um permaneça na prova, ou ocorra empate em primeiro lugar. Este processo ocorre da seguinte forma:

1

A uma altura específica, o atleta pode realizar sua tentativa e obter êxito, seguindo para a próxima altura desejada. Se falhar, o atleta tem o direito de realizar outra tentativa.

2

Na segunda tentativa, caso não derrube o sarrafo, o atleta terá direito a saltar a próxima altura desejada. Se falhar, uma última tentativa será concedida na mesma altura em que ocorreu a falha.

3

Na terceira tentativa, caso ultrapasse o sarrafo, o atleta terá o direito de prosseguir na prova para a nova altura desejada. Caso erre, será eliminado.

Comentário

Se o atleta obtiver três saltos com falhas consecutivas, independentemente da altura na qual as falhas ocorreram, ele será desclassificado. Considera-se para efeito de classificação sempre o melhor resultado.

As principais faltas no Salto em Altura são:

Derrubar o sarrafo durante a tentativa.

Impulsionar com as duas pernas.

Tocar o solo, incluindo a área de queda além do plano dos postes, quer por dentro ou por fora deles, ou com qualquer parte do corpo, sem ter ultrapassado o sarrafo.

Extrapolar o tempo máximo para a realização de sua tentativa após a chamada do árbitro ou juiz de prova (determinado pelas regras).

O setor de Salto em Altura é composto por um local para executar a corrida, dois postes para apoiar o sarrafo e um colchão para a queda, além de uma linha traçada no solo entre os postes para a delimitação do espaço de falta.

Veja a figura a seguir:

Fases do Salto em Altura

O Salto em Altura pode ser dividido didaticamente em fases de execução técnica. Elas são praticadas conjunta ou separadamente, de acordo com o que se pretende alcançar. Vejamos cada uma delas.

Corrida de Aproximação (ou de Balanço)

O aluno ou o atleta pode iniciar a corrida de aproximação (ou de balanço) parado ou de forma lançada. Assim, o salto é construído de um somatório da melhor velocidade possível com um momento vertical de impulso.

A corrida de aproximação é ritmada, ou seja, permite a conversão do movimento no plano horizontal para o plano vertical, mas isso dependente do estilo técnico utilizado no momento do salto.

Geralmente, iniciantes partem da posição parada e utilizam de 5 a 7 passadas de corrida.

Enquanto os iniciados variam usando ou a saída parada ou a lançada, com marcas de até 13 passadas.

A corrida de aproximação compõe-se de dois momentos distintos:

No primeiro, busca-se adquirir a melhor velocidade possível.

No segundo (2 ou 3 últimos passos), prepara-se a posição do corpo para o Impulso (ou Chamada).

Impulso (ou Chamada)

É o momento de transformar a velocidade horizontal adquirida pela Corrida de Aproximação em impulso vertical, com energia e rapidez no contato, para sair do chão o mais verticalmente possível.

Atenção

O posicionamento depende da preparação realizada no segundo momento da corrida de aproximação, nas últimas duas ou três passadas. A penúltima deve ser um pouco maior que a última, para possibilitar o atraso do tronco no momento final.

O impulso inicia-se com a colocação do pé de impulso completamente apoiado no chão (no ponto de impulsão treinado), passando para uma semiflexão do joelho e do quadril da perna de impulso e, em seguida, sua rápida extensão. A perna livre (ou de elevação) no mesmo momento se flexiona, em um movimento para cima e para frente, acompanhado pela elevação dos braços simultâneos ou alternados de acordo com o estilo técnico executado.

Transposição (ou Voo)

A Transposição envolve a ultrapassagem do sarrafo por cima dele, sem derrubá-lo e em condições de segurança.

Falaremos a seguir sobre as técnicas adotadas no momento da transposição.

Queda

A Queda varia também de acordo com o estilo utilizado, podendo ocorrer de lado (tesoura) ou de costas para o colchão (FLOP).

Estilos técnicos do Salto em Altura

As técnicas do Salto em Altura sofreram grande evolução nos últimos anos, principalmente, pela utilização de colchões para a realização da queda. O salto tornou-se mais seguro, proporcionando o alcance de marcas inéditas.

O estilo mais utilizado em alto rendimento na atualidade é o FLOP e a técnica mais vivenciada na iniciação é a tesoura. Ambos possuem diferenciações na corrida de aproximação, na realização da transposição e na queda, porém, semelhanças na utilização do lado de impulso e nos movimentos realizados durante a elevação.

Clique nas barras para ver as informações. Objeto com interação.
Estilo tesoura

É facilmente adaptável em locais com pouca disponibilidade de materiais. Os movimentos não são econômicos com relação à aplicação de forças e execução, mas pode ser utilizado de forma satisfatória na iniciação e no treinamento para o FLOP, com as devidas adaptações.

1) A Corrida de Aproximação é feita em linha reta, pelo lado contrário da perna de impulso, em ângulo aproximado de 40° com o poste do seu lado de impulso e o prolongamento imaginário da linha de falta entre os postes.

2) A perna livre (a mais próxima do sarrafo e paralela a ele) eleva-se na horizontal durante a chamada, passando de semiflexionada à estendida.

3) Em seguida, a perna de impulso acompanha o movimento da perna livre ultrapassando o sarrafo. Os braços alternam-se com as pernas durante a transposição.

4) O tronco inclina-se ligeiramente à frente durante a transposição. A queda é feita sobre a perna livre, em pé, se não tiver colchões; mas sentado/deitado, com colchões.

Estilo FLOP

É o estilo mais utilizado atualmente por saltadores iniciados e necessita de colchões para a queda. Recomenda-se que a corrida seja desenvolvida progressivamente com passadas largas e enérgicas, totalizando:

De 8 a 13 passadas de aproximação para atletas treinados (com saída parada ou lançada)

De 5 a 8 passadas para iniciantes

A trajetória da corrida de aproximação é realizada parte em reta e parte em curva, pelo lado contrário ao da perna de impulso, conforme o estilo tesoura.

No momento do impulso, o pé que o efetua precisa estar completamente apoiado no solo, através de um apoio rápido no prolongamento da curva. A perna livre deve permanecer paralela ao sarrafo com o quadril e os joelhos flexionados.

O tronco e o quadril devem estar inclinados para trás e para dentro. Um dos ombros, precisamente o de dentro da curva, deve se posicionar mais baixo e atrasado em relação ao outro, evitando que o saltador tome uma posição prematura na saída do impulso.

Com a perna de impulso, suas articulações estendem-se e os braços se movimentam de forma sincronizada no momento da elevação (ao mesmo tempo ou apenas um braço, o da perna livre) até a altura aproximada da cabeça.

Após o impulso, a perna livre é mantida na posição e a perna de impulso segue em seu movimento de extensão. Em determinado momento, o braço do lado da perna livre pode atuar como condutor do movimento em direção à parte superior do sarrafo.

Com o prolongamento do braço sobre o sarrafo, o quadril eleva-se durante a transposição e é seguido pela condução da cabeça para trás. Neste momento, o corpo está posicionado perpendicularmente ao colchão.

Uma vez que o quadril tenha ultrapassado o sarrafo, a cabeça retorna em direção ao peito juntamente com a extensão das pernas.

Na sequência, a queda ocorre nos colchões através do contato com os ombros e, em seguida, com o quadril.

Recomendação

Recomenda-se que, durante a transposição e queda, os joelhos mantenham-se afastados durante a trajetória, para evitar que eles venham de encontro ao nariz durante a queda.

Parte em reta e parte em curva

Na primeira parte da corrida (em reta), o tronco mantém-se na vertical; e

Na segunda (em curva), o corpo adota uma inclinação no sentido da curva.

Atenção

O estilo técnico que recebe a nomenclatura de Tesoura no Salto em Altura corresponde à técnica mais simples de ser ensinada, enquanto a Tesoura no Salto em Distância é classificada como fase de suspenção, consistindo no estilo técnico mais complexo.

Progressão pedagógica do Salto em Altura

Descoberta da perna de impulso em pequenas alturas no estilo tesoura

Posição 1

Posicionar-se lateralmente a uma linha traçada no chão, peso do corpo sobre a perna esquerda que se encontra à frente da direita.

Posição 2

Elevar a perna de trás estendida sobre a linha, impulsionando-se, em seguida, para o outro lado.

Posição 3

A perna esquerda realiza o mesmo movimento da direita (gesto da tesoura), passando para o outro lado da linha.

Posição 4

A perna direita toca o solo primeiro e depois é seguida pela perna esquerda.

Atenção

Neste movimento, utilizamos a perna esquerda como impulso e a perna direita livre. Deve-se inverter as posições e executar os mesmos movimentos no outro sentido, perna direita de impulso e esquerda livre.

Impulso + tesoura em pequenas alturas na grama ou em colchões firmes no solo

Caminhar lateralmente até um arco (ele deve estar a uma distância de 30 a 60cm dos cones – ponto máximo de impulso) e colocar a perna esquerda dentro deste.

Imitar o gesto do estilo tesoura, realizando a primeira atividade com a queda em pé do outro lado de uma corda elástica esticada ou bastão.

Recomendação

Repetir a mesma atividade com a perna direita de impulso. Recomenda-se executar a atividade várias vezes, modificando a perna de impulso, a fim de verificar a perna de maior facilidade na execução.

Duas passadas de caminhada à corrida

Fixar a perna esquerda à frente, no lado direito do setor.

Colocar uma perna após a outra (dois passos andando) e, no último arco, repetir o gesto da tesoura em pequenas alturas.

Realizar os mesmos movimentos com a perna direita à frente no outro sentido (no lado esquerdo do setor).

Quatro ou mais passadas

Fixar a perna esquerda à frente, realizar quatro passos andando e, no último arco, repetir o gesto da tesoura em pequenas alturas.

Recomendação

Realizar os mesmos movimentos com a perna direita à frente, do outro lado do setor. Iniciar caminhando até definir um melhor lado de execução. A partir deste momento, há possibilidade de começar a correr, respeitando os espaços de dentro dos arcos. Pode-se começar a aumentar gradativamente a altura, desde que se acrescentem colchões para a queda, pois as chances de acidente tendem a crescer. Aos poucos, retirar os arcos e manter apenas o último, que delimita o espaço máximo do impulso.

Salto em Altura

A especialista Liliana Adiers Lohmann fala sobre técnica de execução do salto FLOP e a progressão pedagógica para o seu ensino:

Verificando o aprendizado

ATENÇÃO!

Para desbloquear o próximo módulo, é necessário que você responda corretamente a uma das seguintes questões:

O conteúdo ainda não acabou.

Clique aqui e retorne para saber como desbloquear.

MÓDULO 4

Identificar as regras e as fases de preparação técnica do Salto com Vara

Salto com Vara

Classificado como um salto de projeção vertical, o Salto com Vara é uma prova de campo que utiliza, além do próprio corpo, um material para realizá-lo, ou seja, depende de um implemento para a obtenção de desempenho: a vara.

É considerada uma prova extremamente complexa e de difícil processo na iniciação. Dos saltos, é o que possui mais momentos técnicos a serem preparados e organizados no planejamento. O processo de iniciação requer cuidado redobrado nas questões de segurança.

Você sabia

A vara utilizada no salto foi aperfeiçoada com vários materiais ao longo do tempo, tais como: bambu, ferro, alumínio, fibra de vidro e, atualmente, fibra de carbono.

A corrente moderna de ensino da técnica do Salto com Vara informa que os melhores resultados foram obtidos com a utilização de varas de materiais flexíveis, como a fibra de vidro e a fibra de carbono, e que somente a técnica da vara flexível deve ser empregada em suas fases e elementos de aprendizagem. Cabe ressaltar o quanto este material é caro e de difícil aquisição no Brasil, o que induz à adaptação da prática com varas rígidas até que se obtenha condições financeiras para o uso de varas flexíveis.

O setor do Salto com Vara é composto pela pista de corrida de aproximação, o local do encaixe da vara, postes que deslizam de acordo com a necessidade do saltador, sarrafo para a elevação das alturas e colchões para a queda.

O Salto com Vara, assim como outros saltos, visa eliminar gradativamente os competidores, até que apenas um permaneça na competição, ou que ocorra empate em primeiro lugar. O sarrafo é elevado de acordo com as regras, sendo que, como no salto em Altura, se o atleta obtiver três saltos com falhas consecutivas, independente da altura na qual tais falhas ocorreram, será desclassificado, considerando-se para efeito de classificação o seu melhor resultado na prova.

As faltas mais comuns durante o Salto com Vara são:

Derrubar o sarrafo.

Tocar o solo, incluindo a área de queda além do plano dos postes, com a vara ou o seu corpo, por dentro ou por fora deles, sem ter ultrapassado o sarrafo.

Extrapolar o tempo máximo para realizar sua tentativa, após a chamada do árbitro ou juiz de prova.

Não utilizar a vara no encaixe durante o impulso.

Após ter deixado o solo, colocar a mão mais baixa acima da mais alta, ou mover a mão de cima para um ponto mais alto da vara.

Durante o salto, colocar deliberadamente, com as mãos ou dedos, a barra nos suportes, caso ela esteja a ponto de cair.

Fases do Salto com Vara

Podemos dividir o Salto com Vara didaticamente em fases de execução técnica, praticadas conjunta ou separadamente, de acordo com o que se pretende alcançar.

Vejamos cada uma delas:

Atenção

As fases técnicas do Salto com Vara e os comentários apresentados neste material estão indicados para saltadores destros, os canhotos devem inverter as posições referidas.

Preparação e Corrida de Aproximação

A preparação do Salto com Vara envolve ações que devem ser realizadas antes da Corrida de Aproximação. São elas:

Troca de vara ou não

Verificação do lado flexível da vara

Realização da empunhadura

Concentração

Comentário

Sugere-se que, para iniciantes destros, a empunhadura (forma como se segura a vara) seja realizada no extremo superior da vara com a mão direita e a mão esquerda colocada de 50 a 55cm abaixo da direita.

Uma vez realizada a empunhadura, eleva-se obliquamente a vara a cerca de 70° para cima e inicia-se a corrida.

A Corrida de Aproximação deve ser feita com a vara colocada do lado direito do corpo do atleta com a perna de impulso esquerda fixada à frente. A corrida pode ser efetuada através de uma marca para ser repetida com saída na posição estática ou com algumas passadas de caminhada ou corrida inicial (atletas de alto rendimento).

Iniciantes utilizam de 10 a 12 passadas.

Atletas mais treinados utilizam em torno de 18 a 22 passadas.

Durante a corrida, a velocidade deve ser obtida gradativamente (últimas passadas são mais velozes) e a vara deve ser baixada de forma lenta e gradual até a apresentação e o encaixe.

Apresentação e Encaixe

Apresentação (preparação para o encaixe da vara) consiste nos momentos finais da corrida e pode ser realizada de duas formas:

Escolha uma das Etapas a seguir. Escolha uma das Etapas a seguir.

1. Nas duas últimas passadas

No penúltimo apoio do pé esquerdo, a vara deve estar baixa e é colocada à frente. De forma simultânea, o braço esquerdo se posiciona no momento do contato da vara com o solo.

2. Nas três/quatro últimas passadas

Permite-se maior fluência dos movimentos na realização do encaixe. Esta forma geralmente é utilizada por atletas de alto nível.

O encaixe ocorre com o braço direito elevando-se juntamente com o contato da perna de impulso na última passada. O tronco permanece ereto e levemente inclinado para trás.

Impulso, Penetração e Balanço

1

O Impulso ocorre com apoio do pé em sua totalidade, posicionado exatamente abaixo da mão mais alta. O saltador deve utilizar a extensão máxima do seu corpo enquanto a perna livre se posiciona flexionada, juntamenente com os dois braços estendidos.

2

Na Penetração, fixa-se a posição do impulso com o braço direito completamente estendido.

3

No Balanço, o braço esquerdo é flexionado para frente e para cima envergando gradativamente a vara, o quadril da perna do impulso se mantém estendido e o tronco permanece alinhado frontalmente. Isto só é possível com a mobilidade da musculatura do ombro e cotovelo direito.

Engrupamento

Durante o engrupamento, as costas do saltador estão paralelas ao solo por causa da flexão das pernas sobre o tronco e da flexão lenta do braço esquerdo para aproximar o corpo da vara. A flexão máxima da vara é conseguida neste momento (posição em “L”).

Extensão, Rotação e Transposição

Estes movimentos são realizados em consequência do retorno da vara à posição vertical.

Na extensão, os braços flexionam-se iniciando uma puxada (contra a ação da gravidade), passando as pernas flexionadas do engrupamento para a posição estendida (para cima). A cabeça fica posicionada para baixo e o tronco mantém-se extendido paralelamente à vara. A rotação do corpo ocorre através da ação assimétrica dos movimentos realizados anteriormente. Ocorre a rotação sobre o eixo longitudinal do atleta por causa da ação de empurrar a vara sobre o encaixe.

Na sequência, inicia-se o processo de transposição do sarrafo pela condução do ombro junto à vara. As pernas começam a direcionar-se sobre o sarrafo para baixo, formando uma posição em “V” com os braços e o tronco. O braço esquerdo solta da vara e o direito se afasta da vara soltando-a, seguindo a trajetória das pernas sobre o sarrafo.

Queda (ou Recepção)

A queda correta conduz o atleta a efetuar contato com as costas na perpendicular e centralmente no colchão.

Atenção

Na competição de saltos, vimos que o atleta ou aluno não pode extrapolar o tempo máximo para realizar sua tentativa, após a chamada do árbitro ou juiz de prova. Não cumprir este tempo considera-se uma falha.

Veja na tabela a seguir os tempos estabelecidos por prova individual em cada modalidade.

Provas individuais Salto em Altura Salto com Vara Salto em Distância, Salto Triplo

Mais de três atletas ou para a primeira tentativa de cada atleta

1min

1min

1min

Com dois ou três atletas

1,5min

2min

1min

Um atleta

3min

5min

-

Tentativas consecutivas

2min

3min

2min

Imagem: Liliana Adiers Lohmann

Progressão pedagógica do Salto com Vara

A iniciação do Salto com Vara deve ser realizada em total segurança, com a decomposição de algumas fases e agrupamento de outras, de forma que não sejam realizadas tentativas ainda nos colchões, mas apenas na caixa do Salto em Distância com a queda em pé.

Dica

Pode-se utilizar materiais semelhantes à vara, desde que sejam seguros (varas rígidas).

Empunhadura da vara e deslocamento andando

Para saltadores destros com perna de impulso esquerda:

Apoiar a vara na vertical com a mão direita estendida para determinar o início da empunhadura, segurar abaixo com a mão esquerda (cerca de 50 cm).

Retirar a vara do solo e trazê-la para a lateral do corpo com a ponteira elevada. O braço direito flexiona-se e passa para trás, e o esquerdo se mantém flexionado à frente do corpo, ajudando a sustentar a vara. A perna esquerda posiciona-se à frente do corpo, sustentando o peso do atleta.

Caminhar percebendo o deslocamento do corpo e o peso da vara.

Atenção

OBS: Inverter as posições para o saltador canhoto com perna de impulso direita.

Caminhada + preparação do encaixe

Caminhar pela pista e, quando a perna esquerda estiver apoiada no solo, gradativamente deixar a vara descer até tocar o solo e escorregar, soltando-a em seguida. Executar várias vezes esta etapa.

Recomendação

Executar os mesmos movimentos com corrida lenta, apenas observando a passagem da perna esquerda para poder baixar a vara.

Caminhada + Encaixe + Impulso

Escolha uma das Etapas a seguir. Escolha uma das Etapas a seguir.

Caminhar pela pista e, com a passagem da perna esquerda, baixar a vara.

Quando a vara encostar no solo (perna esquerda no impulso), realizar o movimento de impulso com extensão dos braços. Ocorre apenas uma pequena passagem para frente.

Cair em pé e de frente no sentido do deslocamento.

Recomendação

1. Repetir os movimentos no corredor de Salto em Distância e realizar o Encaixe no início da caixa.

2. A queda é amortecida na areia.

Caminhada + Impulso + Rotação + Queda na caixa de areia

Repetir os mesmos movimentos do item anterior (Caminhada + Encaixe + Impulso), mas, após o impulso, realizar pequena rotação do corpo virando de frente para o setor de Salto em Distância.

Salto com Vara

A especialista Liliana Adiers Lohmann fala sobre técnica de execução do Salto com Vara.

Verificando o aprendizado

ATENÇÃO!

Para desbloquear o próximo módulo, é necessário que você responda corretamente a uma das seguintes questões:

O conteúdo ainda não acabou.

Clique aqui e retorne para saber como desbloquear.

Conclusão

Considerações Finais

Neste estudo, exploramos os conhecimentos técnicos sobre as provas de saltos no Atletismo, considerando as diversas etapas, desde a iniciação ao alto rendimento.

Abordamos o Salto em Distância e as principais técnicas utilizadas nesta modalidade:

O Salto Grupado (ou Passada)

A técnica de Extensão (ou Arco) praticada geralmente no “JUMP” do Salto Triplo

A Tesoura (ou Pedalada) para atletas com maior capacidade e experiência técnica

No Salto Triplo, reforçamos as informações sobre a necessidade de cumprimento das regras e a obrigatoriedade de utilização do “HOP, STEP e JUMP” após a corrida de aproximação e contato com a tábua de impulso.

No Salto em Altura, foram apresentadas as técnicas da tesoura (para a iniciação) e do “FLOP” (para alunos/atletas mais treinados). Também abordamos como se dá o processo de tentativas e eliminação dos competidores, para facilitar a compreensão nos casos de organização de eventos, competições escolares ou outra manifestação competitiva.

Por fim, o Salto com Vara, a única modalidade de salto no Atletismo que utiliza um implemento além do próprio corpo e seus momentos técnicos. Neste tema, também tratamos da dificuldade de implementação na iniciação.

Para estruturar uma abordagem inicial, apresentamos progressões pedagógicas das modalidades, mas entendemos que há outros exercícios que podem ser utilizados e criados de acordo com o conhecimento e a criatividade do profissional.

Podcast

Agora, a especialista Liliana Adiers Lohmann encerra o tema falando sobre a importância da prática dos saltos do Atletismo como base para outros esportes; as principais dificuldades encontradas pelo profissional de Educação Física para o ensino dos saltos e o trabalho no alto rendimento; além de dicas para os estudantes que visam trabalhar com Atletismo no futuro.

CONQUISTAS

Você atingiu os seguintes objetivos:

Identificou as regras e as fases de preparação técnica do Salto em Distância.

Reconheceu as regras e as fases de preparação técnica do Salto Triplo.

Distinguiu as regras e as fases de preparação técnica do Salto em Altura.

Identificou as regras e as fases de preparação técnica do Salto com Vara.