Módulo 4

Compromisso e ação: reagir para transformar

Compromisso transformador Responsabilidade coletiva

Apresentação

Uma das maiores armadilhas do combate ao racismo é acreditar que ele pode ser resolvido apenas com a boa vontade individual. Embora o engajamento pessoal seja necessário, ele não basta. O racismo é estrutural e, portanto, precisa ser enfrentado com estratégias coletivas, processos formais, recursos e responsabilização institucional.

A continuidade das ações antirracistas depende de sua institucionalização, ou seja, de sua incorporação a rotinas, regimentos, metas, formações e estruturas de poder. Quando essa transformação não ocorre, o risco é o retrocesso. A cada troca de gestão, as ações somem. A cada nova prioridade, a equidade é esquecida.

Para o combate ao racismo institucional, é preciso repetir decisões éticas e intencionais todos os dias, no nível do acolhimento, da reunião de equipe, do protocolo e da folha de ponto.

Neste momento do nosso estudo, nosso foco será a transformação da consciência e da prática individual em mudanças que impactem a estrutura. Após reconhecer as desigualdades e refletir sobre a escuta e a ação ética de profissionais de saúde, convidamos você a assumir o compromisso com a ação antirracista, tanto coletiva quanto institucional.

A empatia se completa na coragem de transformar a estrutura que produz a dor que escutamos. Chega de passividade, precisamos (re)agir!

Ser antirracista: o que isso exige na prática?

Confira neste vídeo os caminhos para transformar o compromisso antirracista em ação concreta. A equidade na saúde depende de atitudes conscientes, revisão de práticas e envolvimento coletivo para enfrentar desigualdades.

Quiz

Vamos testar seus conhecimentos até aqui. Responda às perguntas a seguir e, ao finalizar, confira o resultado!

1. O que a empatia sem ação pode gerar?

2. Qual das atitudes a seguir caracteriza uma prática antirracista?

3. Qual das alternativas a seguir representa um exemplo de ação antirracista na prática clínica?

4. Qual o papel das pessoas brancas na luta antirracista?

5. Qual das atitudes a seguir representa o compromisso transformador?

6. O que pode sustentar ações antirracistas ao longo do tempo?

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Desafio 1

O papel das pessoas não negras

Imagine que você é uma pessoa não negra em posição de liderança. Você reconhece que sua equipe tem pouca diversidade e que pacientes negras e negros têm menor adesão ao cuidado. Nesse caso, quais ações você pode iniciar com os recursos que já tem? Como envolver outras pessoas não negras sem delegar a mudança exclusivamente a pessoas negras?

Inúmeros estudos mostram que equipes diversas apresentam melhores resultados em adesão e qualidade do cuidado. Logo, a liderança não negra deve agir revisando práticas de recrutamento e promoção para ampliar a representatividade, além de promover capacitações que desconstruam vieses implícitos. Também é relevante instaurar uma cultura organizacional que valorize a equidade, criando mecanismos para monitorar indicadores de atendimento e acolhimento, com base em dados desagregados por raça.

Com os recursos já disponíveis, é possível iniciar mudanças, como a implementação de protocolos inclusivos e a facilitação de espaços seguros para diálogo, incentivando o engajamento de toda a equipe. Assim, evita-se delegar a responsabilidade da transformação apenas às pessoas negras, promovendo um compromisso coletivo e estruturante para o processo de equidade.

Monitorar é cuidar: como acompanhar o progresso?

Assista ao vídeo e descubra como integrar dados à prática clínica para promover equidade no processo de cuidado. Monitorar indicadores por raça/cor é importantíssimo para identificar desigualdades, ajustar práticas institucionais e fortalecer a justiça na saúde.

Quiz

Vamos testar seus conhecimentos até aqui. Responda às perguntas a seguir e, ao finalizar, confira o resultado!

1. Qual das alternativas a seguir aponta uma consequência da inexistência de dados de cor/raça nos protocolos de saúde?

2. Como se mede o impacto de uma ação antirracista?

3. Qual das alternativas a seguir aponta um exemplo de indicador de processo?

4. Como os indicadores ajudam no combate ao racismo institucional?

5. Qual ferramenta pode ajudar no planejamento de ações?

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Desafio 2

Inspirar para transformar

Você é responsável pela gestão de um ambulatório e deseja implementar ações afirmativas sem gerar resistência. Como envolver a equipe? Que indicadores considerar? Como tornar a escuta e a equidade parte da rotina institucional? Este desafio exigirá de você, além dos conhecimentos que construímos aqui, uma intuição do que seria a postura mais coerente.

Para implementar ações afirmativas, é preciso engajar a equipe por meio de treinamentos regulares sobre diversidade e antirracismo, estimulando o diálogo aberto e a escuta ativa. Entre os indicadores que podem ser monitorados, estão: porcentagem de profissionais negras e negros contratados e em cargos de liderança; dados quantitativos sobre atendimento a pacientes negras e negros, como tempo médio de espera e satisfação reportada; frequência de denúncias ou relatos de discriminação; e inclusão de indicadores de equidade nos processos de avaliação institucional. Incorporar essas métricas à rotina ajuda a tornar a escuta e a equidade elementos tangíveis e constantes na gestão, fortalecendo uma cultura organizacional responsiva e que busque incluir todos os indivíduos.

Saberes tradicionais no SUS: inclusão na prática

Assista ao vídeo e entenda como o SUS já integra saberes tradicionais à prática médica. Valorizar esses conhecimentos é um gesto de respeito, escuta ativa e equidade, um passo importante para humanizar o cuidado em saúde.

Quiz

Vamos testar seus conhecimentos até aqui. Responda às perguntas a seguir e, ao finalizar, confira o resultado!

1. Qual é o principal objetivo da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS?

2. O que a Política Nacional de Práticas Integrativas reconhece?

3. Que tipo de procedimento prevê a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)?

4. Como práticas tradicionais podem ser integradas ao SUS com segurança?

5. Qual é o benefício da escuta que reconhece a espiritualidade?

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Desafio 3

Práticas diversas e cuidado integral

Imagine que você está atendendo um paciente negro que busca tratamento para uma condição crônica. Ele expressa o desejo de complementar o cuidado biomédico com práticas de cura de sua religião, como o banho de folhas e outros rituais tradicionais. Como você abordaria essa situação, respeitando os saberes ancestrais e integrando-os de forma segura e eficaz ao plano de tratamento convencional, considerando o que prevê a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)?

Você deve adotar uma postura de escuta ativa e respeito cultural. Pode ser iniciado um diálogo aberto e empático com o paciente, perguntando quais são suas expectativas e quais as práticas de cura de sua religião que ele gostaria de incorporar. É preciso entender como essas práticas se relacionam com sua compreensão de saúde e bem-estar. Em seguida, você deve avaliar como as práticas desejadas podem ser integradas ao plano de tratamento convencional de forma segura e complementar, e não substitutiva, quando apropriado.

Por fim, o registro clínico deve refletir essa abordagem culturalmente sensível e integrativa, documentando as práticas tradicionais que o paciente utiliza e como elas estão sendo consideradas no plano de cuidado. Essa prática, além de promover um cuidado mais humanizado e eficaz, valoriza a diversidade cultural e fortalece o vínculo terapêutico.

Equidade e justiça para todos os indivíduos

Assista ao vídeo e entenda por que a equidade é um pilar relevante para um cuidado de saúde justo e eficaz. Promover saúde com dignidade exige reconhecer as desigualdades, agir de forma intencional e incorporar princípios éticos e legais na prática médica.

Quiz

Vamos testar seus conhecimentos até aqui. Responda às perguntas a seguir e, ao finalizar, confira o resultado!

1. Qual das alternativas a seguir representa um passo inicial em um plano de equidade?

2. Qual atitude institucional fortalece a equidade racial?

3. O que significa prática antirracista cotidiana?

4. Qual atitude institucional sustenta mudanças de forma duradoura?

5. Como aplicar equidade sem reforçar estereótipos?

6. Por que ações afirmativas são benéficas para todos os indivíduos?

7. O que pode indicar sucesso de uma política de equidade?

8. A quem compete zelar por práticas não discriminatórias no atendimento?

9. O que pode ser considerado “omissão cúmplice” em saúde?

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Desafio 4

Núcleo de equidade e espiritualidade no cuidado

Imagine que sua unidade quer criar um núcleo de equidade racial para acolher práticas tradicionais, mas a gestão exige um plano com dados e protocolos. Como apresentar evidências, respeitar as crenças das pessoas usuárias e envolver profissionais de diferentes perfis de forma ética?

Para justificar a criação do núcleo, é preciso considerar a utilização de dados epidemiológicos, demonstrando as desigualdades e necessidades específicas da população atendida. Além disso, o núcleo pode explorar estratégias para envolver profissionais de diferentes formações e perfis, como a promoção de capacitações antirracistas e a criação de espaços de diálogo aberto, assegurando que funcione como um espaço colaborativo e de inclusão, que valorize tanto o conhecimento científico quanto os saberes populares e espirituais.

Sugestões de aprofundamento

Para aprofundar seu conhecimento, confira as sugestões que separamos para você!

Assista ao documentário Em busca de Lélia, dirigido por Beatriz Vieira em 2017, e acompanhe a vida e o legado de Lélia Gonzalez, uma das maiores intelectuais negras do Brasil. Acompanhe suas contribuições para o feminismo negro, a sociologia e a luta antirracista.

Leia o artigo A ponte entre os terreiros de matriz africana e o Sistema Único de Saúde, de Salette Nogueira, publicado pela Fiocruz em 2023, e explore a importância da integração e do reconhecimento dos saberes de terreiros de matriz africana no contexto da saúde pública. Esse material discute como o SUS pode e deve estabelecer um diálogo respeitoso com essas tradições para promover um cuidado mais inclusivo e sensível.