Objetivos
Tipos de cames
Identificar os tipos de cames.
Projeto analítico de excêntricos
Avaliar analiticamente um came.
Projeto gráfico de excêntricos
Avaliar graficamente um came.
Neste vídeo, você verá uma breve introdução sobre os tipos de cames, avaliação analítica de um came e avaliação gráfica de um came.
Neste vídeo, você compreenderá os conceitos, a terminologia e os tipos de came.
Classificação dos cames
Os cames desempenham um papel muito importante nos maquinários e são largamente empregados nos motores de combustão interna, nas máquinas operatrizes, dentre outros equipamentos.
Os sistemas came-seguidor podem ser classificados de muitas formas, veja:
Classificação dos cames.
Em que:
- PEC: posição extrema crítica.
- PMC: percurso de movimento crítico.
- SD: sobe‐desce.
- SDP: sobe‐desce‐para.
- SPDP: sobe‐para‐desce‐para.
Com relação ao projeto dos cames, existem basicamente duas formas para projetar determinado came para a realização de um movimento:
Movimento
A partir do movimento pretendido para o seguidor, projeta-se o came para executar esse movimento. Essa forma é um exemplo típico de síntese de mecanismos.
Forma
A partir da forma do came, determina-se tanto a forma do came em si quanto propriedades, como deslocamento, velocidade e aceleração provenientes do contorno do came.
Na primeira forma descrita para se projetar um came, dependendo do perfil do came desejado, sua fabricação pode ser inviável e essa dificuldade de fabricação é subtraída pelo segundo método, fabricando um came simétrico e empregando, no contorno, curvas que possam ser geradas.
Tipo de movimento do seguidor
Com relação a essa classificação, pode-se dividir os cames entre sistema com oscilação ou rotação do seguidor e translação do seguidor, veja:
Sistema com oscilação ou rotação do seguidor
Na imagem, temos o exemplo de um came com seguidor oscilatório e mecanismo quatro barras equivalente.
Sistema com oscilação ou rotação do seguidor
Na imagem, temos o exemplo de um came com seguidor de translação e mecanismo biela-manivela equivalente.
Tipos de came
Os principais tipos de came são radial ou axial, de rolete ou tridimensional. Os cames radiais ou axiais dependerão da direção de movimentação do seguidor em relação ao eixo de rotação. Os cames radiais abertos são denominados cames-prato.
Radial
O movimento do seguidor é na direção radial.
Axial
O seguidor se desloca paralelamente ao eixo de rotação do came.
Os cames das imagens anteriores são radiais. Já o came da imagem a seguir é axial. Confira!
Came axial, de rolete unido por forma, seguidor de translação.
Por fim, o came tridimensional é uma associação dos eixos radial e axial do came. Nesse caso, trata-se de um sistema com dois graus de liberdade em que as entradas do sistema são tanto a rotação quanto a translação do came e o movimento do seguidor está de acordo com essas duas entradas.
Tipo de fechamento da junta
Os dois tipos de fechamento da junta são:
Junta de força
É necessária uma força externa para manter tanto o came quanto o seguidor em contato. Normalmente é uma mola que exerce essa força.
Junta de forma
Não é necessária uma força externa aplicada e a própria geometria é responsável por manter as superfícies em contato.
Veja os exemplos de cames com junta de força e junta de forma:
Came com junta de força.
Came com junta de forma.
Tipo de seguidor
Os tipos mais comuns de seguidor são: face plana (ou liso), cogumelo (ou curvo) e de rolete. Entre os tipos de face plana e rolete, podemos destacar:
Face plana (ou liso)
Os seguidores de face plana podem apresentar menores volumes que os seguidores de rolete e, por esse motivo, são geralmente empregados em comando de válvulas automotivas.
De rolete
Apresentam baixo atrito comparado aos outros, entretanto, maior custo. Contudo, pela simplicidade para troca e disponibilidade são empregados em máquinas de linha de produção.
A seguir, veja o exemplo de seguidor de face plana aplicado em válvula automotiva:
Veja os seguidores de rolete, de cogumelo e de face plana:
Tipos de restrições de movimento
Os cames podem ser divididos em duas categorias em relação às restrições de movimento:
Posição extrema crítica (PEC)
É quando as especificações do projeto determinam as posições final e inicial do seguidor, ou seja, as posições extremas. Entretanto, essa categoria não faz nenhuma menção às trajetórias entre as posições extremas.
Percurso de movimento crítico (PMC)
É mais complexo que o PEC, tendo em vista que tanto o percurso do movimento quanto uma ou mais derivadas devem ser definidos seja em toda trajetória ou em parte dela. É semelhante à geração de função no projeto de mecanismo.
Tipo de programa de movimentação
Os programas de movimentação são apresentados a seguir e todos são relativos ao caso de posição extrema crítica e definem quantas pausas são fornecidas no ciclo completo de movimento:
Sobe-desce (SD)
Zero pausa.
Sobe-desce-para (SDP)
Uma pausa.
Sobe-para-desce-para (SPDP)
Várias pausas.
Neste vídeo, você compreenderá os conceitos do projeto analítico de excêntricos.
Neste vídeo, você compreenderá como o processo de CAME é utilizado para produzir peças de metal.
No projeto analítico de cames, a primeira etapa é determinar a função matemática a ser empregada para a definição do movimento do seguidor. A maneira mais simples é linearizar o came, ou seja, desenvolvê-lo com base em sua forma circular e considerá-la uma função desenhada nos eixos cartesianos. Ao traçar a função do deslocamento \(s\), obtemos:
Velocidade \(v\)
Com a primeira derivada.
Aceleração \(a\)
Com a segunda derivada.
Pulso \(j\)
Com a terceira derivada.
Todos esses parâmetros são alinhados no eixo em função do ângulo do came \(\theta\), veja:
Diagramas \(svaj\) do came seguidor.
Observamos que a variável independente em todos os casos é o tempo \(t\), ou a posição do came \(\theta\), uma vez que a velocidade angular \(\omega\) é conhecida e o ângulo pode ser convertido em tempo e vice-versa, veja:
Vejamos agora as especificações de um came com quatro esperas e oito segmentos SPDPSPDP referente às curvas \(s, v, a\) e \(j,\) mostradas acima, ao longo dos 360° de rotação do came.
| Nº do segmento | Função usada | Ângulo inicial | Ângulo final | Variação do ângulo |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Subida cicloidal | 0º | 60º | 60º |
| 2 | Espera | 60º | 90º | 30º |
| 3 | Descida seno modificada | 90º | 150º | 60º |
| 4 | Espera | 150º | 180º | 30º |
| 5 | Subida trapezoidal modificada | 180º | 240º | 60º |
| 6 | Espera | 240º | 270º | 30º |
| 7 | Descida harmônica simples | 270º | 330º | 60º |
| 8 | Espera | 330º | 360º | 30º |
Tabela: Gustavo Simão Rodrigues.
Norton, 2010, p. 406
A primeira etapa para projetar o came é definir as funções necessárias e seus diagramas. As funções para os segmentos de cames sem espera podem ser arbitradas a partir das suas velocidades, acelerações e pulsos, bem como nas áreas de interseção dos segmentos vizinhos, inclusive as esperas.
Em muitos casos, é necessário que o came apresente múltiplas esperas, sendo uma aplicação muito comum nos projetos de cames. Veja o exemplo a seguir de um diagrama de tempo de uma came com dulpla espera:
Espera inferior
Em um came com dupla espera o seguidor deve permanecer por determinado tempo na posição inferior, ou seja, na posição extrema crítica (PEC).
Espera superior
Em um came com dupla espera o seguidor também deve permanecer na posição superior e aguardar nessa posição por um tempo.
Nesse caso de posição extrema crítica (PEC), nada é mencionado sobre as funções a serem utilizadas para o deslocamento da espera inferior à espera superior. Desse modo, o projeto é livre para a determinação da função que realizará esse trabalho.
Neste vídeo, você conhecerá as características das funções do primeiro grau, de movimento harmônico simples e cicloidal para projeto de cames.
Funções do primeiro grau
Veja a seguir uma maneira de realizar o projeto de um came para atender ao caso de posição extrema crítica (PEC), utilizando as funções de deslocamento como linhas retas entre as esperas, ou seja, uma função do primeiro grau:
Sendo o diagrama de tempo do came:
Imagine que:
- A espera inferior, a subida, a espera superior e a descida devam durar 90° de rotação do came.
- Os deslocamentos de descida e subida sejam de 30 mm.
- A velocidade angular do came seja de \(2 \pi\; rad / s\).
A função do primeiro grau \(y=k x+b\) do deslocamento da subida e da descida implica uma velocidade (primeira derivada) constante de:
E uma aceleração (segunda derivada do deslocamento) nula:
A aceleração ser nula é uma boa característica, já que isso implica forças dinâmicas nulas, ou seja, o came não apresentará forças dinâmicas ou tensões. Entretanto, essa característica só ocorre durante o deslocamento, porém, nas interseções dos intervalos dos segmentos, a função da velocidade terá múltiplos valores, visto que apresenta descontinuidades nesses contornos. Isso gera uma inclinação infinita e zero duração, resultando em infinitos picos de aceleração, veja:
Diagrama de tempo do came.
Esses picos são denominados função delta de Dirac. As acelerações infinitas não são de fato alcançadas, entretanto as forças dinâmicas oriundas dessas acelerações altíssimas geram altas tensões e maior desgaste do came.
Comentário
Caso um projeto de came desse seja fabricado, os cantos pontiagudos do diagrama de deslocamento podem sofrer desgaste prematuro até serem arredondados pela tensão insustentável gerada no material.
Fica, então, um aprendizado desse mau exemplo de projeto:
A função do came deve ser contínua por toda primeira e segunda derivadas do deslocamento, bem como a função pulso deve ser finita durante todo o intervalo.
Para qualquer came simples:
Não há como definir a função movimento por uma única expressão matemática e cada segmento do came deve ter sua função.
Cada função deve ser contínua até a terceira ordem em todos os contornos.
As funções de deslocamento, velocidade e aceleração não podem apresentar descontinuidades.
A experiência mostra que funções polinomiais são escolhas interessantes para o projeto de cames, mas podem resultar em problemas na aplicação, já que a cada derivada ocorre uma redução no grau. Após sucessivas derivações, as funções são degeneradas para o grau nulo, isto é, o valor constante. Sendo assim:
Para utilização da função polinomial
Deve ser usado no mínimo o grau 5 para o deslocamento do came.
Para aceleração e função quadrática para o pulso
A função será degenerada até o grau 3, o que é aceitável, pois continua finito.
Função do movimento harmônico simples
As equações do movimento harmônico simples (MHS) são funções com derivações repetidas, em que o seno torna-se o cosseno, que se torna o seno negativo, que se torna o cosseno negativo, e assim por diante até o infinito, sendo essas funções sempre contínuas independentemente do número de derivações. Tomando como exemplo as funções do MHS para a subida, temos:
Em que:
- \(h\) é o deslocamento total da subida.
- \(\theta\) é o ângulo do came.
- \(\beta\) é o ângulo total do intervalo de subida.
A próxima imagem mostra a função harmônica de subida aplicada ao trecho de subida para o came de dupla espera desejado. Notamos que as velocidades são nulas nas extremidades, ou seja, da espera inferior para a subida, o seguidor parte do repouso, assim como do final da subida para a espera superior. A função aceleração, entretanto, não é contínua, visto que é uma curva cosseno de meio tempo e possui valores não nulos no começo e valores iguais a: \(\pm a,\) no final.
Ângulo do came \(\theta\) - diagrama de tempo do came.
Como as funções das esperas que juntam a subida em cada lado possuem aceleração igual a zero, a aceleração apresenta uma descontinuidade em cada extremo do intervalo (observado na imagem de Diagramas do came seguidor), resultando em infinitos picos de pulsos nos extremos do intervalo, sendo um projeto inaceitável de came.
O problema é que uma espera sempre terá velocidade e aceleração iguais a zero. Sendo assim, devem-se marcar os valores nulos das esperas nos finais de cada derivada de qualquer segmento sem espera que os conecte.
O único caso em que a função harmônica simples do deslocamento satisfaz plenamente ao projeto do came é o sobe-desce (SD) sem retorno rápido, ou seja, sobe em 180° e desce em 180° sem que haja esperas, veja:
Came é o sobe-desce (SD) sem retorno rápido.
Com os exemplos apresentados, concluímos que levar em consideração somente a função deslocamento é uma escolha não muito adequada.
O melhor enfoque é iniciar levando em conta a maior derivada, em especial a aceleração. Tanto a aceleração quanto o impulso devem ser priorizados no projeto.
Nos casos em que a massa do trem seguidor for considerável ou, então, não existir uma especificação sobre a velocidade, essas funções devem ser meticulosamente projetadas.
Função cicloidal
Vamos retomar o projeto do came iniciando pela função da aceleração e as funções harmônicas. Veja o tempo completo de uma senoidal de tempo total, empregada como função da aceleração:
Ângulo do came.
A equação para a aceleração senoidal é:
Em que \(C\) é a amplitude da função seno.
Integrando a aceleração, obtemos a velocidade:
Em que \(c_1\) é a constante de integração que depende das condições de contorno da velocidade. No caso, como desejamos \(v=0\) para \(\theta=0\), concluímos que:
Ou seja:
Cabe destacar que, ao fazer a substituição da condição de contorno no outro extremo do intervalo \(v=0\) para \(\theta=\beta\), obtemos o mesmo resultado para \(c_1\).
Integrando a velocidade, obtemos o deslocamento:
Para determinar o valor da constante \(c_2\), substitui-se a condição de contorno de \(s=0\) para \(\theta=0\), porém deve ser confirmado obrigatoriamente o deslocamento igual a zero para o tempo de espera nesse ponto. Para determinar o valor da constante \(C\), substitui-se a condição de contorno \(e=h\) em \(\theta=\beta\), já que \(h\) é o máximo valor que o seguidor vai se deslocar nesse intervalo, além de ser constante para qualquer especificação do came. Dessa forma, temos:
Ao substituir o valor de \(C\) na equação da aceleração, temos:
Ao derivar a aceleração em relação à \(\theta\), chegamos à equação do pulso:
Ao substituir os valores das constantes \(C\) e \(c_1\) na equação da velocidade, obtemos:
Essa equação da velocidade é a soma de um termo constante com um cosseno negativo. Como o coeficiente do termo do cosseno é igual ao termo constante, temos uma curva de velocidade iniciando e finalizando em zero, com o módulo máximo em \(\beta / 2\).
Com a substituição das constantes \(C, c_1\) e \(c_2\), chegamos à equação do deslocamento:
A equação do deslocamento é uma soma de uma linha reta com inclinação e uma senoide negativa. Essa é a equação para uma cicloide, que se refere tanto a um deslocamento cicloidal quanto a uma aceleração senoidal.
Da forma como foram apresentadas, as unidades das equações são:
- Deslocamento: comprimento.
- Velocidade: comprimento/rad.
- Aceleração: comprimento/rad².
- Pulso: comprimento/rad³”.
Sendo assim, para que essas equações sejam convertidas em base de tempo, deve-se multiplicar:
- A velocidade por \(\omega\) (velocidade angular do eixo do came, em (rad/s).
- A aceleração por \(\omega^2\).
- O pulso por \(\omega^3\).
Ainda sobre o projeto de came de dupla espera, a função cicloidal do deslocamento implica:
- Derivadas contínuas por toda função de aceleração.
- O pulso, mesmo apresentando descontinuidades nas condições de contorno, possui módulo finito.
- A velocidade é suave e confirma os zeros da espera em cada extremidade.
Uma desvantagem da função cicloidal é possuir magnitudes elevadas para os picos de aceleração e velocidade.
Neste vídeo, você compreenderá os conceitos do projeto gráfico de excêntricos.
Came com seguidor radial
Seguidor de face plana
Vamos analisar agora um came de disco com seguidor radial de face plana. Entenda:
À medida que o came gira com velocidade angular constante no sentido horário, o seguidor se move para cima de uma distância, tal que segue a escala marcada na haste, por metade da rotação completa do came.
Com o came mantendo a velocidade angular constante no sentido horário, o seguidor move-se para baixo de uma distância idêntica à etapa inicial.
Para se obter o contorno do came, é necessário que o movimento do mecanismo seja invertido e o came permaneça estacionário à medida que o seguidor gira ao seu redor.
Dessa forma, o movimento relativo entre o came e o seguidor é o mesmo e as etapas são as seguintes:
Fazer com que o seguidor gire ao redor do centro do came no sentido contrário ao da rotação do came.
Proceder o deslocamento do seguidor na direção radial de acordo com a marcação indicada na escala para cada ângulo de rotação.
Confeccionar o desenho do contorno do came de forma a tangenciar o polígono formado por cada uma das posições da face do seguidor.
Para a etapa 3 não existe uma forma gráfica que determine o ponto de contato entre o came e o seguidor, de maneira que o ponto deve ser encontrado visualmente por meio de uma curva francesa. Também por meio de tentativas, é determinado o comprimento da face do seguidor. Casualmente, a escala de deslocamentos pode ser combinada com o raio mínimo do came, para se obter um contorno com uma ponta ou aresta, que pode ser eliminada ao se modificar a escala de deslocamentos ou aumentando-se o raio mínimo do came. Observe:
Came de disco com seguidor radial.
Seguidor de rolete
Vamos analisar agora o mesmo tipo de came, entretanto com um seguidor de rolete. Para esse tipo de seguidor, o centro do rolete que vai se deslocar com o movimento desejado. As etapas de construção são semelhantes ao seguidor de face plana, entretanto a única diferença é que o contorno do came é tangente às diversas posições do rolete.
Podemos observar também que:
Linha de ação
A linha de ação entre o came e o seguidor não se encontra na direção do eixo do seguidor, a menos que o seguidor esteja parado.
Quebra da haste
Esse fato resulta em uma força lateral no seguidor, podendo gerar uma deflexão e consequente quebra da haste.
O ângulo entre a linha de centro do seguidor e a linha de ação é denominado ângulo de pressão e o valor máximo desse ângulo deve ser o mínimo possível, principalmente em mecanismos de menor porte. Atualmente, esse valor é de no máximo 30°. Apesar de ser possível medir o ângulo de pressão máximo por meio da construção gráfica, na maioria das vezes é muito difícil defini-lo analiticamente.
O ângulo de pressão tem um valor constante para qualquer seguidor radial de face plana.
O ângulo de pressão pode ser reduzido aumentando-se o raio mínimo do came para que a trajetória do seguidor, em relação ao came, seja maior para a mesma elevação. Isso é o mesmo que aumentar o comprimento de um plano inclinado para a mesma elevação, de forma a reduzir o ângulo de inclinação do plano. Do mesmo modo, nos cames com seguidor de rolete, o raio de curvatura da superfície primitiva deve ser maior que o raio mínimo do rolete, caso contrário, a superfície do came terá uma descontinuidade representada por uma extremidade pontiaguda.
Came de disco com seguidor radial.
Came com seguidor oscilante
Seguidor de face plana
Agora vamos analisar um came de disco com seguidor de face plana. Confira!
Seguidor é girado ao redor do came
Empregando o mesmo princípio utilizado na construção do came de disco com seguidor radial, o seguidor é girado ao redor do came.
Seguidor gira em torno do seu centro
Simultaneamente, o seguidor deve girar em torno do seu centro de rotação, conforme os deslocamentos angulares relacionados a cada posição mostrada na escala.
Existem várias formas de fazer o seguidor girar ao redor do seu centro. Na imagem, a forma utilizada é a partir da interseção de dois arcos de circunferência (ponto 3’, por exemplo) para que se determine um ponto da face do seguidor em sua nova posição, depois de girar ao redor de seu centro e ao redor do came. Entenda a seguir:
Um dos dois arcos possui como raio a distância do centro do came à posição 3 da escala de deslocamento, e com o centro da curvatura, o centro de rotação do came.
O próximo arco é desenhado com centro de curvatura posicionado no centro de rotação do seguidor até a escala de deslocamento.
O ponto de encontro desses dois arcos é o ponto 3’.
Em função do número finito de retas que passam pelo ponto 3’, é preciso ter uma informação extra para determinar a posição exata da face do seguidor relacionado ao ponto 3’. Como a imagem apresenta, isso é obtido da seguinte forma:
É feita uma circunferência tangente ao prolongamento da face do seguidor na posição 0.
Essa circunferência coincide com o diâmetro externo do cubo do seguidor na posição 3.
Refazendo esse processo, é obtido um polígono constituído pelas várias posições da face do seguidor.
A partir do polígono obtido, o contorno do came é então desenhado.
Veja essa insformações aplicadas à imagem:
Came de disco com seguidor oscilante de face plana.
Seguidor de rolete
Vamos analisar agora um came de disco com seguidor oscilante de rolete.
O procedimento para se determinar os pontos 1’, 2’ etc. é similar ao indicado no came de disco com seguidor de face plana. No entanto:
Rotação do seguidor ao redor do came
No caso do came de disco com seguidor oscilante com rolete, esses pontos são obtidos pela rotação do seguidor ao redor do came.
Circunferências
Circunferências que correspondem a cada posição do rolete são traçadas e o contorno do came tangencia essas circunferências.
Notamos que em um projeto real, devem ser usadas menos divisões para que o erro do contorno do came seja minimizado. O mesmo procedimento pode ser usado no projeto do came com seguidor oscilante de rolete, assim como no empregado para um came com seguidor radial deslocado, veja:
Came de disco com seguidor oscilante de rolete.
A maioria dos cames em uso está entre os tipos mencionados, entretanto existem muitos outros que também possuem grande aplicação, como:
- Came de retorno comandado
- Came cilíndrico
- Came invertido
Came de retorno comandado
Em um came de disco com seguidor radial, usualmente é preciso que o movimento de retorno do seguidor seja comandado pelo came em vez da ação da gravidade ou ação de uma mola. Na próxima imagem vemos um came de disco com seguidor radial no qual, temos:
Movimentos comandados pelo came
O movimento de elevação e também o movimento de retorno é comandado pelo came.
Movimentos no sentido oposto
Tanto o movimento de elevação quanto o retorno são o mesmo, no entanto no sentido oposto.
Podem ser empregados dois seguidores de roletes ao invés de seguidores de face plana no projeto desse tipo de came. Caso seja preciso ter um movimento de retorno independente do movimento de elevação, utilizam-se dois discos. Nesses cames duplos, tanto seguidores de roletes quanto de face plana podem ser empregados.
Came de disco com seguidor de face plana.
Came cilíndrico
Cames desse tipo possuem muitas aplicações, em particular nas máquinas operatrizes, e o exemplo mais conhecido é o molinete presente na vara de pescaria, como visto na imagem a seguir.
Molinete na vara de pescaria.
Na imagem vemos o came cilíndrico que, ao girar em torno de seu eixo, o seguidor é guiado por meio da ranhura que existe na superfície do cilindro.
Came cilíndrico.
Came invertido
Dependendo da aplicação, pode ser desejado que o papel do came e do seguidor seja invertido e dessa forma o seguidor que comanda o came. Essa troca de papéis tem aplicação, por exemplo, em máquinas de costura, visto na imagem a seguir, e outros equipamentos com mecanismos similares.
Máquina de costura.
Veja um exemplo de um came de placa no qual quem oscila é o braço, gerando um movimento alternativo do bloco por meio da ação de um rolete que existe no interior da ranhura do came.
Came invertido.
Como vimos, existem diversos tipos de cames, bem como muitas classificações para as mais diversas aplicações nas indústrias e em equipamentos. Os cames podem ser classificados de acordo com o movimento do seguidor, do tipo de came, do fechamento da junta, do tipo de seguidor, do tipo de movimento crítico e do tipo de programa de movimentação.
Vimos ainda o projeto analítico de cames para um came de dupla espera e aprendemos que a função do came deve ser contínua por toda primeira e segunda derivada do deslocamento, bem como a função pulso deve ser finita durante todo o intervalo.
Por fim, compreendemos que, no projeto gráfico de excêntricos, é fundamental considerar o came parado e mover o seguidor ao redor dele, já que o movimento relativo continua o mesmo. Compreendemos, também, a importância de manter um ângulo de pressão baixo para evitar a quebra da haste do seguidor por deflexão.
Ouça e compreenda alguns aspectos referentes às características e aos projetos analíticos dos cames.